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22
Jan13

As crianças hiperactivas

por O Arrumadinho
Entre ontem e hoje várias pessoas que conheço têm partilhado no Facebook um texto do cronista do "Expresso" Henrique Raposo sobre crianças mal comportadas (ou hiperactivas) - é essa a essência da crónica.

Gosto muito de ler o Henrique Raposo, concordo variadíssimas vezes com o que ele escreve, mas, neste texto, deu um tiro ao lado. Foi na onda da opinião generalizada de quem olha para o mundo das crianças como se de um inferno se tratasse, em comparação com o paraíso que se vivia na nossa infância. Normalmente, quem defende a causa do Henrique Raposo não tem filhos e o contacto que tem com crianças reduz-se às manhãs de sábado ou domingo, quando vão ao café ou a uma esplanada para ler os jornais e as revistas e estão por lá uns putos a fazer barulho e a incomodar.

Quem quiser ler o texto do Henrique Raposo, pode ir aqui, mas, no geral, o que ele diz é que as crianças hoje são mal comportadas, e os paizinhos justificam esses comportamentos com "a hiperactividade", procurando medicação para isso, em vez de quererem perder tempo a dar-lhes educação.

Eu tenho um filho, sempre que vou com ele a algum sítio estou com outras crianças, convivo em muitas ocasiões com outros pais e, em seis anos, não me lembro de ouvir uma única vez um pai dizer que o seu filho "é hiperactivo" para justificar o seu mau comportamento. Nem uma. Claro que já encontrei vários putos mal educados, desrespeitosos, birrentos, mas isso é uma coisa de hoje? Antigamente todas as crianças eram bem educadas e calminhas? Não. Quando era miúdo, convivía com dezenas de miúdos rufias na escola, que insultavam professores, batiam nos colegas, assaltavam os mais novos, desafiavam os funcionários. Não era um, nem dois, nem três, eram dezenas. E isto desde a primeira classe (ou seja, desde 1982). Quer parecer-me que, 10 anos antes, a coisa não seria muito diferente. Como acredito que daqui a 10 anos será igual.

A ideia generalizada de que os pais de hoje não querem saber da educação dos filhos, que só querem que eles não os incomodem é, a meu ver, errada. Se as mães têm, hoje, menos tempo do que há 20, 30 ou 40 anos (a população feminina trabalhadora é muito superior ao que era), por outro lado, os pais são muito mais empenhados na ajuda educativa, muito mais participativos, e não deixam tudo em cima da mulher, como antigamente. Dos pais que eu conheço, há, em quase todos, uma preocupação pedagógica elevadíssima, e sempre que falamos do assunto o tema é muitas vezes os estímulos intelectuais que lhes devemos dar, as discussões sobre a utilidade vs problema dos gadgets e das consolas, as melhores actividades em que os podemos iniciar para os tornar miúdos mais espertos, mais criativos e mais ligados ao mundo. Quando olho para trás, não encontro nada disto na minha educação, nem na educação de quem me rodeava. Quase todos os meus colegas andavam um pouco em roda livre - tinham chave de casa aos seis anos, iam sozinhos para a escola, passavam tardes inteiras sem companhia, a fazer o que bem entendiam.  Em que medida é que isto tornou em miúdos mais calmos ou bem comportados? Em nenhuma.

As crianças de hoje são o que sempre foram: crianças. Há umas insuportáveis e birrentas, e que não se sabem comportar em locais públicos? Claro que há. Como há 20 anos havia. E há 30. E há 100. São crianças, e as crianças mexem-se e correm e não gostam de estar paradas, e muitas vezes soltam um grito na excitação da brincadeira, claro que sim. Repito: há casos de miúdos incrivelmente mal comportados, e de pais que não têm mão neles - há hoje, como sempre houve.

A maior mudança, a meu ver, está nos adultos, e não nas crianças. Em especial nos adultos que não têm filhos, que me parecem muito menos pacientes, muito menos tolerantes e muito mais egoístas. E é aos adultos que compete agir de forma totalmente racional, e não emocional, porque eles é que são adultos. Exigir a uma criança que se comporte como um adulto é a mesma coisa que tentar manter um cachorro sentado durante meia-hora - é impossível. Pode aguentar-se algum tempo, mas está na natureza dele levantar-se e ir brincar, farejar, e fazer avarias.

Como disse antes, nunca assisti - nem sei de qualquer caso - de pai que diga que o filho é hiperactivo para justificar o mau comportamento. Mas já assisti a muitos adultos a revirarem olhos porque um casal entra num espaço com uma criança, sem que ela tenha aberto a boca, já vi adultos suspirarem de impaciência porque uma criança fala um pouco mais alto. E também já vi, muitas vezes, pais repreenderem crianças em lugares públicos, já vi darem-lhes palmadas (mas, estranhamente, nunca vi outros pais insurgirem-se contra isso, como o Henrique Raposo escreve).

A ideia de que os putos de hoje são mal comportados é um cliché, tal como é a de que os pais são uns bananas e que os deixam fazer tudo. São ideias feitas detidas, defendidas e repetidas quase sempre por quem não tem filhos, por quem não sabe (ou já não se lembra, vá) o que é uma criança, e por quem põe o seu mundo à frente de tudo.
Também não gosto de estar num café e ter, ao lado, um puto aos berros. Tenho o direito de estar ali em paz. Mas o grande problema não é o facto de os adultos não tolerarem berros. É não tolerarem um só berro.

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publicado às 13:12


183 comentários

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De Anónimo a 22.01.2013 às 13:25

Um tiro ao lado este post...
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De Eduardo a 22.01.2013 às 13:26

Curiosamente, já ouvi muitos relatos de pais a justificarem o mau comportamento dos filhos dizendo que são hiperactivos, mas talvez seja um mito :)
Também conheço miúdos que, de facto, são hiperactivos, mas nesses casos não vejo os pais a justificarem o comportamento deles com esse facto.
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De Anónimo a 22.01.2013 às 13:28

tens de convir que antigamente os miúdos tinham muito mais respeito pelos pais..e hoje em dia é raro os casos que assim é..e isso muda muita coisa..
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De Unknown a 22.01.2013 às 13:34

Vivemos em mundos diferentes certamente. eu concordo com o Henrique, e digo mais, eu já tinha tecido comentários semelhantes. n sou mãe, realmente n sou, mas isso é a tipica desculpa d mau pagador q tenho tambem vindo a ouvir dos tais Pais q tem filhos hiperativos. E a razão pela qual sei q é desculpa d mau pagador, é pq sou educadora, e isso faz com q passe, na maioria das vezes, mais horas com as crianças do q com os próprios Pais. e isso s calhar confere alguma credibilidade à minha teoria. acho eu!
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De Sónia Rodrigues a 26.09.2013 às 12:06

A sua teoria é uma boa teoria....
Conheço educadoras que impõem o respeito numa sala, mas com os próprios filhos não é bem assim!
E os putos até conseguem ser mal educados e birrentos ah!?!?!?
Por tal não cuspa muito para o ar. Falar é fácil.

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De S de Sofia a 22.01.2013 às 13:44

A propósito do artigo de opinião do Sr Henrique Cardoso, gostaria de dizer o seguinte:

Bom dia Sr Henrique Cardoso,

Escrevo-lhe enquanto mãe e enquanto psicóloga.

A propósito da brevíssima crónica que escreveu, “As crianças não são hiperactivas, são mal-educadas”, gostaria de, a título introdutório,dirigir-lhe três simples perguntas:

- Para além dos livros que, espero, lê sobre a educação e desenvolvimento da criança, tem alguma formação em Psicologia?

- Já trabalhou com crianças hiperactivas, respectivas famílias e demais agentes educativos?

- Tem 30 anos. É pai?

Creio que o Henrique estará de acordo comigo quando refiro que falar de assuntos que resultam da nossa mera observação e deles retirar conclusões generalistas e um tanto ou quanto grotescas, não é um bom princípio. Convém, primeiro, entender o que é a hiperactividade, não por traços largos e deficitários; convém igualmente atentar que educar uma criança é uma tarefa multi-disciplinar. Começa em casa, certamente, mas a própria sociedade também tem um papel na edificação dos nossos futuros adultos.

A hiperactividade tem sido o bode expiatório para explicar o “excesso de actividade” por parte de uma criança. Nada mais errado e perigoso do que tentar explicar qualquer comportamento através de “etiquetas” que nos conduzem a diagnósticos prematuros e efectuados “em cima do joelho”. Uma comédia, como o Henrique refere.

Gostaria de saber o que é que o Henrique entende por “hiperactividade”. Ou, mais correctamente, sobre a “Síndroma de hiperactividade e défice de atenção”. Sejamos precisos para que não haja mais equívocos e generalizações abusivas.
Não é hiperactiva a criança enérgica, curiosa, extrovertida, faladora ou distraída. Pelo contrário. É uma criança perfeitamente normal e saudável que necessita de expandir e de dar largas à sua energia, depois de, por exemplo, ter estado um dia inteiro em ambiente escolar, com curtas pausas de recreio, concentrada nas suas tarefas didáctica e, muitas vezes, “atafulhada” em actividades extra-curriculares. Digamos que, durante este período, tem em mente o “portar-se bem”, ainda que, pelo meio, sobressaiam algumas nuances e disputas com os amiguinhos (“Este brinquedo é meu!” ou “Se não fizeres assim já não sou mais tua amiga”). Com os pais é natural que as crianças voltem a “calçar as pantufas”, exteriorizando as suas contrariedades, o que correu bem no seu dia e o que, inevitavelmente, correu menos bem enquanto estiveram em contexto escolar.

(cont)
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De S de Sofia a 22.01.2013 às 13:44

(cont-parte 2)

De acordo com o pediatra Mário Cordeiro, as crianças com Síndroma de hiperactividade e défice de atenção podem ser predominantemente hiperactivas, predominantemente desatentas ou uma mistura das duas coisas.

Assim, a componente “falta de atenção” tem que incluir 6 dos seguintes sintomas, durante mais de 6 meses, num tal grau que causa inadaptação ou problemas, maiores do que seria de esperar para o grau de desenvolvimento da criança desta idade:

- Desatenção aos pormenores, e não evoluir, por exemplo, no pormenor dos desenhos;
- Dificuldade em manter a atenção em qualquer actividade;
- Parecer não ouvir o que se lhe está a dizer;
- Não conseguir obedecer a regras e instruções, designadamente nas actividades de grupo (por exemplo, esperar na fila para lavar as mãos, esperar até chegar a sua vez de falar, etc), sem ser por oposição ou negação, mas por impossibilidade de cumprimento;
- Dificuldade em organizar-se no quadro das actividades;
- Evitar aceitar tarefas que obriguem a um esforço mental ou a decorar uma sequência de passos;
- Perder muitos objectos e esquecer-se onde estão;
- Ser constantemente distraído por estímulos externos (uma mosca, os sons dos automóveis, luzes, telefone a tocar, etc).

A componente “hiperactividade” e “hiperimpulsividade” (resultantes da dificuldade na gestão interna da informação e das situações), deve incluir 4 dos seguintes sintomas, durante pelo menos 6 meses, e de intensidade fora do que é de esperar para uma criança desta idade:

- Mexer constantemente os braços e as pernas, remexer-se demasiadamente na cadeira;
- Não conseguir estar sentado na sala, quando todos os outros conseguem, levantando-se com frequência;
- Correr, saltar ou trepar “demais”, sobretudo em situações inapropriadas e fora do contexto;
- Dificuldade em jogos ou actividades que exijam calma e concentração;
- Impulsividade em querer ser o primeiro em tudo e responder antes sequer de se acabar a pergunta;
- Impulsividade, não conseguindo estar numa fila.

Pergunto, pois, Henrique, face a uma das primeiras frases que integra a sua crónica “(…) e o café está inundado de crianças que não respeitam nada, nem os pardalitos e os pombos”, se todas elas serão mal-educadas?

Creio que é igualmente um raciocínio ultrapassado o facto de um pai ou uma mãe dar uma palmada correctiva ao filho ser olhado de viés. E é igualmente de uma atrocidade tentar “corrigir” a normal actividade de uma criança com “gotinhas milagrosas”. Para quem gostaria de ir a um café ler o seu jornal, talvez fosse um cenário perfeito ter todas as crianças sentadinhas à mesa, sem proferir uma palavra, ou então falando baixinho. Uma espécie de crianças saídas dos contos da Condessa de Ségur. Mas a vida real não é assim e não estou a dar-lhe qualquer novidade, Henrique.

A educação é muito bonita, começa em casa e continua na sociedade. Os pais, como principais agentes educativos, têm a obrigação de ser os melhores desses mesmos agentes educativos, incutindo regras comportamentais, valores sólidos, fomentando o saber, a descoberta, o convívio, a partilha, em suma, o que viver em sociedade implica. Precisamente para não ficarem com mais um rótulo de adultos intoleráveis, mimados, embirrentos e algo alérgicos a crianças que, à falta de argumentos, as apelidam de “estafermos insuportáveis”.

(cont)
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De S de Sofia a 22.01.2013 às 13:45

(cont)-Parte III

Como disse acima, sou psicóloga e sou mãe. Já trabalhei, entre outras, com crianças hiperactivas e há uma clara distinção entre uma criança com esse quadro e uma criança com uma actividade físico-motora perfeitamente normal (e saudável) para a sua idade.

A minha filha, uma criança com 5 anos, tem uma energia inesgotável. É activa, curiosa, tem sede de saber, deseja liderar mas sabe igualmente estar e enquadrar as regras no seu quadro de acção. Não é hiperactiva nem tão pouco mal-educada. É uma criança perfeitamente normal para a idade que tem. Mal fosse se tivéssemos crianças amorfas e apáticas.

Em suma: deixemos as crianças ser crianças pois elas terão muito tempo para serem adultas.

E facultemos aos pais mais informações, esclarecendo as suas dúvidas de forma profissional (e não alarmista ou acusatória) pois o amadorismo e as “implicâncias” são coisas que abundam nesta sociedade.
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De Filipa Alexandra Marco Moita a 22.01.2013 às 13:45

Tenho 3 filhos e concordo consigo. Quem não concordar é PORQUE NÂO TEM FILHOS....
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De Melissa_C a 22.01.2013 às 13:46

Discordo que os pais de hoje não sejam muito mais ausentes, muito mais permissivos, muito mais alienados dos filhos. Concordo: as crianças são crianças, vão sempre fazer barulho, vão testar os limites, mas o problema das crianças não está nelas, que vão sempre ser crianças e fazer tudo o que as crianças fazem, está nos adultos que não querem arranjar tempo para as educar.
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De Manuel a 22.01.2013 às 13:46

Trabalhei com crianças durante alguns anos, putos desde os 6 aos 17, e sinceramente tenho que concordar com o Henrique Raposo, pelo menos em grande parte, e discordar violentamente que só por não ter filhos não terá automaticamente uma opinião valida e informada. Como disse trabalhei com crianças durante alguns anos, aos sábados e aos domingos, não era diariamente, e não tenho filhos ainda. No entanto, olhando para a educação que tive e como sempre me comportei em público enquanto criança e olhando para as crianças de hoje e dos últimos 10 anos, não deixo de conseguir culpar os pais... se soubesse a quantidade de pais que me vieram pedir desculpa antecipadamente porque o filho era hiperactivo e ia dar muito trabalho e afinal de contas o miudo só precisava era de correr e brincar... enfim.
Facto é que os pais de hoje têm muito menos tempo para os filhos e cada vez menos se tem o apoio dos avós, pelo que se confia cada vez mais nas escolas. Escolas essas que por sua vez formam educadores cada vez mais lenientes e com cada vez menos capacidade para educar e impor respeito. E repare: eu não defendo educações violentas ou castradoras. De todo! Acho sim é que os pais têm de saber dedicar-se o suficiente para conseguir passar aos filhos os valores que eles precisam, para os pôr a correr, para os "cansar" e estimular nesta idade em q o cérebro deles está no seu auge de absorção.
Porque estranha quando se compara com esta imagem? Porque isto tem vindo a mudar nos ultimos 5 anos talvez. Também eu noto muitos pais a interessarem-se cada vez mais, se calhar precisamente por terem visto como resultaram as crianças da remessa anterior!
Em suma, para mim a culpa é em grande parte dos pais. Aqueles que hoje têm os seus 40s. Se calhar foi próprio da sua geração, honestamente não sei. Mas noto que os filhos dessa geração, foram de todos os que apanhei como educador e formador, aqueles que menos presença e paciencia tinham dos pais em casa e aqueles que mais problemas davam e que se achavam mais no direito de tudo.
Mas não só, culpo as escolas. E os facilitismos de se diagnosticar hiperactividade quando a criança dá demasiado trabalho aos profissionais que "não são pagos para isso".
E sinceramente essa conversa do a culpa ser dos adultos que têm menos paciencia para aturar as crianças? Acho completamente errada. Vejo a geração dos meus avós por exemplo como muito menos tolerante a crianças aos berros, ou a dos meus pais.
Acho que este post foi um pouco enviusado pelo sindrome de pai babado :)
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De sandra a 07.05.2015 às 20:22

Caro Manuel, acredito que no seu tempo fosse muito bem comportado. Mas tb gostava que me dissesse quantas vez foi jantar a um restaurante com os seus pais e quantes vezes passou horas num café à espera que o seu pai ou a sua mãe terminasse de falar com uma amiga ou a ler o jornal. Pois é !! ainda ninguém percebeu que nos dias de hoje o tempo é passado num apartamento a ver TV ou jogar jogos no computador etc... . no seu tempo o que fazia? brincava na rua com os seus amigos da rua, bairro ou aldeia e tb fazia asneiras e falava alto e fazia barulho. A vantagem é que lá não estava o pai e a mãe para ver, muito menos os " amigos" do café.

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