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17
Jun15

O estádio de Hitler

A um quilómetro de distância já se sente o peso do Estádio Olímpico de Berlim, onde se jogou a final da Champions. Quando ia no autocarro não conseguia deixar de pensar na história por detrás daquele monumento construído por Hitler entre 1933 e 1936 como demonstração do poderio nazi. O estádio foi a sede dos Jogos Olímpicos de 1936, dos mais marcantes de sempre, e recheados de episódios caricatos, tristes e de luta. Foi neste estádio que o negro Jesse Owens ergueu o punho de vitória com Hitler nas bancadas, uma forma de demonstrar a revolta contra o regime nazi que quis proibir a entrada de negros e judeus nos Jogos Olímpicos, e que só recuou depois de uma ameaça de vários países que garantiram que se Hitler não voltasse atrás na decisão iriam boicotar os Jogos. Foi também neste estádio que Hitler discursou muitas vezes aos alemães e era aqui que muitas vezes reunia 100 mil berlinenses para ouvir deles uma aclamação ao seu ego e ao regime nazi. 

Hoje, por fora, o Estádio Olímpico está praticamente igual ao que era em 1936. Na Segunda Guerra Mundial, as tropas aliadas pouparam o recinto aos bombardeamentos porque necessitavam do espaço para acolher feridos e, por isso, o estádio ficou intacto. Foi todo recuperado em 2004, perdeu 30 dos 100 mil lugares, mas, hoje, continua imponente. Foi de lá que vi o meu Barça despachar a Juventus por 3-1.

Estádio02.JPG

 Tenho muito orgulho nesta minha foto do imponente e histórico Estádio Olímpico de Berlim

Estádio01.JPG

Fiquei mesmo ao lado da claque do meu Barça — foi incrível 

Passear que é bom, nada

Com isto tudo, não me sobrou tempo nenhum para passear por Belim, para conhecer melhor a cidade, para ir aos mil e um sítios a que queria mesmo ir. Andei dois dias a recolher dicas, a ler coisas, a fazer planos, para depois ter apenas a manhã de domingo para andar pela cidade (tinha de sair do hotel no domingo às 12h45). 

Acordei bem cedo e às 8 horas já estava a apanhar um táxi para a zona leste, a antiga Berlim Oriental. Comecei em Alaxanderplatz e vim a pé até à parte ocidental. Passei pelo resto do muro que dividia a cidade, andei pelas ruas sem destino, apenas a conhecer, a tentar perder-me de propósito, e sem mapa, porque muitas vezes é assim que se encontram coisas magníficas. Não consegui ir ao portão de Brandemburgo, mas senti um pouco do que é Berlim, da vida, da história, do peso da cidade. É incrível como se percebe tão facilmente se estamos na zona Este ou Oeste, mesmo 25 anos depois da queda do muro. Claro, soube-me a muito pouco. É uma cidade a voltar, com calma, paciência e sobretudo tempo.

Esta viagem foi feita a convite da Nike.

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publicado às 21:41


2 comentários

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De A Pipoca Arrumadinha a 19.06.2015 às 15:28

Grandes momentos!
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De Mafalda Pratas a 20.06.2015 às 12:09

Uma correcção: Owens nunca levantou o punho em Berlim. Muitos consideram que as suas 4 medalhas de ouro foram incómodas para Hitler e para a Alemanha Nazi, visto que desacreditavam a teoria da superioridade da "raça" ariana.

No entanto, Jesse Owens nunca tomou nenhuma posição especial contra Hitler. Na sua biografia inclusivé escreveu que era a indiferença de Roosevelt, e não de Hitler, que o incomodava, visto que o presidente americano nunca o convidou ou cumprimentou. A América era altamente segregada.

Quem levantou o punho na cerimónia de entrega de medalhas olímpicas foi sim Tommie Smith e John Carlos, nos Jogos de 1968 (altura do movimento dos direitos civis), no que ficou conhecido como o "1968 Black Power Salute." Mas Owens, curiosamente, reprovou a atitude dos seus colegas negros em 1968, dizendo que para ele, aquele gesto havia sido insignificante.

Abraço!

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