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19
Mai14

Arruadas políticas

por O Arrumadinho

Ao contrário de muita gente, adoro as campanhas eleitorais. São os momentos em que percebemos de forma mais evidente o que é ser político e o que é fazer política para a comunicação social e não para as pessoas. O populismo desce ainda mais em cada um dos candidatos, reduzindo-os muitas vezes a figuras simplesmente patéticas que só enganam quem se quer deixar enganar. Pior do que um político, só mesmo um político em campanha eleitoral. Ainda assim, todo este processo eleitoral diverte-me.

 

Diverte-me ver os candidatos a beijar velhinhas e a apertar a mão a toda a gente que passa na rua, como me divertem os falsos sorrisos e a empatia plástica que tentam mostrar com o povo que raramente querem ouvir, mas que, em campanha, e com as câmaras de televisão em riste, são obrigados a bajular. Nisto não há direita nem esquerda, PSD, CDS ou CDU, são todos iguais, todos cópias em maior ou menor escala, porque todos andam ao mesmo: à caça do voto.

 

Os discursos, noutras alturas técnicos e cheios de dados macroeconómicos, tornam-se, em campanha, lições para meninos de cinco anos, mas lições só com meias verdades. O PSD fala da forma corajosa como conseguiu liderar o País durante a vigência da Troika, realça a recuperação económica, culpa o PS pelo estado a que isto chegou, mas esquece-se do presente, do desemprego alto, da crise de confiança, da perda constante do poder de compra, do défice ainda elevado, dos cortes insuficientes na despesa, do aumento brutal de impostos. O PS culpa o PSD de todos os males do País, aponta tudo o que é negativo nos dias de hoje, realça todos os números que fazem a coligação do governo parecer incompetente, mas esquece, propositadamente, que foi o PS que pediu ajuda à Troika, que foi o PS que deixou o País à beira da bancarrota, que foi o PS que durante estes últimos três anos que não contribuiu com uma ideia decente para ajudar o País a sair da crise. A CDU e o Bloco estão no lugar mais confortável, são os que podem bater em toda a gente, culpar toda a gente e deixar no ar a ideia de que é preciso que se acabe com a alternância, com a dança de cadeiras, e que o País está onde está porque votamos sempre nos mesmos, esquecendo, claro, que não há um só país de ideologia marcadamente comunista que viva numa situação social confortável, não há um país de ideologia comunista com uma classe média forte, sem miséria e pobrezas extremas. 

 

A campanha eleitoral realça todo este lado animalesco e empírico dos políticos, que me fazem rir, porque uma gargalhada de escárnio vale mais do que um insulto. Quando os políticos levam isto da campanha ao extremo e andam com bonés ridículos, acenam ao povo mostrando sovacos suados, distribuem folhetos que já ninguém lê, fazem as tradicionais arruadas como se quisessem saber alguma coisa daquelas pessoas, então, só me posso rir ainda mais.

 

É também em períodos de campanha eleitoral que penso na falta que nos fazia um movimento de cidadania forte, liderado por tecnocratas, pessoas que percebessem efectivamente dos assuntos, e não de política para as televisões, e que nos devolvesse alguma esperança no futuro do País. É que eu olho para as sondagens e vejo o PS na frente, embora com margem mínima comparativamente com o resultado combinado de PSD e CDS, e já me imagino, em 2015, a ter de viver num País liderado por António José Seguro. E não há nada que me abale mais a confiança do que essa visão do inferno.

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publicado às 21:13


5 comentários

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De PMendes a 19.05.2014 às 23:00

Nestas campanhas é como já dizia Bordallo, "batatas com borrego".
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De Ana Rita Varandas a 19.05.2014 às 23:42

Mas sabemos que o povo prefere uma mentira bonita a uma verdade dolorosa!
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De Ana Correia Correia a 20.05.2014 às 07:48

A ideia do Seguro a governar n me atrai nada, mas pior e a ideia de Passos Coelho continuar a destruir!
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De joana a 20.05.2014 às 09:30

Tão simples e diz tudo, a ideia do Sr. Seguro no poder, arrepia-me. Literalmente.

Ainda bem que está de volta, agora que o Expresso "fechou" há pouca opinião merecedora de leitura, felicidades!

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De Anónimo a 20.05.2014 às 11:21

Olha Ricardo, já comigo é diferente nada me abala mais do que pensar na corja de Passos Coelho novamente á frente do País! Isso sim é um autentico inferno para quem vive de um magro salário e é roubado TODOS OS DIAS!! Desculpa mas neste tema não consegues ser isento. Visão do inferno é ver todos os meus direitos que foram duramente conquistados serem estropiados por neoliberais. Se o PS vai conseguir mudar muita coisa? possivelmente não, mas tenho esperança que reponha algumas coisas, como por exemplo a saúde e os direitos dos trabalhadores. Pois para quem tem bons seguros de saúde e os pode pagar, não faz grande diferença, mas para quem precisa mesmo do SNS, faz toda a diferença. A verdade continua a ser a mesma: enquanto não sentires na pele, o que é precisar de cuidados de saúde e não teres, nunca poderás dizer que sabes seja o que for nessa matéria. Podes imaginar mas não sentir o medo...E o medo Ricardo é o pior que o ser humano pode sentir.

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