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30
Jun13

Tempos

por O Arrumadinho
Depois de uma semana sem fazer rigorosamente nada - não me lembro de umas férias assim - eis que estou de volta a Lisboa e ao trabalho. Foi só uma semaninha mas o suficiente para ganhar forças para o que aí vem, e o que aí vem requer forças. Faltam sensivelmente seis semanas para nascer o Mateus e, desta vez, optei por ser eu a tirar a licença de paternidade, para poder acompanhar de perto e participar em tudo o que puder ao longo dos primeiros cinco meses do nascimento do meu segundo filho. Infelizmente, quando nasceu o meu primeiro filho, não tive possibilidades de fazer o mesmo, não só porque a legislação era diferente, como as circunstâncias do meu trabalho também não o permitiam.

Por ser um segundo filho, não posso dizer que esteja às cegas quanto ao que vou enfrentar. Sempre fiz questão de participar em tudo na educação do meu primeiro filho, por isso, desde que ele nasceu que me habituei a fazer tudo: dar banhos, mudar fraldas, vestir, fazer biberons, papas, sopas, livrá-lo das cólicas, adormecê-lo e tudo o mais. À medida que ele foi crescendo fui tomando consciência de que os primeiros tempos são, efectivamente, os mais fáceis. Parecem-nos muito complicados e duros porque os estamos a viver pela primeira vez mas, depois, quando chegamos a outras fases, em que eles são mais matreiros, mais exigentes, mais absorventes, percebemos o quão simples era a nossa vida quando ele estava paradinho num berço e só era preciso mudar-lhe fraldas, dar-lhe banho, alimentá-lo e dar-lhe miminhos.

Por enquanto, tenho mais seis semanas para aproveitar. Quatro delas serão de trabalho, duas de descanso e preparativos finais para o nascimento do Mateus. Estou naquela em que, por um lado, quero muito aproveitar este tempinho que me resta, mas, por outros, estou ansioso pelo nascimento.
É deixar o tempo ir passando. Afinal, tem corrido desde que soube a notícia.

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publicado às 18:36

29
Jun13

Depois de ter lido “A Última Canção da Noite”, do Francisco Camacho, li ainda “A Humilhação”, do Philip Roth. É um livro num registo muito diferente, mas com pontos em comum: também aborda a vida de um artista deprimido, neste caso um velho actor, o maior nome do teatro americano, Axler, que sente que perdeu a capacidade de interpretar. Axler, que sonha com o suicídio, refugia-se numa clínica onde tenta encontrar equilíbrio e recuperar-se para a vida. É deixado pela mulher e volta a encontrar o amor e a vontade de viver ao lado de uma ex-lésbica, Peggen, quase 30 anos mais nova e que Axler conhece desde que ela nasceu. 

A relação entre eles é evolutiva e vai passar pela fase infantil e adolescente, mesmo sendo ela uma quarentona e ele um sessentão. Terão, mesmo, de enfrentar desafios como a aprovação dos pais dela (amigos de há muitos anos de Axler) ou a perseguição da ex dela, que não aceita que ela a tenha trocado por um homem, para mais bastante mais velho. Há toda uma parte fantasiosa e sexual que os levam a novas fronteiras entre a homo e a heterossexualidade.

É um livro muito curto (124 páginas) e lê-se de uma tirada. A linguagem é a de Roth, elegante mas simples.

Philip Roth, um dos mais respeitados romancistas americanos, deixou de fora deste livro a tradicional questão judaica, tão presente em muitas das suas obras. E ainda bem. É um bom livro para entrar na obra de Roth - isto para quem nunca leu nada dele. O meu favorito dele é "O Complexo de Portnoy".

Fica aqui mais uma sugestão de férias.


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publicado às 15:43

29
Jun13

Fim de festa

por O Arrumadinho

E eis que assim de repente cheguei ao último dia de férias. Quer dizer, ainda tenho o fim-de-semana, mas isso não conta. Uma semaninha. Soube a quase nada, mas deu para descansar, para ler, ver uns filmes e dar uns passeios na praia. Acho que nunca tinha tirado férias em Junho para vir até ao Algarve, mas gostei. Muito menos gente nas praias, menos trânsito, mais estacionamento, menos filas em todo o lado. Ajudou esta semana de calor que, como as coisas andam, não é seguro que se mantenha no mês de Julho.

Vamos lá então aproveitar o último diazinho.

Depois, é voltar a Lisboa. Mas por pouco tempo. É que segunda-feita o trabalho é feito no terreno, e o terreno é o Alentejo. 

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publicado às 09:35

27
Jun13

Viver Bem #2

por O Arrumadinho
Já está disponível mais uma crónica minha na revista VIVER BEM, que trata de assuntos que têm tudo a ver comigo: bem-estar, saúde, exercício, dietas, boa vida.

Se quiserem ler, é só ir aqui. Aconselho também a que sigam a VIVER BEM pelo Facebook. É só ir aqui e fazer um like. É da maneira que vão recebendo o feed do que de melhor vai sendo publicado na revista.
Espero que gostem.

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publicado às 19:50


O segundo romance do Francisco Camacho, “A Última Canção da Noite”, é um dos melhores livros que li este ano. Saiu há pouco mais de uma semana, mas bastou-me um dia e meio de praia para o ler. É daqueles livros que têm tudo para me agarrar: uma história de amor adulta, nada piegas, personagens fortes e carismáticas, e mundo. É um livro cheio de mundo.

“A Última Canção da Noite” é a história de Jack Novak e David Almodôvar. Jack é a estrela rock do momento, um guitarrista com o talento de Jimmy Hendrix ou Eric Clapton, a alma da grande banda rock da actualidade, os Bitters. Jack é também uma alma atormentada pela fama, que só deseja voltar a ser um homem comum, e que um dia resolve partir, desaparecer. 
David é um criativo que se diverte a fazer crítica de música e que perde a credibilidade, o emprego e o ânimo quando é acusado, injustamente, de plágio. É seguido por uma psicóloga que nunca aparece e apenas se manifesta por frases soltas, mas nem assim consegue ser um namorado decente, o que o leva a ser deixado pela mulher que ama mas que ele não sabe amar, Vera. Ele é, também, um dos maiores fãs dos Bitters e um dos poucos críticos que souberam entender o interior de Jack.

O destino dos dois junta-se quando Jack Novak, desaparecido há três anos, vem para Portugal, onde passou grande parte da infância, e o único sítio onde foi verdadeiramente feliz. Jack quer contar a sua história, a história do seu desaparecimento, empurrado por uma notícia que lhe mudou a forma de ver a vida. David é o escolhido para o ouvir. Só aceita fazê-lo com uma condição: se Jack o acompanhar numa viagem a Marrocos, onde vai ter encontrar Vera e recuperar o seu amor.

Todo o livro é acompanhado de banda sonora. Francisco Camacho, ele próprio crítico de música, e conhecedor profundo do mundo do rock, planta por quase todos os capítulos diversos temas tão diferentes como os de Jim Sullivan, Black Keys, Smog, Pavement, Mazzy Star, Yo La Tengo ou Ramones, o que confere ao livro uma musicalidade constante. Acho, até, que numa edição de e-book o livro deveria vir acompanhado com os ficheiros de mp3 das dezenas e dezenas de temas e bandas que são referidos.

O que mais me seduziu ao longo da leitura foi todo o mundo que encontrei, e que o autor também já encontrou (o Francisco já foi director da revista “Volta ao Mundo”). O livro começa em Cluj, na Transilvânia (Roménia), passa por Berlim, Londres, La Herradura (Espanha) ou Lisboa. Há todo um enquadramento histórico da personagem de Jack que leva a acção à guerra dos Balcãs e à Croácia no início dos anos 90. Tudo relatado com delicadeza, sensibilidade, maturidade e conhecimento. 

Até as personagens secundárias são marcantes. Victor Capri é um promotor manhoso muito bem conseguido, Lola uma desequilibrada lasciva, Vera, uma amante paciente, que se despede de David numa longa carta (dos capítulos mais bonitos do livro) que resume na perfeição muitos desamores reais. Até a bailarina que Jack e David conhecem em Marrocos nos deixa com vontade de a ver dançar (para ser politicamente correcto).

Costuma dizer-se que é ao segundo romance que um autor se afirma. Se assim é o Francisco vai ser, e merece ser, um dos nossos melhores romancistas.

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<div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"><br /><div style="font: 12.0px Helvetica; margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;">O segundo romance do Francisco Camacho, “A Última Canção da Noite”, é um dos melhores livros que li este ano. Saiu há pouco mais de uma semana, mas bastou-me um dia e meio de praia para o ler. É daqueles livros que têm tudo para me agarrar: uma história de amor adulta, nada piegas, personagens fortes e carismáticas, e mundo. É um livro cheio de mundo.</span></span></div><div style="font: 12.0px Helvetica; margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; min-height: 14.0px;"><span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"></span><br /></span></div><div style="font: 12.0px Helvetica; margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;">“A Última Canção da Noite” é a história de Jack Novak e David Almodôvar. Jack é a estrela rock do momento, um guitarrista com o talento de Jimmy Hendrix ou Eric Clapton, a alma da grande banda rock da actualidade, os Bitters. Jack é também uma alma atormentada pela fama, que só deseja voltar a ser um homem comum, e que um dia resolve partir, desaparecer. </span></span></div><div style="font: 12.0px Helvetica; margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;">David é um criativo que se diverte a fazer crítica de música e que perde a credibilidade, o emprego e o ânimo quando é acusado, injustamente, de plágio. É seguido por uma psicóloga que nunca aparece e apenas se manifesta por frases soltas, mas nem assim consegue ser um namorado decente, o que o leva a ser deixado pela mulher que ama mas que ele não sabe amar, Vera. Ele é, também, um dos maiores fãs dos Bitters e um dos poucos críticos que souberam entender o interior de Jack.</span></span></div><div style="font: 12.0px Helvetica; margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; min-height: 14.0px;"><span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"></span><br /></span></div><div style="font: 12.0px Helvetica; margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;">O destino dos dois junta-se quando Jack Novak, desaparecido há três anos, vem para Portugal, onde passou grande parte da infância, e o único sítio onde foi verdadeiramente feliz. Jack quer contar a sua história, a história do seu desaparecimento, empurrado por uma notícia que lhe mudou a forma de ver a vida. David é o escolhido para o ouvir. Só aceita fazê-lo com uma condição: se Jack o acompanhar numa viagem a Marrocos, onde vai ter encontrar Vera e recuperar o seu amor.</span></span></div><div style="font: 12.0px Helvetica; margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; min-height: 14.0px;"><span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"></span><br /></span></div><div style="font: 12.0px Helvetica; margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;">Todo o livro é acompanhado de banda sonora. Francisco Camacho, ele próprio crítico de música, e conhecedor profundo do mundo do rock, planta por quase todos os capítulos diversos temas tão diferentes como os de Jim Sullivan, Black Keys, Smog, Pavement, Mazzy Star, Yo La Tengo ou Ramones, o que confere ao livro uma musicalidade constante. Acho, até, que numa edição de e-book o livro deveria vir acompanhado com os ficheiros de mp3 das dezenas e dezenas de temas e bandas que são referidos.</span></span></div><div style="font: 12.0px Helvetica; margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; min-height: 14.0px;"><span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"></span><br /></span></div><div style="font: 12.0px Helvetica; margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;">O que mais me seduziu ao longo da leitura foi todo o mundo que encontrei, e que o autor também já encontrou (o Francisco já foi director da revista “Volta ao Mundo”). O livro começa em Cluj, na Transilvânia (Roménia), passa por Berlim, Londres, La Herradura (Espanha) ou Lisboa. Há todo um enquadramento histórico da personagem de Jack que leva a acção à guerra dos Balcãs e à Croácia no início dos anos 90. Tudo relatado com delicadeza, sensibilidade, maturidade e conhecimento. </span></span></div><div style="font: 12.0px Helvetica; margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; min-height: 14.0px;"><span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"></span><br /></span></div><div style="font: 12.0px Helvetica; margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;">Até as personagens secundárias são marcantes. Victor Capri é um promotor manhoso muito bem conseguido, Lola uma desequilibrada lasciva, Vera, uma amante paciente, que se despede de David numa longa carta (dos capítulos mais bonitos do livro) que resume na perfeição muitos desamores reais. Até a bailarina que Jack e David conhecem em Marrocos nos deixa com vontade de a ver dançar (para ser politicamente correcto).</span></span></div><div style="font: 12.0px Helvetica; margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px; min-height: 14.0px;"><span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"></span><br /></span></div><div style="font: 12.0px Helvetica; margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;">Costuma dizer-se que é ao segundo romance que um autor se afirma. Se assim é o Francisco vai ser, e merece ser, um dos nossos melhores romancistas.</span></span></div><div style="font: 12.0px Helvetica; margin: 0.0px 0.0px 0.0px 0.0px;"><span style="letter-spacing: 0.0px;"><span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><br /></span></span></div><div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"><a href="http://3.bp.blogspot.com/-Mlbh-7xUiNI/UcxbwRDK1pI/AAAAAAAAELI/NF5HP_6dldU/s602/Ultima+canc%CC%A7a%CC%83o+da+noite.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"><img 0.0px="" 12.0px="" border="0" font:="" helvetica="" margin:="" src="http://3.bp.blogspot.com/-Mlbh-7xUiNI/UcxbwRDK1pI/AAAAAAAAELI/NF5HP_6dldU/s602/Ultima+canc%CC%A7a%CC%83o+da+noite.jpg" width="100% /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt; &lt;div style=" /><span style="letter-spacing: 0.0px;"><span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"><br /></span></span></a></div></div>

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