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30
Set12

Fim-de-semana de corridas

por O Arrumadinho
Este foi um fim-de-semana de exercício e ar livre. Sábado foi dia de preparação para a Corrida do Tejo, com um treino muito levezinho no Jamor, e domingo houve meia-maratona na Ponte Vasco da Gama.

Sábado de manhã lá consegui arrancar a mulher da cama e levá-la até ao Estádio Nacional. O grupo de corredores era grande e estava dividido em três, para que cada um escolhesse o seu ritmo. Como no dia seguinte ia fazer 21 km, optei por não puxar muito e fui fazer companhia à esposa no grupo dos iniciados. Ainda me armei em treinador, ensinando-lhe exercícios de respiração, controlando ritmos, distâncias, picos, mas, claro, como sou marido, e não PT, ela não me respeita.
- "Vamos, são só mais 100 metros e depois paramos. Aguenta. Tens de te superar, só assim vais progredir".
- "Não quero".

Pronto, parava. E lá ia a andar. Eu acompanhava-a, enquanto lhe tentava explicar que a única forma de ir ganhando "perna" e "pulmão" é ir procurando a superação, chegando ao limite, mas acho que ela não estava muito virada para me ouvir. Mas eu vou tentando.

Hoje de manhã saltei da cama às 7h e lá comecei com todo o ritual de preparação da corrida - preparar o chip nos ténis, prender o dorsal com alfinetes, aplicar o creme anti-bolhas, tomar um pequeno-almoço com hidratos e proteínas, etc. Acho que de todas as meias-maratonas que já corri esta era aquela em que estava mais mal preparado. Em Agosto não corri e só no fim-de-semana passado voltei a treinar com regularidade. Ou seja, não tinha grandes expectativas. Quando me fui inscrever para a prova, passei no stand da Vitalis e arrisquei um desafio - escolhi "Correr em menos de 1h50". O meu recorde na prova é de 1h27m, na meia-maratona de Setúbal, aí em 1997. Nos últimos anos tenho feito sempre entre 1h32 (quando estou bem) e 1h45 (quando treino menos). Por isso, só queria não ficar acima da 1h50, o que era complicado, já que treinei mesmo muito pouco.
Durante a corrida, optei por uma estratégia diferente. Pela primeira vez, comecei num ritmo muito lento (para quem percebe destas coisas, com um ritmo de 5'00)  e fui assim até ao quilómetro 15. Como me sentia fisicamente muito bem, resolvi dar tudo nos últimos seis quilómetros. E assim fui. Acelerei e fiz um final bastante rápido. Deu para terminar com 1h43m29s, o que foi bastante bom, muito melhor do que estava à espera.

O melhor veio depois. Quando a prova terminou, assisti a um maravilhoso mini-concerto dos Xutos. Mesmo com 21 km nas pernas, ainda consegui estar mais 45 minutos a saltar e a cantar. Do melhor.

Outra das grandes notícias do dia foi o facto de ter terminado a prova à frente da Analice (há dias, a minha mulher escreveu uma crónica sobre ela — podem ler aqui). Conheci a Analice em Maio, quando corri as 100 Maratonas 100 Amigos, a minha primeira maratona. Quando terminei a prova, com 4h19m, reparei que, na chegada, já estava uma senhora com ar de avozinha querida. Achei admirável o facto de ela ter corrido os 20 km (achava eu, porque também havia esta distância). Soube depois que não, que ela havia corrido a maratona completa (os 42,195 km) e tinha ficado à minha frente. Pormenor: a senhora tem 68 anos.
Ontem, já depois da viragem aos 10/12 km, vi-a. Lá vinha ela, um ou dois quilómetros atrás de mim. Por muito vergonhoso que possa parecer, fiquei contente por ficar à frente daquela senhora com idade para ser minha avó, como se isso não fosse minha obrigação.

Já depois dessa prova, quis conhecer melhor a Analice. Entrevistei-a, escrevi um perfil de vida da senhora, que amanhã podem ler aqui no blogue. Digo desde já que é uma história de vida única, incrível, digna de um filme, uma história de coragem, persistência, um drama comovente.



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publicado às 22:59

Depois do empate do Benfica em Coimbra não se falou de outra coisa se não o roubo que aquilo foi, os dois penáltis mal assinalados contra o Benfica, o sistema que já está a empurrar o Benfica para fora dos primeiros lugares, as maroscas do Carlos Xistra que está ao serviço de outros interesses que não os da verdade desportiva, enfim, falou-se de quase tudo menos daquilo que eu acho que foi o mais grave e escandaloso que se passou dentro de campo: as sete ou oito oportunidades claras de golo que o Benfica desperdiçou. Sobre isso, nem uma linha de discussão.

Pontos prévios:
1. Eu vi o jogo com muita atenção do princípio ao fim, e vi todas as repetições dos lances de todos os ângulos possíveis.

2. Parece-me que os dois penáltis marcados contra o Benfica não foram bem assinalados; no primeiro a falta parece-me fora da área, no segundo parece-me que o Garay toca na bola e o jogador da Académica mergulha por cima dele.

Repararam na formulação usada no segundo ponto? Parece-me. E, efectivamene, parece-me que as coisas se passaram assim. À terceira ou quarta repetição, começo a ter mais certezas, mas, ainda assim, acho que ambos os casos podem perfeitamente deixar dúvidas. No momento, o árbitro decidiu, parece-me que mal, mas pronto, está decidido.

Será que estes penáltis tinham acontecido ou teriam tido importância se aos 6 minutos de jogo o Benfica estivesse a ganhar 2-0, já que teve dois lances em que o Cardozo e o Rodrigo atiraram à barra e à trave com a baliza escancarada? Será que estes dois lances teriam tido importância se, com o decorrer do jogo, o Cardozo não tivesse falhado mais quatro oportunidades, à entrada da pequena área, completamente sozinho? O árbitro, que não é profissional, que ganha 50 vezes menos que os jogadores, erra e cai-lhe tudo em cima, os craques, que são profissionais, que ganham 100 mil euros por mês, podem errar cinco vezes num jogo, prejudicar a equipa, levá-la a perder pontos, e toda a gente assobia para o ar? Eu não assobio.

Há muito que defendo que devia haver um nível de exigência e escrutínio muito maior para com os jogadores de futebol dos maiores clubes, os craques que se passeiam em carros de 200 mil euros, que trabalham 2 horas por dia e muitas vezes queixam-se de que não são acarinhados pelos adeptos. Eles são uns privilegiados, ganham num mês o que muita gente ganha em 10 ou 20 anos de trabalho, vão reformar-se aos 34 ou 35 anos, e são quase sempre tratados como peças de museu, intocáveis, protegidas do mundo. São florzinhas de estufa que quando ouvem assobios ficam deprimidos, e depois jogam mal, e baixam de rendimento, e andam tristes. Estes senhores deviam era trabalhar mais e deixar-se de merdas. Se falham golos de baliza aberta, passem cinco horas por dia, depois do treino, a rematar à baliza, para melhorar as capacidades. Se são fracos a cabecear, passem cinco ou seis horas por dia a treinar cabeceamentos. É para isso que lhes pagam, e é para isso que lhes pagam muito bem: para serem excelentes. Só que muitos deles preferem lamentar-se da sorte e proteger-se no passado ("Ah, mas eu no jogo passado marquei dois golos" - pois, senhor, é para isso que lhe pagam, não fez mais do que a sua obrigação; mas o que é certo é que ainda vai receber um bónus pelos golos, que fazem parte do seu trabalho - isto é tão estúpido como eu exigir ao meu patrão um bónus por escrever textos, como se não fosse esse o meu trabalho).

Durante alguns anos, fui jornalista desportivo. Assisti a muitas e muitas horas de treinos, e sempre me fez confusão ver a maior parte dos jogadores na galhofa, a correr à volta do relvado a 5 km/h, sem o mínimo de  aplicação, de garra. E aquilo parecia uma coisa instituída, porque acontecia nos treinos do Benfica, do Sporting ou da Selecção Nacional. Outra coisa que mexia comigo eram os horários. Os senhores treinavam duas horas de manhã e pronto, estava feito o dia. No início das temporadas, havia treinos bi-diários, mas mesmo isso ocupava-lhes quatro ou cinco horas diárias, o horário de um part-time. Ah, e duas vezes por semana o "treino" era "banhos e massagens".
Claro que haverá uns mais profissionais do que outros, uns mais aplicados, outros que lutam para ser melhores, mas, parece-me, a relação vencimento/esforço/dedicação é bastante desequilibrada.

Os adeptos e dirigentes do Benfica fariam muito melhor figura se, em vez de virem atirar areia para os olhos das pessoas, culpando a arbitragem dos pontos perdidos, viessem gritar e exigir mais dos próprios jogadores, aqueles a que também eu pago o salário com as minhas quotas. É que se hoje o Benfica for beneficiado pela arbitragem e ganhar com um golo do Cardozo, amanhã só se vai falar da arte do avançado, e o erro do árbitro passará a uma circunstância do jogo.

Os três grandes deviam ter mais pruridos em falar de arbitragem. Algumas vezes são prejudicados, mas muitas mais são aquelas em que são beneficiados. E, no final, feitas as contas, vai tudo dar ao mesmo: o campeão é sempre o que jogou melhor à bola.

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publicado às 11:00

27
Set12

Vamos encontrar a Diana?

por O Arrumadinho
Ontem à noite vi na TVI uma reportagem muito engraçada sobre um rapaz, o Ricardo Soares, que conheceu a que diz ser "a mulher da vida" no sábado dia 15 de Setembro, no Bairro Alto.
A história podia morrer aqui, mas tornou-se cinematográfica ao final dessa noite.
Basicamente, eles trocaram olhares, mas não palavras. Até que ao fim de algum tempo ela saiu de perto do grupo onde estava e começou a subir uma rua do Bairro. Ele acompanhou-a com os olhos. Ela parou, virou-se para trás e disse-lhe qualquer coisa como "vem atrás de mim". E ele foi.
Passaram a noite num banco do jardim do Príncipe Real a conversar. Ela chama-se Diana, é francesa e está de férias em Lisboa até dia 14 de Outubro. E foi tudo o que ela lhe disse sobre ela. No final da noite, e com ele completamente encantado, a rapariga despediu-se e disse-lhe que não lhe daria o número de telefone, nem o contacto de facebook, nem a morada onde estava hospedada, desafiando-o a descobri-la, caso tenha ficado realmente interessado nela.
O rapaz iniciou então uma campanha chamada "À Procura de Diana". Já tem uma página no Facebook (podem ver aqui) e ele colou centenas de papéis pela cidade, cartazes, bandeiras, faixas, tudo para chamar à atenção dela ou de alguém que a possa conhecer (a rapariga tem imensos amigos portugueses, por isso é natural que algum veja estes cartazes e lhe diga que o rapaz está à procura dela).

Achei a reportagem ternurenta, admiro a determinação do rapaz, desejo-lhe muita sorte e deixo aqui um apelo: se alguém conhece a Diana, avise-me, que podemos tratar do reencontro.

Na página do Facebook do Arrumadinho (está aqui) deixo o link com a reportagem da TVI.

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publicado às 16:27

27
Set12

Os treinos, a meia e a lontra

por O Arrumadinho
Em Janeiro deste ano estabeleci como objectivo para 2012 correr mais de 1000 km, o que não me parecia particularmente difícil tendo em conta que em Maio iria fazer uma maratona (a minha primeira) e isso implicaria muitas e muitas horas de treino, muitos e muitos quilómetros nas pernas. Ontem alcancei esse objectivo. O meu contador de quilómetros marcava 600 em Janeiro e ontem chegou aos 1600.
Até à maratona, portei-me muito bem, mantive ritmos de treino elevados, quatro, cinco, por vezes seis por semana, mas depois da corrida relaxei. O mês de Junho ainda foi bom e até meados de Julho consegui treinar duas a três vezes por semana. Depois veio o Verão a sério, as férias, o romance, e perdi-me. Durante o mês de Agosto fiz duas corridas e em Setembro praticamente não treinei. Voltei no fim-de-semana passado, para ver se consigo correr a meia-maratona de domingo, a que parte da ponte Vasco da Gama e termina na Expo.
Desta vez vou sem ambições de marcas, e com o único objectivo de terminar. Acho que o orgulho próprio me vai levar aos limites e não me deixará terminar com um tempo superior a 1h50. Vamos ver.

Pelo meio, consegui inscrever a lontra da esposa, que ainda tem mexido menos o rabo do que eu. Mas ela só fará a mini, que são uns 5 km. Vamos ver se eu não faço os 20 mais depressa do que ela faz os cinco. 

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publicado às 13:09

Como não podia deixar de ser, nos últimos dias um dos temas mais comuns nas conversas de quase toda a gente é a Casa dos Segredos. Uns porque vêem e vibram com aquilo, outros porque se revoltam com este tipo de programas e embirram com os que sabem tudo o que se passa na "casa". Uma das coisas que tenho ouvido é que a TVI (não será a TVI, mas a produtora do programa) conseguiu superar-se e encontrar um grupo melhor do que o anterior, o que parecia impossível (sim, Fannys e Susanas XXL não há por aí aos molhos). Mas, sinceramente, não acho que o casting para este programa tenha sido o melhor. Tenho a certeza de que vai ser o reality show com mais intrigas, mais polémicas, mais cortes na casaca uns dos outros e até acho que é provável que haja pancadaria e sexo lá dentro, mas, ainda que isso faça do programa um sucesso de audiências tira-lhe um parte importante: a genuinidade.

Vi a primeira gala e, depois disso, umas quatro ou cinco emissões, entre galas e aqueles diários da meia-noite, que fazem uma espécie de apanhado do dia. É o suficiente para já ter percebido quase tudo o que se passa ali dentro, e para ter tirado a pinta à maior parte dos concorrentes.
Para mim, este casting é mais fraco por uma razão: praticamente não há concorrentes genuínos, ingénuos, boas pessoas, que estão ali para ser como são cá fora, tudo ali é fabricado, pensado, tudo é jogo, estratégia, falsidade, e isso faz daquelas pessoas actores e não pessoas comuns que entram num programa de televisão. E isto acontece desde o primeiro dia. Todos os que lá estão dentro viram as edições anteriores do programa e acham que dominam perfeitamente o jogo. Sabem como funcionam as nomeações, as pistas dentro da casa, andam sempre de olho uns nos outros para tentar sacar segredos, e eu acho que isso só castiga o programa, porque lhe retira a tal genuinidade de que ele precisa, que lhe dá graça. Olhe-se para os reality shows anteriores, ou até para a edição anterior da Casa dos Segredos, e veja-se quem é que nos fazia rir: era a Cátia, por ser pura e excessivamente "distraída", eram a Fanny e o senhor Fernando, porque ali dentro eram genuínos (sim, o senhor Fernando era praticamente um concorrente), era o Telmo do primeiro Big Brother com aquele seu jeito de brutamontes descontrolado.

Comportamentos como os do Bruno, do Arnaldo, do Wilson ou do Rui nesta edição são perniciosos. Eles estão ali unicamente para jogar, e dispostos a tudo pelo jogo, indiferentes à imagem que passam cá para fora. Não sei, sinceramente, se eles acham que os 50 mil euros que poderão ganhar de prémio final lhes vão durar a vida inteira, e estão dispostos a revelarem-se umas cobras venenosas, egoístas e mau-carácteres unicamente pelo dinheiro, mas parece-me que sim. Mas o mais engraçado é que aqueles que acham que sabem jogar, os tais reis da estratégia, foram os primeiros a ser nomeados, o que só vem mostrar que, afinal, são os piores jogadores. O que eles parece que não perceberam de todos os programas anteriores, é que os bons jogadores são as pessoas mais verdadeiras, os bons jogadores são as boas pessoas, são os honestos, muitas vezes os totós, que podem não fazer muita coisa lá dentro, mas só pelo facto de não passarem o tempo a tentar tramar este e aquele já lhes vale não serem nomeados.

O Rui, o Willson, o Nuno ou o Arnaldo vão acabar por sair a achar que são os melhores jogadores do mundo, e que só foram corridos porque eram "uma ameaça", porque eram "concorrentes muito fortes", e nunca vão perceber que não, que saíram porque revelaram um carácter que não convenceu quem está lá dentro (e os nomeou) e cá fora (os que votaram para que fossem expulsos).

Entretanto, e ao contrário, por exemplo, da edição anterior, o programa vai-se desenrolando com as tais cenas de tensão, de guerras, tricas, intrigas, brigas, e nós, cá fora, ainda que continuemos a ir vendo aquilo, vamos perdendo o interesse, porque a grande mais-valia de um reality show destes é fazer-nos rir. E eu - e aqui falo por mim - não gosto muito de me rir de filhas-da-putice, sacanices e gente que passa a vida a tentar lixar o próximo. 

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publicado às 10:13

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