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30
Abr13

Comentadores e narradores

por O Arrumadinho
Gostava que alguém tivesse paciência para rever um jogo de futebol narrado pelo Fernando Correia, da TVI, e fizesse o levantamento do número de vezes em que ele se engana no nome dos jogadores. É vergonhoso, uma falta de respeito para com os telespectadores que gostam e percebem um pouco de futebol. Confunde jogadores pretos com brancos, louros com morenos, o Ronaldo com o Coentrão, uma desgraça. E não é uma vez, é sempre. Cada jogo na TVI é um suplício para quem vê. O Dani, mesmo sendo um comentador fraquinho, consegue parecer bom ao lado daquele narrador.

O rei dos maus comentadores é o senhor que esteve ontem na Sport TV no jogo Marítimo-Benfica, um tal de Carlos Diniz: limitou-se, o tempo todo, a descrever o que estávamos a ver na televisão ou a repetir o que o narrador do jogo lhe dizia, mas por outras palavras. Os diálogos eram qualquer coisa do género:

Rui Rocha - Carlos Diniz, o Benfica está a ter dificuldades nesta fase do jogo.
Carlos Diniz - Sim... por esta altura o Benfica está a ter problemas em suster o Marítimo.
Rui Rocha - Excelente jogo do Garay. É um central de muita classe.
Carlos Diniz - O Garay está a fazer um óptimo jogo. É um defesa de muita qualidade.
Rui Rocha - Carlos Diniz, foi uma bela oportunidade para o Benfica.
Carlos Diniz - Sim, o Matic entrou pela esquerda, foi à linha, centrou para trás e o Lima rematou à trave.

OBRIGADO, CARLOS DINIZ, ISSO TAMBÉM EU ACABEI DE VER.


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publicado às 21:29

30
Abr13

Os nossos limites

por O Arrumadinho
Uma das participações que me chegaram ontem por mail, de uma interessada em participar na Corrida Terry Fox, abordava um dos assuntos que acho mais importantes e pertinentes na nossa motivação para fazer seja o que for, e que encaixa naquilo que defendo e de que já falei várias vezes aqui no blogue: a determinação, o saber olhar para dentro, a procura dos nossos próprios limites.


Dizia a leitora que um dia decidiu cortar com a vida sedentária e começou a correr. Foi evoluindo até chegar a fazer 10 km. Até que umas dores a começaram a incomodar e decidiu parar. Ainda fez mais uma prova, mas depois desistiu. Agora, motivada pela história do Terry Fox, decidiu voltar, com ou sem dores, porque este atleta é a prova de que, de facto, conseguimos ir mais longe, basta acreditarmos, querermos, superarmos o que achamos serem os nossos limites físicos.



Há mais de 20 anos que corro com regularidade. Já passei por todo o tipo de dores e experiências, por desafios que achei inalcançáveis, por provas que me pareciam não ter fim. Lembro-me de ter terminado a minha primeira meia-maratona, em 1992 ou 1993, e ter achado que seria impossível algum dia correr uma maratona completa. Lembro-me de ter dores intensas em provas, de ter vontade de desistir várias vezes, de correr nos meus limites e, ainda assim, ter acelerado mais em busca de melhorar um tempo. Umas vezes consegui, noutras não. Mas tento sempre. Há dois anos, lembro-me de ter ido passar uns dias ao Algarve e ter decidido inscrever-me numa meia-maratona. Não treinava há algum tempo, estava fora de forma, com uns três ou quatro quilos a mais, e fui para a prova com o objectivo único de a terminar. Ao fim de uns sete ou oito quilómetros comecei a sentir dor de burro, o que raramente me acontece. O corpo pediu-me para parar, mas não lhe obedeci. Continuei. Uns quilómetros mais à frente, senti uma pontada forte no tornozelo esquerdo, que me causava uma dor intensa por toda a perna. Tentei por tudo esquecer essa dor. E continuei. Aos 17 quilómetros senti uma quebra física grande e comecei a arrastar-me. O relógio ia já na 1h15. Lembro-me de ter pensado em parar e continuar o resto do percurso a andar. Estava para lá dos meus limites. O corpo não dava mais. Sentia as pernas bambas, gelatinosas, sem força, a respiração ofegante, dores por todo o lado. Decidi, uma última vez, contrariar tudo isso e fazer o oposto: acelerei. Corri mais depressa do que nos primeiros quilómetros, a uma média de 4'10'' por quilómetro. Fui nesse ritmo até à meta. Terminei a prova em cerca de 1h35, um tempo que não anda longe do que faço quando estou em forma (1h28/1h30). Estava arrasado, mas com um sentimento de missão cumprida, de vitória, que só entende quem corre. Esse foi, para mim, um dos maiores exemplos de que os nossos limites estão muito para lá daquilo que nós achamos. Só precisamos é de ir atrás deles, de acreditarmos, de nos superarmos.



No post anterior falei da história de Terry Fox e de como ele atravessou o Canadá de uma ponta à outra em 143 dias, correndo 5300 quilómetros, uma maratona por dia. Fê-lo com um cancro nos ossos, sem uma perna, com dores intensas e uma doença que o corroía por dentro.



Muitos de nós não corremos, não fazemos exercício, não mexemos uma palha porque somos preguiçosos, porque achamos que não aguentamos, que somos inaptos, que temos cinco quilos a mais, que temos ossos fracos, enfim, cada um inventa as suas desculpas. Quase nunca olhamos para dentro, para as nossas próprias limitações psicológicas. Culpamos tudo e todos menos a nossa inércia e preguiça.



Já recebi vários mails de leitores que me dizem que começaram a correr por lerem as coisas que escrevo no blogue sobre as provas que faço. Até poderia ter sido só um, que já teria valido a pena. Se, com este texto, conseguir desviar outra para o caminho das corridas, do exercício, então, ganho o dia.



Nada melhor do que começar já, e com esta causa nobre, a luta para a ajuda na luta contra o cancro. Sábado de manhã, no Parque das Nações. São 4 km, para fazer a andar ou a correr. 

Quem se quiser juntar a mim já sabe, é só enviar-me um mail. Iremos todos juntos. Podem levar maridos, mulheres, filhos, cães, o que quiserem. O que importa é que saiam de casa e que se mexam.

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publicado às 15:14

Lembro-me de que devia ter uns 10 anos quando fiquei a conhecer a história do Terry Fox. Foi através de um filme, o "Terry Fox Story", com o Robert Duvall. Fiquei impressionado com a força daquele miúdo de 20 anos que lutou contra um cancro, que perdeu uma perna, e que começou uma corrida da costa atlântica até à pacífica do Canadá para angariar fundos para a luta contra o cancro.


Terry Fox é, ainda hoje, uma referência para toda a gente que corre. Aos 22 anos, quando iniciou a "Maratona da Esperança", de mais de 5 mil quilómetros, tinha apenas uma perna e a doença alastrava já a vários ossos do corpo, causando-lhe dores penosas. Ainda assim, Terry correu todos os dias uma média de 42 quilómetros. Pelo caminho, era aplaudido por milhares de pessoas que se juntavam a uma causa que comoveu o Canadá, os Estados Unidos e o mundo inteiro. Nunca uma iniciativa de um homem só havia contribuído tanto para dar visibilidade a uma doença que mata milhões de pessoas no mundo inteiro. Terry Fox não chegou a terminar a sua corrida. A doença passou-lhe para os pulmões e impediu-o de correr mais. Andou na estrada durante 143 dias. Fez 5.300 quilómetros. Angariou mais de 300 milhões de dólares para ajuda na investigação da cura do cancro. Foi considerado o cidadão canadiano mais importante do século XX e a segunda maior figura da história do País. Morreu poucos meses depois de ter corrido a sua "Maratona da Esperança".



A luta de Terry Fox começou com ele e prosseguiu com a Fundação, com o nome do atleta, que é, ainda hoje, uma das mais importantes associações de angariação de fundos para a investigação do cancro. Uma das formas de o fazerem é promovendo corridas por todo o mundo, com o nome do atleta. Em Portugal, a prova é já no próximo sábado, às 11h, no Parque das Nações.



E é aqui que entram os leitores deste blogue. Desafiei a Fundação a inscrever uma equipa de leitores que se vão juntar por esta causa. A corrida é de apenas 4 quilómetros, totalmente planos, e é, mais do que uma prova, um convívio e uma forma de dar visibilidade a esta causa. Eu irei, com a minha mulher e o meu filho, e quero levar mais 7 leitores, numa espécie de equipa O Arrumadinho. O que peço aos interessados é que me enviem um mail (coloquem no subject: TF) para oarrumadinho@gmail.com e me expliquem, resumidamente, porque se querem juntar a mim nesta causa. Eu escolherei sete pessoas, mas desafio todas as outras interessadas a encontrarem-se connosco, no dia da corrida, para a fazermos juntos. Apesar de estar habituado a grandes distâncias, e velocidades elevadas, desta vez irei fazer o percurso a caminhar, por isso, ninguém fica excluído.



No cartaz abaixo encontra-se o NIB para quem quiser ajudar esta causa e a Liga Portuguesa Contra o Cancro.











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publicado às 13:14

29
Abr13

Notas de fim-de-semana

por O Arrumadinho
Coisas a reter de um fim-de-semana longo (sim, para mim foi de quatro dias).

- Só agora consegui ver O Hobbit e gostei mais do que estava à espera. Não chega, sequer, perto de qualquer um dos três filmes da trilogia do Senhor dos Anéis, mas não é um mau filme, e quem gostou da saga é provável que também goste de O Hobbit. Ajudou o facto de ter as expectativas muito em baixo.

- A exposição da Joana Vasconcelos é engraçada, mas o que mais prazer me deu ver foi a fila interminável de gente para entrar. Numa altura em que parece que está na moda deitar abaixo todos os portugueses que se destacam, seja em que área for, é de louvar que a nossa artista plástica contemporânea mais reconhecida internacionalmente consiga atrair milhares de pessoas a uma exposição em Lisboa (e consegue-o quase desde o primeiro dia em que a exposição abriu). Recordo que cada bilhete custa 10 euros, e, na actual conjuntura, não seria expectável uma corrida tão grande a uma exposição.
As peças são do melhor, mas achei que poderia haver menos peças de porcelana com rendas e mais diferenciadas.

- Ao terceiro jogo da Media Cup, a minha equipa, a Sábado/Jornal de Negócios, perdeu. Enfrentámos os actuais tri-campeões, o Expresso/Visão, e levámos 6-2. Ainda assim, conseguimos manter o jogo equilibrado até ao intervalo, quando perdíamos por 3-2. A derrota era mais do que esperada, e o objectivo de terminar nos 3 primeiros (e chegar à fase final) mantém-se intacto.

- Os croissants do Careca continuam divinais (será que vai começar aqui uma discussão com a do pastel de nata?).

- O meu Vitória de Setúbal aguentou-se muito bem no Dragão. Depois de o Vítor Pereira ter andado a semana toda a chorar a arbitragem do Benfica-Sporting, o árbitro não assinalou penálti em nenhuma das duas mãos de jogadores do FC Porto dentro da área. Confirma-se o que disse depois do dérbi: a hipocrisia do futebol sobrepõe-se à coerência. Desta vez, nem uma palavra sobre a dualidade de critérios do árbitro. É a prova de que nos devemos calar quando os árbitros erram, porque, uma semana depois, os beneficiados somos nós. O FC Porto fez um belo jogo, paciente, consistente, e mereceu ganhar.

- O passeio da Ribeira das Naus, em Lisboa, agora recuperado, precisa de qualquer coisa. O Quiosque do Sea Me já é qualquer coisa (faltam-lhe só chapéus de sol), mas é essencial que haja mais esplanadas, mais sítios para parar a apreciar a paisagem e a aproveitar o sol.


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publicado às 11:29

No fim-de-semana, consegui arrastar a minha mulher para um jogo meu. Era a segunda jornada do torneio de futebol Media Cup, entre vários órgãos de comunicação social. Na primeira jornada, a equipa da Sábado/Jornal de Negócio, onde jogo, derrotou a Agência Lusa por 5-4, o que foi um feito heróico, já que eu achava que iríamos perder todos os jogos. Confiante, lá desafiei a minha mulher para ir ver o jogo da segunda jornada, contra o jornal A Bola, um dos favoritos à vitória no torneio.

Ela foi para a bancada, eu fui para dentro de campo. 
Ao intervalo, com o resultado em 0-0 (um orgulho), fui ter com ela.

- Então, o que é que estás a achar?
- Vocês jogam muito pouco.
- Sim, estamos a defender mais. Eles são mais fortes, temos de tentar adiar o mais possível um golo deles.
- Ah...

Recomeçou a segunda parte.
Logo no primeiro minuto, A Bola fez 1-0. Aguentámos bem o resultado e a 10 minutos do fim, sofri uma falta dentro da área, que nos valeu um penálti. O nosso avançado (o grande Jorge) pediu-me para ser ele a marcar, e eu deixei, claro. Ele fez golo. 1-1. Alguns colegas vieram cumprimentar-me, já que tinha sido eu a sofrer falta.
O jogo acabou. 1-1. Resultado histórico. Alegria entre a nossa equipa, os homens de A Bola saíram cabisbaixos. Fui novamente ter com a minha mulher.

- Então, gostaste?
- Sim... lá marcaste um golinho.
- Hummm... não. Um golinho?
- Não marcaste?
- Não. Sofri o penálti que deu o golo.
- Ai houve um penálti?

Uma pessoa leva-as à bola, faz história, e elas estão na conversa e a olhar para o lado.

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publicado às 19:24

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