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31
Jul13
Já aqui escrevi várias vezes sobre a Comporta. Para mim, não é um destino de férias da moda, é uma parte da minha infância, já que desde que me lembro de existir que passo lá grandes temporadas. Há 30 anos, quando a minha mãe comprou um pequena casinha na Carrasqueira, a cinco quilómetros da Comporta, aquilo era um paraíso bruto, um deserto. Não havia restaurantes in, mas arrozes de marisco à antiga, que traziam gente de todo o lado, não havia praias com zonas lounge, mas areais brutos e águas limpas, não se falava com pronúncia afectada, quanto muito com a de Setúbal. Em miúdo, as minhas férias na Comporta eram a andar pelo mato com o meu avô à procura de paus para fazer fisgas, eram a jogar futebol com os miúdos da Carrasqueira, eram a jogar às escondidas ou à apanhada com os amigos que ia tendo por lá.

Foi por isso que senti de forma mais próxima as palavras infelizes da senhora Cristina Espírito Santo, que se referiu ao seu estilo de férias na Comporta como um "brincar aos pobrezinhos".

Não sei ao certo o que é que esta senhora quer dizer com "pobrezinhos", porque viemos de sítios diferentes, porque temos raízes diferentes, e, seguramente, porque as minhas férias na Comporta não são iguais às da senhora Espírito Santo. Para ela, seguramente, eu sou um dos pobrezinhos, já que quando por lá ando não tiro as havaianas e os calções de banho, ando com T-shirts velhas, mangas cavas, vou para a praia e levo cadeiras e chapéu, e só muito de vez em quando é que vou esplanadar para o Comporta Café ou para a Ilha do Arroz (que são óptimos, mas também muito caros). Bem sei que há por lá gente que vive em cabanas de luxo que custam 750 mil euros, e que se passeiam de buggys pelas dunas das extensões de areia desertas, e que têm babás para as crianças e empregadas que servem o pequeno-almoço, e provavelmente a senhora Espírito Santo é uma destas pessoas (nada contra, se ela pode, faça favor), mas agora o que não entendo é quando ela diz que ali brinca aos pobrezinhos. Mas porquê? Porque a casa é uma cabana? Na teoria até podia entender, mas basta entrar numa dessas cabanas, com os seus LCD na parede e as decorações à casa colonial africana para se perceber que aquele luxo nada tem a ver com os pobrezinhos.

Numa coisa ela tem razão: o rabinho da senhora Espírito Santo é tão apetecível para levar uma ferroada de um mosquito como o meu ou o do senhor Almerindo que vive à minha frente. Para a mosquitagem, sim, somos todos iguais. Mas o que vejo, quando lá estou, é que há pobrezinhos, como eu, que levam a trouxa toda para a praia, e os pobrezinhos de espírito, como esta senhora, que não vêem na Comporta um destino de férias, mas mais um local onde parece bem ser visto, e que acha tão in ir para a Comporta que até se sujeita a ser devorada pelas melgas.

Pobres melgas.

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publicado às 13:36

30
Jul13

Cenas pretas nos dentes

por O Arrumadinho
Porque é que as mulheres nos atiram pedras de cada vez que descobrem que têm uma coisa preta nos dentes (e nós tínhamos obrigação de ter reparado, e somos uns pulhas porque não as avisámos), mas quando é ao contrário, quando somos nós a ter todos os dentes da frente carregados de canela, e passamos uma tarde inteira nesta figura, elas não aceitam que as confrontemos, e não conseguem parar de rir?
Pergunto isto de forma absolutamente hipotética, não que se tenha passado comigo.

Para reflectir.

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publicado às 20:26

29
Jul13
Quando se vê televisão, e quando se tem em casa uma mulher que se pela para dar umas gargalhadas a ver trash tv, tem de se falar da dose dupla de ontem, com o programa das danças da Cristina Ferreira e as cantorias com nojeiras à mistura do César Mourão e da Andreia Rodrigues.
Depois de jantar, aterrámos no sofá e lá fomos saltando de um canal para o outro, a ver qual é que nos prendia mais. E ganhou, como é óbvio, o "Cante Se Puder". Enquanto ia vendo o programa ia espreitando as redes sociais para ver o que se ia dizendo. Como é óbvio, nada de bom. Mas eu gosto de olhar para o outro lado das coisas, e não apenas para o óbvio.

Em primeiro lugar, uma palavra para os apresentadores. Acho que SIC e TVI colocaram frente a frente o melhor que têm, neste momento. Cristina Ferreira é uma das melhores comunicadoras da televisão portuguesa, que sabe chegar às pessoas naquele seu jeito de amiga divertida e trapalhona, sempre bem-disposta, num estilo de netinha que adora pregar partidas às avós. Não conheço a Cristina, por isso não faço ideia se aquilo é personagem ou se ela é mesmo assim, o que sei é que funciona (mesmo quando a vestem de pavão e lhe espetam com um carrapito na cabeça - o que era aquilo, meu Deus?).

Do outro lado, a SIC respondeu com a dupla com melhor dinâmica da televisão portuguesa. A SIC já testou várias duplas - desde a Carolina Patrocínio com o Pedro Miguel Ramos (no "Tá a Gravar"), ao Manzarra e a Cláudia Vieira, no "Ídolos", passando pela Bárbara com o Figueiras ("Olé") - e nenhuma funcionou como esta. Há muito tempo que digo que o César Mourão é um talento nato, um miúdo com um sentido de humor natural, mas que sabe o que funciona e não funciona em televisão, que percebe o tipo de humor que é preciso fazer para se chegar às pessoas sem se ser ofensivo ou brejeiro. A Andreia Rodrigues complementa-o perfeitamente, sabe ser o alvo das brincadeiras, sabe usar a sua sensualidade, escolhe muito bem o que veste (ontem estava maravilhosa naquele vestido prateado), e consegue esconder uma ou outra limitação com a química evidente que tem com o César Mourão (a Cláudia Vieira, por exemplo, não o conseguia com o Manzarra - sendo que o Manzarra também não tem o talento do Mourão).
A dupla funciona na perfeição no "Gosto Disto!" (o meu filho é viciado e, claro, passa o dia a dizer "esbardalhar"), e foi muito bem promovida para este "Cante se Puder".

Bom, mas vamos lá falar das cantorias com nojeira à mistura. A primeira coisa que me apeteceu dizer quando vi aquela senhora a cantar o "É o Bicho, é o bicho" com o cabelo coberto de baratas e lesmas e mais sei lá o quê foi "Isto tocar no fundo da dignidade humana". E é um bocadinho. A televisão deixou de ter regras. Vale tudo. Foi mais ou menos isto que li, também, nas redes sociais. Mas depois é preciso parar para pensar nas tais regras. A regra número 1 da programação televisiva é o entretenimento. E o "Cante se Puder" é, sobretudo, entretenimento puro. À custa da estupidez dos outros, sim, de alguma decadência, também, mas programas como aqueles não servem para nos tornar culturalmente mais ricos, nem para fazer de nós pessoas mais evoluídas, servem para nos fazer rir, passar um bom bocado, desanuviar de dias maus, para esquecer problemas. Servem também para nos obrigar a parar uns minutos, congelam-nos o canal, porque é impossível mudar quando se vê uma pessoa cheia de baratas na cabeça, por mais estúpido que isso possa parecer.
As audiências mostram isso mesmo: o "Cante Se Puder" ganhou, e ganhou bem. Soube surpreender, e nos dias que correm, em que tudo parece estar ao nosso alcance, em que nada parece estar por inventar, ganha quem sabe surpreender, por muito que nos custe.

Já aqui escrevi sobre a discussão do papel educativo da televisão, e de como a trash tv pode influenciar-nos negativamente. Não concordo com isso. Acho que não há mal nenhum em ver-se um programa destes ou um reality show, porque não é por isso que vamos ficar estúpidos, não é por isso que nos vão morrer neurónios. Acho que se dermos umas gargalhadas a ver uma coisa pateta só ganhamos com isso, porque rir faz bem. Agora, o problema está em só se ver coisas deste género. E aí, é um trabalho que cada um tem de fazer por si. A culpa de se ver má televisão é de quem a vê, e não dos canais que a emitem. Hoje em dia, com o cabo, há 250 opções em simultâneo, por isso, se alguém não gostar do que está a dar num canal, é simples, muda para outro.    

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publicado às 23:06

29
Jul13
Isto de passar muito tempo em casa leva-nos a consumir muito mais televisão do que habitualmente, o que até é bom, porque eu gosto muito de ver televisão, de perceber o que está a funcionar ou não, e o que, em geral, se vai fazendo de produção nacional nos cada vez mais canais portugueses - CMTV, A Bola TV, Benfica TV, Económico TV, Canal Q, para lá dos canais temáticos da RTP, SIC e TVI. E já se vai vendo coisas muito interessantes (e outras bastante más, evidentemente).

A que mais me tem surpreendido é a CMTV, sobretudo na área da informação. É importante dizer que sou parte interessada, e que a minha opinião pode estar um bocadinho viciada, já que sou funcionário da Cofina, vizinho de trabalho da CMTV e muitos dos que fazem o canal cruzam-se comigo diariamente no elevador. Mas até por isso o nível de exigência é maior. O canal começou como quase todos começam, com problemas técnicos, acertos que tiveram de ser feitos já com emissões em directo, gente que teve de ir sendo formada ao mesmo tempo que ia para o ar, mas na actual conjuntura não me parece possível que se esteja durante anos a afinar tudo fora de antena, para só se arrancar quando estiver tudo a 100 por cento - isso não existe. Os acertos vão-se fazendo aos poucos e as coisas vão correndo cada vez melhor.

Confesso que tenho estado particularmente atento à informação, e procuro cruzar os diversos canais - sobretudo a SIC Notícias, TVI 24 e RTP Informação - em simultâneo para ver o alinhamento escolhido, para analisar qualidades de directos, para perceber se a CMTV está alinhada com os outros, em vantagem ou desvantagem. E estou surpreendido com a rapidez com que o canal tem conseguido chegar aos acontecimentos, muitas vezes bastante primeiro que os outros. Sabendo eu das dificuldades de meios técnicos que existem, precisamente porque o canal ainda está a começar, ainda se está a equipar, ainda está a consolidar equipa e meios, mais surpreendido fico pela agilidade dos repórteres da CMTV. Depois, há o outro lado, o da inexperiência que alguns ainda revelam, das dificuldades de transição do papel para a televisão, que se nota, sobretudo, nos directos. Mas isso vai-se afinando com o tempo. No essencial, o canal está a cumprir e a superar metas todos os dias. Até em audiências. Na passada sexta-feira (só por acaso, no dia em que eu participo como comentador no programa "Despertar" - coincidência, hã), a CMTV bateu pela primeira vez a SIC Notícias no share diário, o que demonstra que o caminho escolhido é o correcto. Estamos a falar de um canal que é ainda exclusivo MEO, que se bate com todos os outros que estão nas mais variadas plataformas de cabo. Por isso, a todos os profissionais da CMTV, os meus parabéns.

Mas não posso falar de TV sem abordar a noite de ontem, não é? As cantorias nojentas vs as danças pavoneantes. É já a seguir, noutro post.

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publicado às 22:41

29
Jul13

Os cabos

por O Arrumadinho
Sou uma pessoa que gosta de cabos. Gosto, pronto. USB, HDMI, video componentes, RGB, scarts, VGA, há de tudo cá em casa, e em enormes quantidades. Como é óbvio, a minha mulher não entende esta paixão, nem sequer a necessidade de termos um saco do IKEA daqueles azuis, enormes, cheio de cabos, "só a ocupar espaço" na despensa, diz ela. Mulheres.

Ao longo dos últimos anos, tenho vindo a acumular cabos, transformadores, fios eléctricos, carregadores, extensões, porque sei que mais dia menos dia irei precisar de alguns deles. Ela diz sempre que não, que é tudo um disparate e que aquele "amontoado de fios" não serve para nada.

Nos últimos tempos, como temos passado praticamente 24 horas por dia em casa, tenho-me dedicado a cenas de bricolage. Pendurar aqueles dois candeeiros que estão à espera de ser montados desde o dia em que nos mudámos, arranjar o candeeiro do escritório que não dá luz há um mês sem que ela perceba porquê (porque a lâmpada está boa), pendurar quadros, molduras e fotografias, arrumar o quarto que vai servindo de arrecadação das tralhas do Mateus, etc. E a verdade é que nos últimos cinco ou seis dias já tive de ir ao meu saco dos cabos umas quantas vezes. E sempre que lá fui encontrei o que queria. Desapareceu o cabo que liga a impressora ao computador, não faz mal, eu tenho outro. Não se sabe do cabo que liga o disco externo à corrente, não há problema, encontra-se outro no saco. Falta um cabo com cinco metros para levar o Meo para a televisão da cozinha, oh, até podia faltar um cabo de 10 metros que eu arranjava. A necessidade de ir buscar cabos tem sido tal que, anteontem, passei umas duas horas a enrolar os cabos, um a um, e a prendê-los com um arame, para ficarem todos direitinhos. O sacão do IKEA deu lugar a uma caixa de cartão, toda bonita, cheia de cabos até cima, todos enroladinhos, uma perfeição.

Cá está uma daquelas manias que as mulheres nunca irão entender. E, por favor, deixem os vossos homens com os seus cabos em paz. Nós sabemos o que estamos a fazer.


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publicado às 11:23

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