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30
Nov13

A Feira

por O Arrumadinho

Hoje, talvez 20 anos depois, voltei à feira popular de Lisboa. Não a fazia tão grande, seguramente não me lembro dela tão animada. Mas fiquei feliz, não só pela alegria de milhares de crianças que por ali andavam, mas sobretudo pela cidade, que voltou a ter um espaço que nunca deveria ter perdido, nem que fosse sazonalmente.

 

Quando decidimos que iríamos passar pela feira, imaginei um passeio tranquilo, num recanto um pouco decadente, com animações vazias e animadores a debitar aquelas frases sempre iguais há 30 anos. Vi-nos a comer um pão com chouriço e uma fartura, a andar na roda gigante, e projectei a imagem do meu filho mais velho a andar sozinho nos carrinhos de choque sem ninguém contra quem chocar. Percebi que estava enganado assim que nos começámos a aproximar da Av. 5 de Outubro, onde o trânsito estava parado. Depois, o caos para estacionar. 

Lá nos safámos. Chegámos à feira e nem queria acreditar: milhares de pessoas, filas gigantescas para tudo e mais alguma coisa. Só a das farturas devia ter uns 150 metros, sem exagero. A minha vontade imediata foi de ir embora e voltar noutro dia, mas quando se tem um puto pela mão que só fala daquele momento há duas horas fazer-lhe isso seria quase um crime. Aguentei-me. Já a minha mulher, não teve outro remédio que não dar meia-volta, até porque o chão, quase todo em gravilha, tornava impossível empurrar o carrinho do bebé (quem tiver bebés, já sabe, não vale a pena levar o carrinho). Fiquei eu e o miúdo.

Começámos pela casa do terror, ou lá o que é aquilo. Não mete medo nenhum, mas a verdade é que logo no primeiro spot havia três criancinhas aí de 4 ou 5 anos a chorar baba e ranho e a bater o pé, insistindo com uma mãe desesperada que não avançavam mais. Lá percorremos os corredores a ouvir gritinho tipo "Uahahahahahaha", com o chão a tremer, uns jactos de ar, nada de jeito. Mas pronto, o puto gostou.

 

Mais 20 minutos numa fila e conseguimos fichas para o Chicote, que é um daqueles ovos que andam à volta. Até foi engraçado, e consegui fazer um vídeo com as caretas do miúdo, que ficou divertido. O mais stressante foram os carros de choque para crianças. Stressante, sobretudo, por culpa dos pais. Compram-se as fichas e depois é guerra aberta a ver quem consegue apanhar um carro. Claro que os miúdos andam ali à nora, tipo jogo da cadeira, e muitos acabam sem carro, então, os paizinhos resolvem agir por eles, e o que acontece é que assim que termina uma viagem saltam uns 20 pais em fúria a tentar arrancar de lá os filhos dos outros para conseguirem um lugar para o deles. É um bocadinho decadente, mas pronto. Eu optei por deixá-lo por conta dele, para se desenrascar. Ficou de fora uma vez, duas, mas lá se safou à terceira.

 

O que ele gostou mais foi de uns rolos que andam dentro de água, que são empurrados pelos miúdos, tipo hamster numa rodinha. Há dois rolos, que levam uns três ou quatro miúdos, e uma bola, que é só para um. Ele teve a sorte de ficar na bola. Adorou andar por lá aos trambolhões dentro da bola, em cima da água. Para acabar, fomos à montanha russa, que tem a maior fila. Foram 25 minutos à seca, e depois a viagem é muito fraquinha, mas pronto, o que interessa é que a criançada se divirta. E todo o esforço, todas as secas valem a pena quando no fim recebemos um beijo e a frase: "Papá, hoje foi dos dias mais divertidos de sempre".

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publicado às 19:23

28
Nov13

Hoje vou lançar aqui um desafio novo já a preparar o Natal que está a chegar.

É sabida a dificuldade de muitas mulheres em encontrar um presente certo para oferecerem aos maridos, namorados, irmãos, pais, tios, etc. Por isso, nada melhor do que serem os próprios homens a dizerem-me o que é que gostavam mesmo de receber neste Natal. A ideia é darem-me sugestões de coisas viáveis, não de sonhos impossíveis de cumprir (escusam de dizer um apartamento na Expo ou um Ferrari). Os preços podem variar, porque já se sabe que o que cada pessoa tem para gastar não é necessariamente o mesmo que o que outra tem para gastar, ou seja, gostava de ter ideias de presentes que custem 8 ou 9 euros e outros que podem ser mais caros, sem entrar nas tais loucuras.

 

Então, e como é que vamos fazer isto? Simples: as leitoras que já souberem o que é que os seus homens querem podem enviar-me um mail para oarrumadinho@gmail.com e contar-me tudo, as que ainda não souberem, podem pedir aos maridos ou namorados para me enviarem um mail com a sua lista de presentes preferidos. No fim, eu irei agrupar tudo e elaborar uma ou várias listas de presentes. Os desejos de uns podem ser ideias para outras. Para que não haja surpresas indesejadas, não irei divulgar o nome das pessoas que enviarem mail, a menos que o peçam.

 

Vamos a isto? Meninas, toca a passar o meu mail aos meninos; Meninos, tocam a enviarem-me mails. Coloquem só no subject a palavra "PRESENTE".

Muito obrigado.

Em breve começo a divulgar as listas, provavelmente agrupadas ou por preços ou por géneros (tecnologia, roupa, etc.)

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publicado às 15:02

28
Nov13

Decisões conjugais

por O Arrumadinho

Ela — Como é que queres fazer amanhã?

Eu — Como preferires.

Ela — Tens três opções. A) Fazemos assim, assim e assim; B) Fazemos assim, assim e assado; C) Fazemos assim, assado e assado.

Eu — Está bem. Então pode ser a opção A.

Ela — A opção A? Então mas não queres antes a B?

Eu — É-me indiferente, mas sim, pode ser a B, pronto.

Ela — Oh. Fofinho, fofinho seria escolheres a C, que é a que eu gostava mais.

Eu — Mas se tu já decidiste porque é que me deste sequer as opções?

 

Conclusão, fiz-lhe a vontade e acedi à opção C, que era a que me dava mais trabalho.

Hoje de manhã atrasou-se e lá se foram os planos. 

Fiquei-me pela opção B.

 

Mulheres.

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publicado às 12:24

26
Nov13

Os InviZimals

por O Arrumadinho

Quem tem filhos sabe bem que os putos são de modas, e ao longo das várias fases de crescimento vão mudando de heróis preferidos, embora haja sempre um ou outro que se mantêm durante uns anos.

O meu filho mais velho passou por quase tudo. Primeiro foram os desenhos animados. Começou com o Pocoyo, depois o Noddy, seguiu-se o Ruca, o Bob o Construtor, o Buzz Lightyear, o Phineas & Ferb e, felizmente, consegui que ele se apaixonasse pelos desenhos animados que me faziam rir, e que considero válidos para qualquer geração: o Tom&Jerry, a Pantera Cor-de-Rosa e o Road Runner&Coyote. Depois veio a fase dos jogos, com o Angry Birds, o Super Mário, os Skylanders (que ainda adora) e, agora, os InviZimals, a sua mais recente pancada.

 

Há dias, a propósito do lançamento dos dois novos jogos dos InviZimals para a PlayStation Vita e PlayStation3 levei-o à Quinta da Regaleira, em Sintra, onde iria haver uma série de brincadeiras relacionadas com os InviZimals. Andou uma semana inteira a contar os dias para o momento. Acordou, claro, às seis e tal da manhã e foi recordar todos os cromos dos InviZimals que tem na caderneta. A caminho de Sintra, foi-me a contar a história dos bicharocos, dos poderes de cada um, das diferenças dos jogos, sempre com aquele entusiasmo genuíno que só os putos conseguem ter.

 

Quando chegámos à Quinta da Regaleira, as várias crianças juntaram-se num grupo, vestiram umas batas dos Invizimals, pegaram nas suas PlayStations Vita e seguiram o professor Nakamura, que os levou à caça de InviZimals pelo espaço. Os pais lá foram todos atrás. Passámos por túneis, grutas, paisagens incríveis (quem ainda não conhece a Quinta da Regaleira, por favor, vá até lá) e em cada local a criançada parava e cumpria a missão que era proposta pelo Professor. Houve batalhas, desafios e caça aos InviZimals. 

A coisa demorou sensivelmente uma hora. Quanto terminou, para desgosto do miúdo, não quis saber do lanchinho que estavam a oferecer, nem sequer quis ficar a testar o jogo nas várias PlayStation3 que havia por ali. Quis ir logo para casa para poder jogar comigo. Lá lhe fiz a vontade.

 

Quando chegámos a casa, liguei a PlayStation3 e começámos a jogar ao "Reino Perdido". Ao fim de uns minutos, e já depois de ter percebido como é que ele estava a jogar àquilo, sugeri-lhe que fosse buscar a PS Vita e que jogasse antes ao outro jogo novo, "A Aliança", enquanto eu iria avançando naquele. Lá o enganei. Na verdade, eu estava era a achar aquilo demasiado divertido. Normalmente, sou mais de jogos de futebol, desporto, sociais, mas naquele instante senti-me tão puto como ele, fascinado por aquele mundo tão perfeito, muito distante dos mundos a preto e branco e muito manhosos dos meus tempos de miúdo, quando tinha o meu Timex 2048, com 48k de memória.

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 11:07

26
Nov13

Eue os centros comerciais

por O Arrumadinho

Para muitos homens, assumirem que gostam de ir a centros comerciais ou a casamentos é mais ou menos a mesma coisa que terem de elogiar o ponta-de-lança do clube rival: jamais o farão. Isso seria quase como amputarem-lhes parte da masculinidade.

Eu contrario esta regra: gosto. Gosto de centros comerciais e gosto de ir a casamentos. Mas se para gostar das bodas me basta um argumento — a mesa de queijos — para o prazer de ir a centros comerciais há muitas explicações. A primeira é a sensação de estar rodeado de pessoas e opções. Adoro isso. Muitas vezes, gosto de ir almoçar sozinho a um centro comercial, precisamente porque consigo ver centenas ou milhares de pessoas (e eu adoro de observar pessoas) e posso ir às lojas de que gosto sem ninguém me chatear. Uma das vantagem do centro comercial é que não preciso de pensar muito bem naquilo que me apetece fazer: na altura, logo se vê, porque haverá seguramente uma opção para isso. Outra: em alturas como esta, em que estão menos 18 graus na rua, ali posso andar sem luvas, cachecol, gorro, duas camisolas e um casacão.

 

Com uma ou outra excepção, gosto de quase todos os centros comerciais. Mas há um para o qual sou muitas vezes levado, ora pela minha mulher, ora pelo meu filho, e que já entrou nas rotinas cá de casa, o Dolce Vita Tejo. Quando digo isto, muita gente me pergunta: “Mas o que é que o Dolce Vita Tejo tem assim de tão fascinante?”, ao que eu gosto de responder: “Mas o que é que o Dolce Vita Tejo não tem?”. Eu explico.

 

Um vai para a KidZania...

Para começar, tem a KidZania, essa perdição para todos os putos (podia dizer também adultos, sim, porque conheço muitos que morrem de inveja dos filhos e também gostavam de andar ali a brincar naquelas coisas em miniatura — eu sou um deles, admito). Mas se para alguns pais é um sacrifício ir com os putos à KidZania, para mim, é um misto de alegria e tristeza. Alegria porque aquela pequena cidade para os miúdos é verdadeiramente fascinante, um mundo ao qual eu nunca tive acesso, um universo de brincadeiras diferentes e didáticas que mesmo que se repitam todos os meses deixam sempre os putos encantados. O meu filho mais velho, que está quase a fazer 7 anos, implora-me todas as semanas para o levar lá. Já conhecemos a KidZania de trás para a frente, ele já foi polícia, bombeiro, pizzeiro, banqueiro, dentista, operador de caixa, jornalista, médico, já trabalhou no McDonald’s, no supermercado, já fez sumos e gelados, já tirou a carta de condução, já conduziu, jogou à bola, já foi actor, tudo e mais alguma coisa, sei lá quantas vezes, mas continua a querer voltar. Lembro-me de uma ou duas vezes termos ido lá com relativamente pouco tempo — duas ou três horas — e ele não ter tido muito tempo para percorrer as profissões todas. Quando tive de o arrancar de lá, porque tínhamos mesmo de ir embora, saiu em lágrimas, e eu com o coração partido.

Mas eu compreendo isto, sobretudo, porque me vejo no lugar dele, com sete anos, e tudo aquilo pela frente, todas aquelas experiências, a miudagem a correr de um lado para o outro, as brincadeiras, os fatos das profissões, no fundo, é como se fossemos nós os Playmobil, em vez de estarmos a brincar com eles.

 

... a outra para a Primark...

A nossa rotina familiar no Dolce Vita Tejo é quase sempre a mesma: eu vou para a KidZania com o miúdo, a minha mulher vai para a Primark. Já chegou a acontecer ela demorar tanto tempo na Primark como ele na KidZania para se ver os dramas que eu por vezes vivo à espera daquela mulher. Nesses dias, também aproveito para espreitar a zona de homem (que aqui é muito decente, ao contrário da maioria das lojas de roupa, que guardam um cantinho para a secção masculina) e sobretudo de criança, que é muito boa. A cada mudança de estação, lá encho o saco com mais roupa de Verão ou de Inverno, porque nestas idades — entre os 4 e os 9 — os putos parece que crescem todos os dias uns cinco centímetros.

 

... e eu fico-me pela Specialized e pela Sport Zone...

Se o miúdo tem a pancada da KidZania e a minha mulher da roupa e dos sapatos, eu tenho a das cenas de desporto (acho que é mais ou menos comum aos homens). E então aproveito os momentos em que ela anda pela Primark para ir à Specialized, que fica mesmo ao lado, e que é um mundo para quem gosta de bicicletas. Eu sou daquelas pessoas totalmente nabas em mecânica, mas fico fascinado com tantos acessórios que existem para as bicicletas e dou por mim a ficar interessadíssimo numa nova corrente, num guiador aerodinâmico ou nuns pedais de competição, mesmo que tudo isso tenha muito pouca utilidade para mim. É que a minha bicicleta é vintage (é muito melhor do que dizer velha, certo?), e foi-me oferecida pelo meu sogro, que foi ciclista e chegou a correr duas voltas a Portugal em bicicleta. E foi na Specialized que a recuperei, mandei pintar, comprei-lhe um banco, uns punhos e uns pedais novos e ficou maravilhosa. 

Se ainda tiver tempo tento passar por todas as lojas de ténis e pela Sport Zone, talvez a loja que mais aborrece a minha mulher, sobretudo porque eu gosto de ver todas as novidades em suplementação alimentar, o que eu compreendo que possa ser chato, mas é mais ou menos a mesma coisa que nos acontece quando vocês vão àquelas lojas de acessórios totalmente desinteressantes e gostam de ver cada colar, cada brinco e cada pulseira.

 

... ou pela Zara, a H&M ou a Sfera

Como os meus gostos não se resumem a futebol, corridas e bicicletas, também gosto de algumas lojas de roupa de homem. O Dolce Vita Tejo também tem essa vantagem: tem as lojas a que mais vou — a Zara e a H&M — mas também a uma outra que infelizmente só existe aqui, a Sfera. Conheci a Sfera em Espanha, numa altura em que nem havia Dolce Vita, e sempre tive imensa pena de não haver em Portugal. É capaz de ser das lojas (para homem) com melhor relação qualidade-preço. É um pouco mais cara que a H&M e mais barata do que a Zara, mas com uma oferta muito diversificada e materiais mesmo bons. Também gosto da Blanco, que no Dolce Vita costuma ter todos os tamanhos e óptimas oportunidades nos saldos.

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publicado às 10:14

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