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18
Jan14

E ao fim de 37 anos, adoeci

por O Arrumadinho

Ora aqui estou eu, vivo, é verdade, mas não muito.

Há uma semana que estou de cama com uma gripe como nunca tive na vida, que me tem proporcionado dias (e sobretudo noites) verdadeiramente memoráveis. Tudo isto ganha uma proporção ainda maior pelo simples facto de eu nunca ter estado doente. E quando digo nunca quero mesmo dizer nunca. Não tenho qualquer memória de algum dia ter estado doente na vida. Nem uma única vez. Já tinha tido um pico de febre há nove anos, que me fez passar uma noite complicada, mas foi só. Nem uma constipação mais forte, nem gripes, nem viroses, rigorosamente nada. Aliás, achava isto um pouco esquisito e já começava a achar que era como o Bruce Willis no "Unbreakable", a quem nunca acontece nada de grave, mas pelos vistos não, pelos vistos não sou feito da fibra que achava — embora continue a achar que sou de uma de óptima qualidade, porque uma semana de doença em 37 anos não é uma má média.

 

Bom, mas esta gripalhada começou a manifestar-se no domingo passado, à tarde, umas horas antes do Benfica-FC Porto. Quando fui para o estádio já ia meio estranho, com dores no corpo, tosse e dores de cabeça. Achei que era do facto de não ter tomado café, e pensei que mal tomasse a coisa passaria. Não passou. Durante o jogo comecei a tremer (e não foi de medo, já que estava cheio de confiança), tive de me tapar até às orelhas, calçar as luvas, enfiar um gorro na cabeça, e mesmo assim continuava a sentir-me mal.

Depois do jogo, fui para casa e enfiei-me na cama. Eram umas 19h. A minha mulher ainda me trouxe uns cereais com leite, mas nem isso fui capaz de comer. Tremia cada vez mais e a cabeça estava a explodir. Basicamente, assim fiquei a noite toda. Tirei a temperatura e tinha 38,5. Não dormi nada de jeito e na segunda de manhã nem conseguia levantar a cabeça da almofada. Tinha coisas para fechar na revista, uma reunião de guionistas, trabalho por acabar e nem os olhos conseguia abrir. Enviei umas mensagens a explicar o sucedido e voltei a enfiar-me na cama. E ali fiquei o dia todo. Só me levantei para ir à casa de banho. Comi uma maçã e bebi um copo de leite. Não conseguia, sequer, comer. Essa noite, de segunda para terça, foi terrível. Acordei a meio da noite completamente encharcado em suor e tive de ir mudar o pijama e mudar a roupa da cama. No dia seguinte, de manhã, estava na mesma. À tarde, fui ao hospital e o médico disse-me que era uma gripe muito comum nesta altura, e que normalmente passa em cinco ou sete dias. Achei aquilo um exagero. Sete dias? Sete dias em casa? Não fazia sentido.

Mais uma noite horrível, desta vez com direito a cinco mudas de roupa. De cada vez que adormecia, acordava pouco tempo depois encharcado em suor. Lá ia eu buscar outro pijama. Às tantas, para não estar sempre a mudar os lençóis da cama, optei por começar a dormir em cima de toalhas de banho, que ia pondo na cama. As almofadas também já estavam ensopadas.

 

Neste estado, e para proteger o Mateus, optámos por levá-lo para casa dos meus sogros. Na quarta-feira, a minha mulher foi lá passar a noite com ele e eu fiquei a penar sozinho. Mas até preferi que assim fosse, para não estar a incomodar e a chatear. Outra noite péssima. E a cada manhã que acordava, sempre com os mesmos sintomas, ficava mais impaciente, sobretudo, porque acreditava que aquela noite iria ser a última desta porcaria. Mas nunca era. Com isto tudo, o pior foi mesmo não conseguir ver televisão ou ler, tais eram as dores de cabeça. Limitava-me a dormir ou a ficar ali na cama a ver as horas a passar. Só a partir de quinta-feira comecei a ver umas coisas na televisão.

 

E eis que chegou o fim-de-semana e ao longo de todo o dia de hoje senti-me rigorosamente na mesma, ou seja, sem grandes melhorias. Só agora, à noite, consegui ter algumas tréguas nas dores de cabeça, mas não paro de tossir e continuo todo entupido. 

Vamos ver como corre o domingo.

 

A todos os que por aqui têm passado, na expectativa de lerem os meus textos, as minhas desculpas.

Vamos ver se a coisa melhora.

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publicado às 22:58


27 comentários

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De Catarina a 18.01.2014 às 23:37

Caramba, foi mesmo de caixão à cova.
Espero que melhores rápido. Esperaste 37 anos mas quando veio não brincou :)
Fica bom depressa.
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De Joana Pimenta a 18.01.2014 às 23:39

As melhoras!
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De Rui Pereira a 18.01.2014 às 23:42

Foi forte! Melhoras.
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De Carla a 18.01.2014 às 23:49

Já vi esse filme cá em casa Arrumadinho... o resultado foi menos uns quilinhos!!! beijinho, as melhoras.
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De Brown Eyes a 18.01.2014 às 23:50

Aqui em minha casa, igual. Eu e a minha filha, mas o diagnóstico ligeiramente mais grave - pneumonia. Antibiótico para as duas, paracetamol, brufen...e as febres aqui ultrapassam os 39º. No caso da minha filha que tem 3 anos, confesso que tem sido uma semana de sustos constantes; mas foi o que nos disseram também, para termos paciência. E também uma semana sem ir trabalhar...:(
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De Ana a 18.01.2014 às 23:52

Deixa lá que não foste só tu. Também andei assim na semana passada. A minha mãe disse-me que não me via assim tão doente desde que tive sarampo (e isso foi com 3 anos de idade). Também acordava a transpirar e também tive quase 39 de febre vários dias. A única variação foi que consegui também arranjar 1 infecção respiratória que me fez ficar por casa mais uns dias (no trabalho só me diziam para estar descansada... estavam era com medo de contaminações, lol ). Mas passou e a tua também vai passar. Melhoras :D
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De Marco a 18.01.2014 às 23:52

Esta é a famosa Gripe A, que surgiu em 2009 e nunca mais nos abandonou. A grande diferença entre esta e a outra, mais tradicional, é que a Gripe A gosta de pessoas jovens e saudáveis (a outra atacava mais velhinhas, a velhaca!).

Temos aqui um belo exemplo.
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De MS a 18.01.2014 às 23:57

Isso não está nada fácil… :(
O importante é que fiques bem o quanto antes!
As melhoras rápidas!
Abraço
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De João Delicado a 19.01.2014 às 00:20

Que grande chatice! Fizeste-me lembrar a última vez que estive de cama. Na altura, aproveitei a ocasião para uma limpeza geral, física e espiritual. Escrevi isto:

Hoje ao acordar, duas coisas impressionaram em Roma. Uma, a luz. A outra, o silêncio. Em particular o contraste do silêncio fez notar como a cidade é habitualmente rumorosa. E, por isso, cansativa. Mas a Mãe Natureza cuida de nós e - sabendo que transtorna os nossos programas - durante a noite decidiu invadir a cidade com um manto branco que emudeceu o bulício mecânico do quotidiano. Transportes parados, trânsito muito condicionado, população aconselhada a ficar em casa. É assim também quando a Mãe Natureza se lembra de nos pôr doentes. Como uma mãe que se senta na cama, a aconchegar-nos, ela diz: "shhh-shhh… agora, nenhuma das tuas preocupações interessa". E obriga-nos a descansar o corpo, para que saboreemos a imobilidade. Faz-nos permanecer no escuro, para que treinemos o olhar interior. Deixa-nos sem apetite, para que simplifiquemos os desejos. Conduz-nos à fragilidade, para que percamos o medo da inutilidade. Ela bem sabe que pomos o nosso valor no quanto nos mexemos, quanto trabalhamos, quanto comemos, quanto comunicamos, quanto vemos, quanto consumimos; mas a Mãe Natureza está atenta e sabe o que tem a fazer para nos trazer de volta à realidade.

[http://verparalemdolhar.blogspot.pt/2012/02/roma-neve-ficar-doente-silencio.html]

As melhoras!!!
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De Mariana a 19.01.2014 às 00:29

Andei assim há umas semanas, mas para piorar foi gripe, amigdalite e faringite. Não passava por nada! Um antibiótico de 12h em 12h que não fez efeito, uma injecção de penicilina das mais fortes que não fez efeito, e um novo antibiótico de 6 em 6 horas que fez efeito e caso não fizesse já tinha a cama de hospital à minha espera com o belo do antibiótico pronto a entrar na veia. Mais de uma semana de cama somente a leite com mel, canja e sopa e 5kg a menos! Nunca na vida tive algo igual.
Pelo que sei andam mesmo bichos fortes e resistentes por aí, tenho sabido de vários casos.
As melhoras.

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