Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]


segunda.jpeg

Nos últimos dias, apareceram fotografias, maquetas e imagens animadas em vários órgãos de informação com aquilo que deverá ser a nova 2ª circular de Lisboa, toda bonitona, cheia de árvores por todo o lado, naquela que é uma das maiores apostas da câmara municipal, com um investimento que deverá rondar os 12 milhões de euros (sem derrapagens).

Vamos lá ver uma coisa: mas para que é que isto serve mesmo? O que é que eu, cidadão lisboeta, ganho realmente com isto? O trânsito vai ficar melhor? Não. Vai passar a haver menos carros a circular? Não. Vai haver um corredor para transportes públicos? Não. Vai haver um corredor para bicicletas? Não. Vai passar a haver uma zona pedonal? Não. Sim, vai ser uma zona mais verde (e é ótimo que haja mais zonas verdes) , mas para que raio é que eu quero uma zona verde numa via rápida em que vou circular sempre de carro, de janelas fechadas, muito proavelmente em filas de para-arranca, com centenas de milhares de carros a poluir o ambiente e a darem-nos cabo dos nervos? Vamos passar a olhar para as árvores verdinhas e vamos relaxar e pensar que, afinal, somos uns privilegiados por vivermos numa cidade tão incrível? Não, não vamos.

 

Lisboa não precisa de gastar 12 milhões de euros para embelezar a 2ª circular, precisa, há muitos anos, de resolver os problemas do trânsito no interior da cidade, precisa de recuperar as milhares de casas abandonadas que tem no centro da cidade, precisa de soluções de arrendamento jovem, precisa de criar condições para que se circule mais e melhor a pé e de bicicleta na cidade, precisa de recuperar monumentos históricos que estão a cair e que continuam ao abandono como o Odeon, o Cinema Paris, o restaurante panorâmico de Monsanto, o pavilhão Carlos Lopes ou o Ateneu. Lisboa precisa de se tornar numa cidade viva depois das sete da tarde, precisa de gente nas ruas a mexer com a Economia, precisa de um Chiado com menos lojas e mais esplanadas, precisa de jovens a viver na cidade, precisa de uma política autárquica que favoreça o regresso das pessoas à cidade, travando a sucessiva migração para os arredores. Lisboa precisa de devolver o rio aos lisboetas, de muito mais espaços de lazer e desporto à beira rio, precisa de reestruturar e repensar toda a zona ribeirinha entre Santa Apolónia e o Parque das Nações e criar uma área à beira Tejo interessante, com coisas a acontecer, espaços verdes para passear, para correr, para brincar com as crianças, passear os cães.

 

Lisboa precisa de parar um momento e pensar nos lisboetas e não apenas nos turistas, nas pessoas que querem ter melhores condições para poder viver em Lisboa, precisa de dar qualidade de vida a quem vive na cidade e ama a cidade. Podia continuar aqui a falar de mil e uma coisas de que Lisboa realmente precisa, mas acho que nem nessa lista entraria essa coisa incrível de tornar a 2ª circular numa zona verde.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:55


25 comentários

Sem imagem de perfil

De Mariana a 14.01.2016 às 16:39

Pessoalmente, como pessoa prestes a acabar o curso e a ingressar no mercado de trabalho, viver em Lisboa não é nem será (num futuro próximo, pelo menos) uma opção. Os preços altíssimos que se praticam na capital tornam esta cidade muito pouco apelativa para jovens em início de carreira. Além disso, eu tenho 21 anos mas o espírito de uma idosa. Quero paz e sossego, lugar onde estacionar a qualquer hora do dia e o stress das filas de trânsito faz-me mal ao coração.
Sem imagem de perfil

De Joana a 15.01.2016 às 10:13

Ou é ao contrário: torna-se mais apelativa para jovens em início de carreira, porque é onde as melhores ofertas profissionais de certas áreas estão concentradas e é onde se podem conseguir melhores salários. Eu fui para o Porto com 22 anos e para Lisboa com 23 e estou cá desde então (tenho 28). Tenho colegas que ficaram na cidade onde estudámos (Coimbra), ou voltaram para as cidades de onde eram e estão desempregados, em estágios profisisonais, a viver em casa dos pais, em quartos arrendados pagos total ou parcialmente pelos pais, ganham o salário mínimo na melhor das hipóteses. Eu ganho 3x o salário mínimo e, no meio destes anos, já trabalhei em 2 sítios em Portugal e outros 2 no estrangeiro, nunca estive desempregada e nunca ganhei menos que isso. Pago mais de renda da casa, mas vou a pé para o trabalho, por isso não gasto nada em carro/transportes. No final do dia, Lisboa é bem mais apelativa para mim, porque sendo um facto que gasto mais, também ganho mais, posso trabalhar em instituições de referência na minha área, estou a construir uma carreira, tenho a minha independência, consigo pagar as contas todas no final no mês e ainda me sobrar para extras, extras esses que aprecio muito mais numa cidade como Lisboa (maior oferta de restaurantes, cinemas, teatro, lojas, eventos, aeroporto para viajar, etc), que se fosse numa cidade pequena. E em Lisboa acho que em cada bairro dá para uma pessoa fazer a "vida de cidade pequena" (se precisar de supermercado, lavandaria, cabeleireiro, mercearia, talho, banco, loja chinesa, etc... tenho isso tudo num raio de 5min a pé de minha casa ou do trabalho e trato de tudo ali). Eventualmente vejo-me a voltar para uma cidade mais pequena quando for mais velha, mas para já, Lisboa ainda é bastante apelativa (embora ache que a cidade tem muito a melhorar numa série de aspectos e não é a minha cidade preferida para viver, já vivi no estrangeiro noutras capitais europeias onde tinha ainda mais qualidade de vida) :)
Sem imagem de perfil

De claudia cunha a 14.01.2016 às 16:45

Mai nadaaaa... Quem fala assim não é GAGO;) Apoiado a 100%. Arrumadinho à Presidência;)
Imagem de perfil

De Psicogata a 14.01.2016 às 16:52

Mudava uns quantos nomes e faria o mesmo no Porto!
Sem imagem de perfil

De Hélder Oliveira a 14.01.2016 às 16:53

A minha opinião sincera e honesta: deviam preocupar-se mais com o ambiente e não tanto com as vossas necessidades.
Imagem de perfil

De O Arrumadinho a 14.01.2016 às 17:12

Caro Helder. É precisamente por me preocupar com o ambiente que acho que Lisboa devia ter mais zonas verdes, mas não na segunda circular. É por me preocupar com o ambiente que defendo uma política urbana que crie mais soluções para mobilidade de bicicleta e a pé. É por me preocupar com o ambiente que acho que se devia repensar o trânsito dentro da cidade e toda a zona ribeirinha (dominada por uma linha de comboio, contentores e armazéns), onde defendo que sejam construídas áreas de lazer, com jardins, infraestruturas desportivas e locais onde se possa passear a pé, de bicicleta, passear com os cães ou brincar com os miúdos. É possível conciliar a preocupação ambiental com o bem-estar das pessoas.
Sem imagem de perfil

De Olissipo a 31.01.2016 às 20:49

... Concordo com o seu comentário... e com o estilo... é mesmo o que voçe diz que os "imbecis" da CMLisboa não querem ver... querem impor um estilo sem consultar a opinião dos legitimos... os utilizadores... já no Mq de Pombal... o transito muito mais dificil... beneficios não encontro... e a obra está mal desenhada... com faixas de rodagem estreitas demais para autocarros... O seu comentário é o meu... esta furia de agradar á custa de espaços verdes nos piores lugares parece doentia...
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 01.02.2016 às 08:19

Esqueçamos então toda a parte econômica associada a essa "palermice" de comboio, contentores e armazens. Sim, o que falta em Lisboa é área para ir correr e postar selfies... Porque a imensidão de território junto ao rio não basta. Acabemos então, porque sim, com aquela frente riberinha que ainda persiste em ser um pólo portuário activo. Somos um país rico e, essencialmente, uma cidade rica que quer e deve ter é frente rio para atividades ludicas. Ou melhor, ter só atividades ludicas.
não se queixem depois quando o iphone sabe deus que numero ficar muito caro, porque a carga teve de ser toda desviada de Lisboa e, nesse sentido, encareceu todos os produtos que consumimos, desde o leite até ao tablet.
acho que o nokia antigo tira boas fotos!
Sem imagem de perfil

De Filipa a 14.01.2016 às 17:46

Apoiado arrumadinho! É que é isso mesmo!
Sem imagem de perfil

De Crónicas de um açoriano a 14.01.2016 às 17:46

Estou muito longe de Lisboa, mas é uma cidade de que gosto muito.
As ideias explanadas no texto fazem todo o sentido, seja para Lisboa ou para outra qualquer cidade portuguesa, que de uma forma ou de outra, padecem todas do mesmo mal. Fortemente vocacionadas para receberem automóveis, em vez das pessoas. É que parecendo, não é bem a mesma coisa.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 14.01.2016 às 18:06

As árvores na 2ª circular podem servir mesmo para um ar mais puro. Mas acho que seria muito mais interessante outro tipo de iniciativas que cuidassem de ambiente de outra forma... até, por exemplo, o tal "central park" na antiga feira popular!
Sem imagem de perfil

De Bip a 14.01.2016 às 18:08

As àrvores trariam melhorias indiscutíveis a nível da poluição atmosférica e ao nível do ruído. Se isto deve ou não ser uma prioridade, se vai contribuir muito, pouco ou nada para a melhoria da qualidade de vida dos lisboetas isso é relativo é muito discutível....
Sem imagem de perfil

De Mundos Mudos a 14.01.2016 às 19:22

Sinto o mesmo com Cascais, sítio onde vivo desde sempre. A vila aposta cada vez mais no turismo e nos grandes eventos, menosprezando a qualidade de vida de quem ali habita e trabalha.
Sem imagem de perfil

De Raquel a 14.01.2016 às 22:45

Concordo contigo Arrumadinho. Penso que temos problemas mais graves e mais urgentes para resolver. No entanto, também me parece que esta via (infernal em certos momentos do dia) seja um assunto que tivesse, mais dia ou menos dia, que ser resolvido. Aquilo que eu penso, e o que o torna grave é a falta de alternativas, vejamos: deixa de haver três faixas e passa a haver duas, passa-se de 80 km/h para 60 km/h, até aqui muito bem. Agora pergunto-me, onde é que esta gente pensa colocar os carros que passam todos os dias na 2ª circular? Os carros não vão desaparecer só porque se meteu lá umas árvores! Aquilo que a mim me assusta é a falta de alternativas à 2ª circular! E que tal, antes de colocarem as árvores, tentar tirar algum trânsito de lá? Talvez se não taxassem a CREL ou a A5 a coisa pudesse suavizar. E depois sim, talvez esta proposta para a 2ª circular fizesse mais sentido. Esta história faz-me lembrar a brilhante ideia do querido António Costa quando decidiu tirar os carros de anos inferiores a 1996 e 2000, do centro de Lisboa. Primeiro, criaram uma rede de transportes eficaz? Não. Criaram estacionamento para que as pessoas pudessem deixar os carros e se deslocarem de transportes ou a pé? Não. O que é certo é que, se estas pessoas têm carros com estas idades é porque provavelmente não têm dinheiro para comprar mais novos. Só mais umas pergunta, houve redução do Imposto Único de Circulação (uma vez que estes carros ficaram proibidos de circular em determinadas faixas)? Não.
Penso que tantos os carros como a 2ª circular seriam boas medidas se houvessem cabeças a pensar em alternativas eficazes que facilitassem a vida dos portugueses em vez a dificultarem.
Sem imagem de perfil

De T. a 15.01.2016 às 13:56

Este comentário reflecte e muito bem o método utilizado em muitas, para não dizer todas, as medidas pró-ambiente implementadas no país...Começa-se sempre pelo fim! Começa-se pelas cobranças, pelas proibições, por tudo o que traga "resultados" visíveis e de preferência com dinheiro atrás. Primeiro deviam ser criadas as infraestruturas - as ciclovias, os transportes, os parques periféricos, etc, etc, etc, e depois sim, quem continuasse não querer aderir aos novos tempos, seria taxado e afins...Posso dizer que vivi um ano em Londres, onde NUNCA precisei de um carro. Já em Lisboa não preciso de dizer mais nada...

PS. Não gosto nada destas comparações com o estrangeiro, que muitas vezes só alimentam esta nossa "mania" da pequenez, mas tinha mesmo de utilizar este exemplo gritante..
Sem imagem de perfil

De Sofia a 15.01.2016 às 15:57

Eu já vivi em Braga, Porto, Coimbra, Lisboa, Bruxelas, Barcelona e Antuérpia e nunca, em nenhuma destas cidades, precisei de um carro :) numa cidade média/grande haverá sempre opções para quem não queira precisar de carro, é uma questão de fazer determinadas escolhas para esse fim.

Comentar post


Pág. 1/2




A minha segunda casa


Sigam-me


Os meus livros


Sigam-me no SAPO

foto do autor


Coisas mais antigas

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D




Google Analytics



SAPO Blogs