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16
Abr15

Há uns anos tomei uma decisão que mudou a minha vida: desinstalei o Championship Manager do computador. Para quem não sabe, o CM (não confundir com o "Correio da Manhã") era o jogo de computador mais viciante do mundo, um jogo de estratégia que nos permitia orientarmos uma equipa de futebol de qualquer campeonato e liderá-la durante épocas e mais épocas. Aquilo era uma droga autêntica que me consumia horas, que me deixava a sonhar com transferências e táticas, que me levava a acordar mais cedo para poder jogar, que me levava a noitadas até às cinco da manhã a jogar. 

football-manager-2015-logo.jpg

 

 

Houve um dia em que percebi que estava agarrado, que precisava de me reabilitar, de fazer qualquer coisa para não me perder para a vida social. Então, muito a custo, quase com lágrimas, desinstalei o jogo. Apaguei-o sem remorsos, num ato de salvação pessoal. Entretanto, o Championship Manager mudou de nome, passou a ser Football Manager, e já teve mais umas 10 edições. Resisti até hoje. 

Se fizesse parte do grupo de ajuda Championship Manager Anónimos já teria as chapinhas suficientes que me garantiriam o estatuto de recuperado para a sociedade.

Há dias, o meu irmão, o meu próprio irmão, recaiu. Contou-me assim, de chofre.

— Tenho de te contar uma coisa.

— O que foi?

— Passei o fim-de-semana todo em casa.

— Então? A fazer o quê?

— Comprei o Football Manager. Estou agarrado àquilo.

Ele já sabia que isso acontecer. Sabia porque passou mais ou menos o mesmo que eu, porque já esteve agarrado àquela droga, mas depois conseguiu sair, libertou-se, acompanhou o vício à distância, viu outros a consumir, sentiu-se tentato, mas nunca deu o passo. Até agora.

— Mas há mais. Também comprei a versão para o iPhone. Já vou na época 2018. Fui campeão europeu com o Benfica.

Não lhe bastava ter o vício em casa, teve de o arrastar para todos os momentos, o trabalho, os almoços, jantares, conversas de amigos. A vida decorre à mesma velocidade que as épocas do Football Manager.

Este tipo de coisas não se aplica só aos homens. As mulheres também podem ter as suas drogas, e a que tenho aqui ao lado também recaiu há dias. E recaiu da pior das formas: agarrou-se a uma novela.

Por razões profissionais, tento sempre acompanhar os primeiros episódios das novelas. Sou guionista, já escrevi uma novela, já trabalhei na equipa do "Bem-Vindos a Beirais", por isso, gosto de estar atento ao trabalho dos meus colegas. Há umas semanas, sentei-me no sofá com a minha mulher para vermos a estreia da "Única Mulher". Eu queria perceber o argumento, o desenvolvimento das dramas, a consistência das personagens, os ganchos nas histórias. A minha mulher queria apenas ver como é que se ia sair a Ana Sofia, que é um amor de pessoa, e que na última vez que estive com ela me confessou que adoraria lançar-se como atriz. Vimos o primeiro episódio. Depois o segundo, o terceiro. Eu parei. Parei a tempo. Sei que uma novela pode ter o efeito Championship Manager nas pessoas, aquilo pode agarrar-nos, pode prender-nos à televisão mesmo que estejamos perante um rol de péssimos atores, de uma história pouco credível e de uma catrefada de clichés (nem tudo se aplica à "Última Mulher"). Eu parei, ela não parou. Dei por nós a chegar à cama e a vê-la a procurar na box do MEO a novela, para pôr aquilo do início. O mais grave é que aquilo começou há menos de um mês, por isso, vou ter mais uns quatro ou cinco meses disto. E eu já não aguento ouvir o Anselmo Ralph.

A única coisa que pergunto é: mas porque é que dão o passo? Porquê?

a-única-mulher.jpg

 

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publicado às 21:38


14 comentários

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De A Pipoca Arrumadinha a 16.04.2015 às 22:21

Porque sim apenas isso!
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De Marisa Ribeiro a 16.04.2015 às 22:34

Do vício das novelas livrei-me há já alguns anos. Atualmente ando mais virada para algumas séries do AXN e da Fox. E todas as semanas espero religiosamente que seja disponibilizado (na internet) mais um episódio de "Once Upon a Time". Vai na 4a temporada e está cada vez melhor. Em termos de jogos, ja me passou (aleluia!) a febre do Candy Crush, Farmheroes e Perguntados. Anyway, sabe bem o regresso do Arrumadinho aos posts. :)
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De stantans a 16.04.2015 às 23:19

ahah estou igual à Pipoca. Há anos que não via uma novela, comecei a ver a Única Mulher só por curiosidade de ver Angola e os atores, com intenções de deixar ao fim da primeira semana, e continuo agarrada até hoje, apesar de ser uma historinha mais do mesmo
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De Rita a 16.04.2015 às 23:31

Muito raramente acompanho uma novela (nem me lembro da última que segui do princípio ao fim) precisamente porque acho os enredos sempre iguais, representados (quase) sempre pelos mesmos actores. Dito isto, vi os primeiros episódios da Única Mulher e até pensei que ia ser desta que ia acompanhar a história: tinha paisagens maravilhosas, histórias interessantes e argumentos MUITO fortes (aka Bruno Cabrerizo...), mas o interesse durou pouco. Rapidamente introduziram os enredos ultra-cliché (marido com a secretária, descobrir que afinal são adoptados, esquemas dos pais para acabar as relações dos filhos, etc), e a repetição incessante das mesmas 5 músicas em todos os episódios é insuportável! É mais uma novela igual às outras.
Nunca me viciei em jogos, mas se falarmos em séries a conversa já é outra. Sempre que descubro uma série que me agarre perco umas quantas horas de sono à sua custa!
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De Janeiro em Paris a 17.04.2015 às 09:50

Eu nem sou de ver novelas mas tenho que confessar que fiquei viciada nessa!
Ah! E o meu namorado também é um bocado viciado em FM, às vezes intercala com o PES, mas não resiste ahahah
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De Marquês a 17.04.2015 às 10:20

Também estou em fase de recuperação. A edição de 2015 é o primeiro FM que não joguei desde 2003... Mas, de duas em duas semanas, ainda caio na tentação de jogar um pouco no anterior. Não sei até quando vou aguentar.
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De Niki a 17.04.2015 às 10:38

Epa isso é o mesmo que eu ter fome e em vez do iogurte ir comer um bolo, mas porquê... porquê se eu sei que é só uma partida do meu cérebro de pedir mais açúcar e ficar ainda mais viciado, pois não sei... só sei que sou muito fraca... tal como as pessoas com os jogos, séries, novelas e jogos de telemóvel e afins...
Estamos ali num momento de ah n tenho nada para fazer, hmm isto parece giro... mas... não vou convidar um amigo para um café... hmm mas isto é mesmo fixe... ok vou só experimentar e pau já estamos no vicio...
Comigo foi o candy crash saga... ignorei durante meses, até que por curiosidade quis saber o porque de as pessoas andarem agarradas aquilo e puff agarrei-me.
SIMS é outro que tenho de fugir, passei a vida adolescente e jovem adulta naquilo... até ter uma filha lol...
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De Rute a 17.04.2015 às 10:48

Qual foi a novela que escreveste?
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De Rafa a 17.04.2015 às 12:24

Pois... também me deu para me agarrar à novela, pelo menos, enquanto estou em Portugal, mas acaba por ser muito fraquinha, principalmente aquele núcleo angolano.
Lembram-se de ver o Paulo Pires, há quase uns 20 anos, a entrar na novela Salsa e Merengue, a contracenar com todos os actores brasileiros famosos e nós sentirmos uma pontinha de vergonha nacional porque, embora ele fosse um homem bonito, era muito mau actor e envergonhava-nos enquanto povo? Pois, é a mesma coisa que se passa nas cenas entre os actores angolanos e os portugueses. Os actores portugueses são os novos actores brasileiros. E os actores angolanos são os actores portugueses de há 30 anos.

A Única Mulher já me deu uma boa crónica no blogue, pelo menos. :)
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De AComentadora a 17.04.2015 às 14:32

Eu sou mais assim com as séries quando encontro uma que gosto devoro-a completamente estou sempre há espera de mais um episódio, agora opto até por não começar a ver tantas juntas senão já sei o que acontece.

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