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Começa o novo ano e os ginásios enchem-se. Meio mundo decide mudar de vida, perder aqueles quilos a mais que carregam há meses ou anos e de repente os clubes quase duplicam a cliente. Só que normalmente isto dura até fevereiro, março. Depois, muitos desistem. Desistem por mil e uma razões, mas a principal é quase sempre a desmotivação. A pensar nisso, reuni algumas dicas, com base na minha experiência, que podem ajudar a que não desistam do ginásio e consigam tornar o treino num momento divertido e motivante e não num frete.

 

 

01. Escolham um ginásio perto de casa ou do trabalho

Este é um dos maiores erros de quem nunca andou num ginásio, e é um dos que levam a que mais dia menos dias se comece a deixar de treinar. Podemos muito querer treinar naquele ginásio incrível de que os colegas do trabalho falam, naquela box de CrossFit muito conhecida, mas se nenhum dos dois ficar perto de casa ou do trabalho esqueçam, não vale a pena. E não vale a pena porque nós somos por natureza preguiçosos e comodistas e daqui a algum tempo vamos começar a pensar no trajeto que vamos ter de fazer até ao ginásio ou até à box, no trânsito que vamos apanhar, na quantidade de estações de metro que temos de passar, ou no tempo que vamos ter de andar a pé até ao ginásio. Resultado: acabaremos por desistir, ficar na cama, deixar para amanhã. Não vamos um dia, não vamos dois, não vamos três e acabamos por deixar de ir de todo.

Isto aconteceu-me, por exemplo, quando andava no MegaCraque, em Telheiras, que é um ginásio maravilhoso, onde tinha imensos amigos, e adorava os instrutores. Na altura, morava em Telheiras, e o ginásio era a minha segunda casa. Depois, mudei-me para a Graça e decidi continuar a ir treinar ao MegaCraque. Em vez de treinar quatro ou cinco vezes por semana passei a treinar duas, depois uma, depois comecei a ficar uma semana sem ir lá, duas, até que deixei de ir de todo. Inscrevi-me no Holmes Place da Avenida, que ficava perto do meu local de trabalho, e voltei a treinar quase todos os dias. O problema não estava no ginásio, estava na preguiça de ir até lá.

 

02. Tenham atenção ao estacionamento

Se andam de carro, escolham sempre um ginásio onde seja fácil de estacionar, ou que tenha um parque por perto. É altamente desmotivante pensarmos que vamos ao ginásio e teremos de andar imenso tempo às voltas à procura de um lugar para estacionar. Para muita gente, isso é logo fator de eliminação, e deixam de ir. Por isso, antes de se inscreverem, pensem bem nisto, vejam se o ginásio tem parque, se há algum barato por perto, se é fácil estacionar na rua à hora a que estão a pensar ir treinar, e depois decidam.

Também nisto tenho experiência. No ano em que estive inscrito no Virgin Active do Palácio SottoMayor treinava sempre sem stresse porque sabia que tinha um parque de estacionamento grátis (durante duas horas, penso) o que me permitia chegar muito perto da hora a que queria treinar e estar de volta ao carro um minuto depois de ter saído do ginásio. Isto, sem apanhar molhas em dias de chuva, sem ter de fazer caminhadas até ao carro, sem ter de andar às voltas à procura de lugar.

 

03. Tenham sempre um kit de ginásio pronto

A pior parte de viajar é ter de fazer e desfazer as malas. A pior parte de ir ao ginásio é ter de preparar a mala. Isso pode ser, uma vez mais, decisivo para não irmos treinar. E porquê? Porque muitas vezes deixamos a mala para aquela hora da manhã em que andamos a correr de um lado para o outro, porque já estamos atrasados, e quando nos lembramos de ir preparar a mala percebemos que não vamos ter tempo, nem paciência, para a fazer. Por isso, o ideal é ter sempre um kit básico de ginásio preparado, já com uns ténis, umas meias, cuecas, calções, T-shirt, chinelos e material para o banho. Mesmo que queiramos levar mais qualquer coisa (suplementos, luvas, água, etc) é muito mais fácil arrumarmos só essas duas ou três coisas do que fazer toda a mala. O ideal é, até, ter dois kits prontos, um em casa outro na mala do carro. Quem tem cacifo no ginásio pode também deixar lá sempre duas ou três mudas de roupa para aqueles dias em que não houve tempo, ou que se esqueceram da mala em casa, e assim não há mesmo desculpa para faltar ao treino.

 

04. Procurem os exercícios mais motivadores

Encarar uma ida ao ginásio como um frete, em que só estamos ali a fazer coisas totalmente aborrecidas e de que não gostamos, é meio caminho andado para nunca mais voltarmos. É, por isso, essencial que se encontrem as atividades que mais prazer nos dão, ou que achamos mais estimulantes. Se uma pessoa não gosta de máquinas de pesos, pode procurar uma aula de grupo onde possa trabalhar vários grupos musculares sem usar as máquinas (body pump, localizada). Se o que mais gosta de fazer é dançar, então, o melhor é experimentar as várias aulas de dança (zumba, hip hop, body jam). Se prefere desportos de combate, pode usar aparelhos mais ligados a esta atividade, usando os sacos de boxe, luvas, ou experimentando aulas de body combat ou outras parecidas.

O importante, mesmo, é que a ida ao ginásio seja um momento de prazer, porque se não o for o mais provável é desistir ao fim de um mês.

 

 

 

05. Diversifiquem os treinos

Outra forma de combater a monotonia do treino é procurarem treinos diferentes, experiências diferentes a cada dia. É fundamental não ter medo ou vergonha de arriscar uma coisa totalmente nova, seja yoga, pilates, body attack, GAP ou uma aula de corrida na rua. O importante é mesmo explorar as várias atividades, porque podemos encontrar uma que seja a nossa cara, e, pelo caminho, vamos treinando de forma diferente, o que acaba por ser muito mais interessante e motivante.

 

06. Arranjem um parceiro de treino

Há poucas coisas que nos puxem mais para o ginásio do que o compromisso com alguém. Treinar a dois pode ser fundamental precisamente por isso, porque um puxa pelo outro, um não deixa o outro andar na ronha, nem deixa que o outro falte ao treino. Se soubermos que combinámos ir treinar com alguém a probabilidade de não nos baldarmos é muito maior.


07. Não deixem o treino para o fim do dia

Isto já depende muito da vida de cada um, mas, por experiência, sei que quem treina de manhã tem muito menos probabilidades de falhar uma ida ao ginásio do que quem treina ao final do dia. Isto porque de manhã quase nunca há compromissos de última hora que obriguem a adiar o treino (a menos que se tenham um filho bebé que não nos deixa dormir à noite — eu sei do que estou a falar). Quando deixamos o treino para as 18 ou 19 horas, muitas vezes recebemos um convite para um jantar, um desafio para ir beber um copo, tivemos um problema no emprego que nos obrigou a ficar a trabalhar até mais tarde, tudo coisas que nos impedem de treinar. Quando se vai ao ginásio às sete ou oito da manhã não há convites, desafios, contratempos, coisas a acontecer. O País está a dormir, por isso, não há desculpas. Mesmo para quem acha que de manhã não tem energia, é bom que se saiba que é de manhã que temos quase sempre o nosso metabolismo mais acelerado, o que faz com que o treino seja mais eficaz, ou seja, acabamos por queimar mais calorias do que quando treinamos ao fim do dia e o metabolismo já está a desacelerar.


08. Não se pesem todos os dias

Ir a correr para a balança depois de todos os treinos é um disparate que só serve para nos desmotivar. Mesmo quem procura o ginásio para perder gordura deve saber que não é na balança que se vêem as melhorias no corpo, mas sim no espelho. Ao fim de alguns meses de treino é perfeitamente possível que tenhamos perdido apenas um ou dois quilos, mas tenhamos baixado drasticamente a percentagem de gordura no corpo. Quando se treina, ganha-se músculo, e o músculo é muito mais pesado do que a gordura. Por isso, é natural, até, que se possa aumentar o peso e se consiga um corpo muito mais forte e definido. Claro que isto apenas se aplica a casos de pessoas mais flácidas e que não tenham excesso de peso ou estejam num estado de pré-obesidade. Nestes casos, a gordura é demasiada e é normal que se percam muitos quilos, mas mesmo isso pode demorar semanas, meses, e desistir ao fim de seis ou sete semanas porque a balança não mostra grandes resultados é um disparate. Por isso, o melhor é ir à balança, no máximo, uma vez por mês e, mais ou menos na mesma altura pedir a um PT do ginásio que faça uma medição da percentagem de gordura.


09. Mudem de ginásio, se for preciso

Hoje em dia já quase não existem períodos de fidelização nos ginásios, o que permite que os sócios tenham muito mais mobilidade. Se não estão totalmente satisfeitos com o ginásio que escolheram, podem sempre mudar. Não culpem “o ginásio”, no abstrato, nem desistam porque não gostam de ir ao ginásio, sem terem conhecimento efetivo do que é isso do ginásio. Podem, apenas, não gostar de ir àquele ginásio. Tentem outros, peçam sempre para fazer aulas experimentais, que são grátis para toda a gente. Conheci praticamente todos os ginásios de Lisboa a pedir para fazer aulas grátis, não só para ter uma ideia de como são como para poder escolher exatamente aquele que se adequava a mim. Tentem um, dois, três, tenham em atenção o mapa de aulas de grupo, o ambiente, a qualidade dos balneários, a facilidade do estacionamento, os horários de funcionamento, os preços, a qualidade do equipamento, tudo pesa. Se estiverem numa cadeia tipo Holmes Place podem também ir treinando em ginásios diferentes. Mudar de ambiente, de vez em quando, ajuda a motivar e torna o treino mais motivador.

 

Os melhores sítios para treinar

Em setembro, participei na eleição do melhor ginásio de Lisboa, feita pela NiT. Durante várias semanas, três jornalistas, entre eles eu, andaram a treinar em todos os ginásios e a testar tudo e mais alguma coisa. No final, decidimos quais eram os 14 melhores clubes da cidade.

No mês passado, uma outra jornalista da NiT andou a treinar em todas as boxes de CrossFit de Lisboa e também ele fez a eleição da melhor box de CrossFit de Lisboa. Pode ser que ajude nas vossas escolhas.

 

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publicado às 21:08


5 comentários

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De Carla Marques a 03.01.2016 às 23:01

Já tentei 2 vezes ginásio e acabo sempre por desistir. Simplesmente não é para mim.
Detesto o ambiente de ginásio, não tem mesmo nada a ver comigo. mas, a médio prazo quero começar a correr e recomeçar o yoga.
Para já comecei uma dieta passada pela nutricionista para pre diabéticos. Está a correr mais ou menos. Se tiveres dicas para conseguir manter uma dieta pobre em doces e hidratos de carbono, manda vir. :)
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De Anónimo a 04.01.2016 às 10:14

A minha solução para já foi: contratar um PT. So far so good. É caro, mas ajuda a ter resultados e a não desmotivar as idas ao ginásio.
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De Márcia a 04.01.2016 às 10:28

Concordo com tudo, menos com o ponto 7. Treinar no inicio do dia ou no final do dia depende da agenda de cada um, importante é assumir um compromisso.

Para mim é impossível treinar no inicio do dia, faço-o no final do dia. Nos dias do treino deixo de véspera o jantar preparado e esses dias para mim são sagrados, sabem pela vida.

Bons treinos!
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De Célia Lopes a 04.01.2016 às 19:38

Concordo com o treino no inicio do dia.
Treino no final do dia funciona bem para quem gosta mesmo de fazer exercício fisico.
Quem não gosta, acorda com as melhores intenções e estas vão desaparecendo ao longo do dia. No final da tarde, qualquer desculpa vai servir para não treinar.
Detesto treinar e só pela manhã consigo ter sucesso.
Tenho ginásio em casa, acordo, como uma maçã e vou treinar ainda sonolenta. Quando dou por mim, já lá estou e não há desculpas.
(Quando frequentava ginásio fora, acontecia o mesmo, ficando semanas sem aparecer).
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De Helena Alves a 04.01.2016 às 12:31

Deixo uma sugestão: e fazerem o mesmo para o Porto (isto é, lista de ginásios e boxes de crossfit)? :)

Bom Ano!

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