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01
Mar15

Talvez o maior desafio de quem, hoje, produz conteúdos, sejam para formatos digitais ou em papel, seja o de como atingir o maior número de pessoas. A oferta hoje é quase infinita, não se fecha no mercado nacional, felizmente muita gente procura informação sobre aquilo que gosta em sites estrangeiros, mas a luta, por cá, continua a ser essa: como fazer com que as pessoas olhem para aqui e não para ali.

É assim nos jornais, nas revistas, nos sites, nos blogues, nas apps, nos jogos para telemóvel, nos filmes, nas séries de televisão. Na verdade, há muitos anos que assim é, só que este trabalho é cada vez mais difícil, já que quase diariamente surgem coisas novas, ou descobrimos coisas novas, que nos fazem desviar o foco daqui para ali. Crescer, hoje, no mundo da comunicação é um desafio, seja qual for a plataforma. Os produtos em papel sentem que o digital os está a matar, e os produtos do digital sofrem a concorrência de milhares e milhares de conteúdos online em todo o lado, as televisões queixam-se da imensidão de canais que faz com que até os anunciantes já não saibam bem onde colocar os anúncios, com receio de que não tenham o alcance e impacto que esperam.

Há dias, dei uma formação na Porto Editora onde tive a oportunidade de falar disto mesmo, da necessidade absoluta que os produtores de conteúdos têm em atrair gente, em captar a atenção. A formação foi dada a 28 professores da Escola Virtual, um dos mais meritórios projetos que nasceram em Portugal nos últimos 10 anos, mas que se debate com o mesmo problema de todos os outros: como levar mais alunos e professores à escola virtual. Senti ainda uma resistência idêntica àquela que já senti em vários jornalistas com que trabalhei, que acham que as suas funções terminam no momento em que terminam um artigo para ser publicado no papel. Embora não faça parte das competências tradicionais de um produtor de conteúdos daquele projeto, hoje, é impensável que esse mesmo produtor de conteúdos não seja o primeiro a pensar em como fazer expandir esse mesmo conteúdo, fazendo-o chegar, de forma eficaz e apelativa, ao destinatário. Senti que posso ter sido muito chato neste ponto, mas fui-o, essencialmente, porque acredito que é aí que está a chave para um sucesso ainda maior. Aproveito para deixar beijos e abraços às duas maravilhosas turmas que tão bem nos receberam (a mim e ao Luís Borges, que dividiu a formação comigo).

Mais um curso de blogues

Esta semana vou iniciar mais um curso de blogues na Palavras Ditas. O desafio vai passar muito por aí: explicar aos formandos o que podem fazer para que os conteúdos que produzem para os blogues se distingam dos outros, se afirmem neste mercado que parece esgotado e em que se criou a ideia de que tudo o que é criado é mais do mesmo. Não é. Ao longo do curso, tentarei abordar aspetos teóricos, mas também iremos ter muita prática. Convidarei alguns bloggers conhecidos para irem às aulas falar dos seus casos de sucesso (A Pipoca Mais Doce este nas edições anteriores e irá voltar), irei construir, com os alunos, um blogue da turma, e irei focar-me muito na importância da partilha, da gestão das redes sociais, da relação com os leitores, da qualidade dos conteúdos. 

Felizmente, ao longo das formações que tenho dado, tenho encontrado alunos criativos e empenhados, que têm desenvolvido alguns projetos de sucesso. De todos, queria destacar dois. O primeiro, em que está envolvida a Joana Paixão Brás, aluna do meu primeiro curso na Palavras Ditas, chama-se A Mãe É Que Sabe e conseguiu, em poucos meses, entrar no lote de blogues mais lidos a nível nacional, e é já uma referência em blogues de maternidade. Razões para este sucesso: 1. O ponto de partida - a ideia é muito boa (duas mães com uma ideia diferente sobre a maternidade, que vão falando sobre os filhos e a vida, discordando muitas vezes uma da outra). 2. A persistência e qualidade dos conteúdos. O outro, também de uma aluno minha do primeiro curso, a Margarida Paim, chama-se Palavra de Carioca e tem igualmente um bom ponto de partida: um blogue sobre o Rio de Janeiro escrito por uma portuguesa com costela carioca, e que sabe tudo o que se passa na cidade. Ou seja, é um blogue perfeito para quem quer visitar o Rio.

Quem se quiser inscrever no curso ainda o pode fazer. Começa terça-feira, às 19h, na Palavras Ditas, perto do Marquês de Pombal. O curso é de 25 horas, pós-laboral, e termina a 26 de Março. Podem saber tudo sobre inscrições e o programa aqui. Espero por vocês.

pditas.jpg

 

 

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publicado às 22:27

22
Fev15

Este ano portei-me razoavalmente bem e consegui ver quase todos os filmes candidatos aos principais óscares. Não foi um ano incrível, mas não foi dos piores. Há alguma coisa interessante, pouca coisa memorável e épica, mas ainda assim deu para passar uns bons momentos no cinema.

O filme que mais gozo me deu ver foi "Whiplash", se bem que compreendo que não tenha dimensão para um óscar de melhor filme. Terá, seguramente, o óscar para melhor ator secundário, para J. K. Simmons. O filme que achei mais bonitinho foi "A Teoria de Tudo", que também não deverá levar o óscar, mas, uma vez mais, tem um troféu reservado: o de melhor ator, para Eddie Redmayne.

O filme que mais me preencheu foi Boyhood. É um filme simples, intimista sem ser introsivo, que fala sobre as várias fases da vida, sobre como a vida nos passa, com momentos que são quase sempre normais, mas que Richard Linklater filma como poucos. Podem ler aqui a crítica que escrevi ao filme na NiT. 

Gostei do Birdman, acho que será o filme escolhido pela Academia, se o for não ficará mal entregue, mas não é daqueles filmes que queira voltar a ver. A realização de Iñarritu é genial, a interpretação de Michael Keaton é incrível, o argumento é fantástico, e por tudo isto se perceberá o Oscar, mas, ainda assim, falta-lhe aquele químico que me liga aos filmes, que me faz ter por eles um carinho diferente, como tem "Boyhood".

Deixo, então, o meu palpite para hoje, e para as principais categorias.

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Melhor Filme:

O que acho que vai ganhar: "Birdman"

O que queria que ganhasse: "Boyhood"

Quem pode surpreender: "Grand Budapest Hotel"

Melhor Ator:

Quem acho que vai ganhar: Eddie Redmayne ("Teoria de Tudo")

Quem queria que ganhasse: Eddie Redmayne ("Teoria de Tudo")

Quem pode surpreender: Steve Carrell ("Foxcatcher")

Melhor Atriz:

Quem acho que vai ganhar: Julianne Moore ("O Meu Nome É Alice")

Quem queria que ganhasse: Julianne Moore ("O Meu Nome É Alice")

Quem pode surpreender: Rosamund Pike ("Gone Girl")

Melhor Ator Secundário:

Quem acho que vai ganhar: J.K.Simmons ("Wiplash")

Quem queria que ganhasse: J. K. Simmons ("Whiplash")

Quem pode surpreender: Mark Ruffalo ("Foxcatcher")

Melhor Atriz Secundária:

Quem acho que vai ganhar: Meryl Streep ("Into the Woods")

Quem queria que ganhasse: Laura Dern ("Wild")

Quem pode surpreender: Patrícia Arquette ("Boyhood")

Melhor Filme de animação:

O que acho que vai ganhar: "Os Monstros das Caixas"

O que queria que ganhasse: "Os Monstros das Caixas"

Quem pode surpreender: "Big Hero 6"

Melhor Fotografia:

O que acho que vai ganhar: "Birdman"

O que queria que ganhasse: "Grand Budapest Hotel"

Quem pode surpreender: "Grand Budapest Hotel"

Melhor Realizador: 

Quem acho que vai ganhar: Alejandro Iñarritu ("Birdman")

Quem queria que ganhasse: Richard Linklater ("Boyhood")

Quem pode surpreender: Wes Anderson ("Grand Budapest Hotel")

Melhor Documentário:

O que acho que vai ganhar: "CitizenFour"

O que queria que ganhasse: "The Salt of Earth"

Quem pode surpreender: "Virunga"

Melhor Montagem:

O que acho que vai ganhar: "Grand Budapest Hotel"

O que queria que ganhasse: "Whiplash"

Quem pode surpreender: "Boyhood"

Melhor Montagem:

O que acho que vai ganhar: "Grand Budapest Hotel"

O que queria que ganhasse: "Whiplash"

Quem pode surpreender: "Boyhood"

Melhor Filme Estrangeiro:

O que acho que vai ganhar: "Leviathan"

O que queria que ganhasse: "Timbuktu"

Quem pode surpreender: "Timbuktu"

Melhor Argumento Original:

O que acho que vai ganhar: "Boyhood"

O que queria que ganhasse: "Boyhood"

Quem pode surpreender: "Birdman"

Melhor Argumento Adaptado:

O que acho que vai ganhar: "Teoria de Tudo"

O que queria que ganhasse: "Teoria de Tudo"

Quem pode surpreender: "Whiplash"

Melhores Efeitos Visuais:

O que acho que vai ganhar: "Intestellar"

O que queria que ganhasse: "Guardiões da Galáxia"

Quem pode surpreender: "Guardiões da Galáxia"

 

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publicado às 22:22

 

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publicado às 12:41

Vivemos num país de gente indignada. É um estado de espírito constante. Tudo nos indigna. "Claro que estou indignado, pois claro que estou!" é das frases que mais se ouvem naquelas reportagens de rua das televisões a propósito de qualquer coisa que está errada. As pessoas indignam-se porque o vizinho deixa o saco do lixo à porta do caixote e não lá dentro, indignam-se porque o colega do lado sai sempre às cinco em ponto, indignam-se porque há gente a gastar cinquenta euros num jantar quando o País está na desgraça, indignam-se porque sim, porque vivem numa permanente indignação. É algo muito nosso, aquela coisa de acharmos sempre que está tudo errado, que é tudo mau, tudo negativo. Levamos a vida e as coisas demasiado a sério. Tudo é visto com um problema, um drama, mesmo aquelas coisinhas de nada do dia-a-dia que nos deviam passar ao lado.

Isto só me chateia mais porque nos assuntos verdadeiramente importantes as pessoas raramente se indignam, raramente se mexem e fazem qualquer coisa para mudar. 

O caso Sagres/frango do Rui Patrício que hoje de manhã invadiu as redes sociais é o mais recente exemplo de indignaçãozinha barata e estúpida. O vídeo era uma brincadeira, brincava com uma coisa factual - um frango, um frango unânime, um frango que é frango aqui ou na China. Qual é o drama disto? Porque é que não nos podemos rir de um lance caricato que aconteceu num jogo de futebol? Onde é que a Sagres ofendeu o jogador ou a instituição Sporting? Se o caso fosse com o Benfica eu seria o primeiro a gozar com isto, como gozei durante um ano inteiro com as frangalhadas que o nosso querido Roberto dava semana sim, semana sim. 

A Federação Portuguesa de Futebol, que recebe uma batelada de dinheiro por ano da Sagres, em patrocínios, ficou muito chateadinha com o vídeo e fez queixinhas. O Sporting também não achou graça à brincadeira. A Sagres não teve outro remédio que não retirar o vídeo e pedir desculpas a todos os "ofendidos".

Na minha opinião, não o deveria ter feito. O vídeo não teve intenção de rebaixar ninguém, mas apenas de brincar com uma situação caricata. É impossível ser-se unânime em tudo o que se faz, sobretudo se as brincadeiras tiverem a ver com futebol, política ou religião. São assuntos para os quais a tolerância é zero, a capacidade de encaixe é zero e que já se sabe que vão dar asneira.

Somos todos muito pela liberdade de expressão, pela liberdade de dizermos o que achamos, só que depois quando nos tocam nos calos não admitimos, indignamo-nos, vamos fazer queixinhas. Indignadinhos, é o que somos, mas indignadinhos com o que interessa muito pouco. 

Se aprendessemos a rir de nós mesmos a vida teria muito mais graça.

Aqui fica o vídeo para a eventualidade de alguém não o ter visto.

 

 

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publicado às 21:44

09
Fev15

Depois de ter orientado os dois primeiros workshops sobre "Como Criar Um Blogue de Sucesso", um em Lisboa e outro no Porto, e na sequência dos muitos pedidos de informação que tenho recebido por mail, queria dizer-vos que já estão abertas as inscrições para a terceira edição do curso, novamente na escola de comunicação Palavras Ditas. A estrutura do workshop, as condições e horários estão todos aqui. O curso arranca já este mês, a 24 de fevereiro, e termina a 19 de março. Basicamente, são 25 horas, às terças e quintas entre as 19 e as 22 horas.

 

Antes, e se quiserem ter uma amostra breve do que será o curso, podem inscrever-se num dos três mini-cursos que irei dar no Centro Comercial Alegro de Alfragide, já a partir desta quarta-feira, 11 de fevereiro. Durante duas horas, e ao longo de três quartas-feiras, irei falar um pouco sobre "Como Criar um Blogue". Podem ler tudo sobre estes mini-workshops aqui. São apenas duas horas, entre as 10h30 e as 12h30, em que irei abordar os princípios básicos da blogosfera. Estes workshops, gratuitos (mas que obrigam a uma inscrição), são uma oportunidade de começarem a entender melhor o fenómeno dos blogs, tirarem dúvidas e ouvirem um pouco sobre a minha experiência enquanto blogger e comunicador online.

Depois, se gostarem, e se quiserem saber mais, podem inscrever-se no curso maior, da Palavras Ditas.

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publicado às 21:56



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