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31
Ago12

Quase de volta

por O Arrumadinho
A FOX garantiu, está garantido: dia 8 de Outubro ela regressa. E as nossas noites vão ser muito melhores.
A partir de 8 de Setembro vai começar a repetir a primeira temporada de "Homeland" (ou "Segurança Nacional"), de segunda a sexta, à meia-noite e dez. Depois, a 8 de Outubro começa a segunda temporada.

Quem não viu, veja.
É, muito provavelmente, a melhor série que vi em 2012.
Imperdível.



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publicado às 16:56

31
Ago12

Os miúdos e a cultura

por O Arrumadinho
Há dias surpreendi-me quando uma miúda de 21 anos me disse que nunca tinha visto o "Top Gun". Depois escandalizou-me quando me perguntou o que era o "Tog Gun". Lá lhe expliquei que era um filme do Tom Cruise, um clássico dos anos 80, a ver se aquilo fazia tocar umas campainhas, mas não, ela nunca tinha ouvido falar no filme.
À volta gerou-se uma discussão interessante sobre o facto de o filme ter sido realizado antes de a miúda nascer, sobre o facto de o Tom Cruise ser, para esta geração, apenas um velho bem conservado e não um sex-símbol (esses serão um Zach Ephron ou o Robert Pattinson), e dei por mim a achar que era normal, de facto, que não se conhecesse o "Tog Gun".

Mais tarde, dei por mim a pensar naquilo. E mudei de ideias. Não, não é normal que se desconheçam fenómenos deste género, ou filmes importantes que marcaram décadas. O Tog Gun está longe de ser um filme genial - é apenas decente - mas com os seus clichés, a banda sonora, uma série de sequências memoráveis (o passeio de mota ao som do Take My Breath Away, o jogo de beach volei, a morte do Gus, o Gus a tocar o Great Balls of Fire no piano, etc., etc.), mas tornou-se um fenómeno que não pode ser ignorado, ou totalmente desconhecido. O "Saturday Night Fever" também é um filme mauzinho, também foi feito antes de eu nascer, e não é por isso que o desconheço. Aos 20 anos já tinha visto o filme e, sobretudo, sabia que era uma coisa relevante.

A desculpa de as coisas terem acontecido antes de nascermos é das coisas menos aceitáveis. Não há, sequer, uma relação entre uma coisa e a outra. E a idade também não pode ser argumento.
Eu lembro-me de quando tinha 18, 19, 20 anos, lembro-me que terá sido das épocas da minha vida em que tive mais curiosidade em saber e descobrir coisas. Coisas em geral. Lia imenso, procurava, queria entender tudo, saber por que é que umas coisas eram relevantes, lia coisas sobre figuras históricas, procurava os clássicos do cinema, da música. E nessa altura não havia, nem de perto nem de longe, a facilidade que existe hoje em chegar à cultura. Não havia Internet, não havia DVD (havia, mas os leitores eram tão caros e os filmes tão poucos que pouca gente tinha), e ainda grande parte dos discos eram em vinil. Quase todos os grandes clássicos do cinema vi-os em ciclos especiais que passavam na Cinemateca, no Quarteto, no King, no Londres, no Condes, no São Jorge, no Mundial. Foi assim que vi o "Casablanca", o "Citizen Kane", o "Raging Bull", o "Pássaros", e tantos outros. Outras vezes, gravava-os quando passavam na televisão e via-os em VHS - tinha uma colecção de uns 200 filmes em cassete. Tinha os Padrinhos, o Apocalypse Now, o Annie Hall, o ET, os Indiana Jones, e sei lá mais o quê. Para se conseguir ver um filme antigo bom era preciso esperar que uma dessas duas coisas acontecesse: que passasse num ciclo de cinema ou que fosse emitido na TV. E mesmo assim vi uma grande quantidade. Hoje em dia basta ir à FNAC e estão lá todos em DVD. O acesso é fácil, não é tão caro quanto isso, mas mesmo assim muita gente desta nova geração ignora tudo isto, sob a capa do "ainda nem era nascido" ou "isso não são coisas do meu tempo".

Falo do cinema como podia falar da música, que são as artes que considero mais próximas do público jovem, as que têm uma componente mais cativante para os adolescentes. Lá está, não espero que um miúdo de 18 ou 20 anos saiba coisas sobre bailado clássico, sobre artistas plásticos, sobre fotógrafos conhecidos, sobre clássicos do teatro, porque acho que são disciplinas que podem levar mais tempo a ser entendidas, absorvidas. Mas o cinema? A música?

Também não engulo essa coisa do "ah, os putos hoje têm demasiada oferta, têm mais do que fazer". Pois, quando eu era puto também tinha mais do que fazer. E fazia muitas coisas. Mas entre elas estavam a leitura, o cinema, o ouvir música. Aliás, até acho que a minha geração - a malta que tem hoje entre os 32 e os 40 anos - fazia mais coisas quando tinha 17, 18 anos, do que os miúdos fazem hoje. Estar na Internet ou passar o tempo agarrados aos telefones não é propriamente estar a "fazer coisas". Têm um mundo em frente ao computador, mas outro mundo a acontecer lá fora. E é o que está lá fora que vale.

Claro que nem todos os miúdos são assim. Claro que haverá os que continuam a ser interessados, a ler, a entender os fenómenos, a procurar. Mas a verdade é que nove em cada dez dos que tenho conhecido não são assim. Ora aqui está uma boa razão para os que se acham à rascar poderem distinguir-se: tornem-se mais cultos, intelectualmente mais activos e vão ver que acabam por se distinguir dos outros, por sobressair, e isso poderá fazer toda a diferença quando tiverem de enfrentar uma selecção.

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publicado às 08:30

28
Ago12

Play God

por O Arrumadinho
Isto de escrever um romance fez-me entrar nas histórias de vida de actores, realizadores e escritores que acompanho. Em muitas entrevistas que vi e li falavam de como a vida deles tinha sido tomada pelos personagens, como eles ganhavam vida no dia-a-dia de cada um.
Estou mais ou menos nessa fase.
Sinto-me uma espécie de Deus do mundo daquelas pessoas, com poder para decidir quem se apaixona por quem, quem morre, quem sobrevive, que é bom e mau, quem faz asneiras ou segue o caminho correcto. É um desafio que me está a preencher. Dou por mim, no carro, a pensar no destino de todos, na forma mais surpreendente e eficaz de fazer avançar a história, de como posso preencher algumas lacunas com pormenores curiosos, dando-lhes um passado, acrescentando-lhes familiares, apoiando-os em novos amigos.
Entre hoje e amanhã devo terminar a primeira versão da parte mais importante da história: o primeiro acto. É aqui que a história tem de agarrar, que as personagens têm de nos cativar, que a trama tem de entusiasmar. Se o primeiro acto não funcionar, então, o mais provável é que muitos leitores não cheguem ao segundo. Como eu próprio digo, há demasiados livros bons para se perder tempo a ler coisas que não nos interessam. A exigência que tenho com os outros é a que tenho comigo mesmo. Foi por isso que pus o trabalho que já fiz nas mãos do meu editor, que me dirá se estou a seguir o caminho certo. Se não estiver, não faz mal, apaga-se, reescreve-se, reinventa-se, procuram-se soluções mais interessantes. É a vantagem de ser Deus - o mundo acontece como nós queremos. Era bom que pelo menos uma vez na vida pudessemos ter esse poder.

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publicado às 20:03

27
Ago12

Dias de romance

por O Arrumadinho
E não é que um fim-de-semana fechado no escritório passou tão depressa como aqueles em que andamos por aí a passear e a fazer vida de praia-restaurante-esplanada? Achava que não, que, como ia estar em casa, o relógio seria mais preguiçoso, e que, assim, o tempo dar-me-ia para tudo o que queria. Não. Ainda me pareceu mais apertado.

A parte mais complicada de escrever um romance é mesmo a de não nos conformarmos com a primeira solução que nos vem à cabeça. Foi o que estive a fazer nos últimos dois dias a tempo inteiro, e é o que ando a fazer há quase uma semana. A história não avançou, mas ficou mais forte, houve pontos que encontraram uma ligação no futuro, personagens que se tornaram mais sólidas, diálogos mais incisivos, acções mais justificadas.

Escrever é uma arte que dá trabalho, mas que nos embala, que nos faz sair dos limites, que entusiasma. Reescrever é trazer os pés de volta à terra, amansar o criativo, é pôr tudo em causa. É mais chato, parece que é tempo que se perde e que poderia estar a ser aproveitado para criar, mas, no fim, acredito que valerá a pena.


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publicado às 08:25

25
Ago12

As 2 sombras de Grey

por O Arrumadinho
Dois dos filmes que mais vezes devo ter visto na vida foram "Ferrys Buller Day Off" ("O Rei dos Gazeteiros", em português) e o "Dirty Dancing" (ou "Dança Comigo").
O primeiro, porque era um dos filmes que mais gostava quando era miúdo. Tinha-o gravado em cassete, numa altura em que se ia ao vídeo clube alugar filmes em VHS, e acho que todos os meses o via. O segundo, porque era o filme preferido da minha irmã (acho que ainda é), e ela fazia o mesmo. As nossas lutas eram sempre as mesmas: no Spectrum, porque eu queria jogar "Match Day", "Formula 1", "Football Director" ou "Laser Squad" e ela ocupava-me o computador com o "Mrs. Pacman" ou o "Perigos na Selva", o pior jogo da história dos jogos; e no vídeo, porque eu queria ver qualquer coisa de interessante e ela passava o tempo a ver o "Dirty Dancing", a imitar as coreografias, a imaginar-se aos beijos e a voar nas mãos do Patrick Swayze.

E o que é que estes dois filmes têm em comum? Ambos são com a Jennifer Grey.
Depois do sucesso que teve, a senhora resolveu dar uma volta à cara, cansada do nariz que tinha. E a verdade é que mesmo com o novo look nunca mais a vi, nunca mais entrou num filme decente ou com o mínimo de projecção. Desapareceu do mapa.
Há dias deparei-me com uma foto dela na actualidade e fiquei boquiaberto. Não queria acreditar que era a mesma pessoa. Está irreconhecível. Nem sequer consigo dizer se está melhor, ou pior, é outra pessoa, mudou de cara, de expressão, tudo. Ela é uma sombra da Grey que foi. Terá valido assim tanto a pena?


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publicado às 14:23

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