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22
Mai14

O Manuel Palito

por O Arrumadinho

Há duas semanas, andei por Valongo dos Azeites, Trevões e São João da Pesqueira a tentar conhecer melhor a vida de Manuel Baltazar, o homem que, então, andava fugido há 20 dias, depois de ter assassinado a mãe e a tia da ex-mulher. Escrevi uma reportagem para a Sábado, que foi publicada na semana passada.

Agora, que Manuel Baltazar foi capturado, deixo aqui uma versão alargada do que escrevi, com muito mais detalhes, e sem os limites de espaço que o papel nos impõe. Não fui atrás dos detalhes do crime, nem do sangue, fui atrás das pessoas, das vidas como elas são num Portugal que nem sempre as pessoas conhecem, porque é o Portugal que aparece pouco nas televisão. 

Aqui fica a reportagem completa:

 

Aos 18 anos, Maria Angelina era a rapariga mais desejada de Trevões e Valongo dos Azeites. Solteira, filha única de um casal com boas terras e bem formada, com a quarta classe feita, tinha características difíceis de encontrar na região, mas não era isso que a tornava especial. “Era cá uma passarinha. Linda, linda. Não havia igual”, recorda Domingos Jesus, 60 anos, amigo do homem que na altura andava de olho nela, Manuel Baltazar, rapaz magro, mas “cheio de conversa”, e que já respondia pela alcunha de “Palito”. Trinta e seis anos depois, Manuel viria a tornar-se conhecido em todo o País por causa deste amor. Terá sido ele que, a 17 de Abril, às 16h35, desgarregou cinco cartuchos de uma caçadeira em cima de Maria, ferindo-a numa perna, Sónia, a filha de ambos, ferindo-a nas costas, Maria Lina e Elisa Barros, mãe e tia de Maria, matando-as. Desde esse dia que Manuel “Palito” Baltazar está fugido. Andará pelas matas e florestas nas redondezas de Trevões e Valongo dos Azeites, sítios que conhece como poucos. Em finais dos anos 70, num desses terrenos, conheceu a mulher por quem se apaixonou de forma doentia, levando-o, após o divórcio, a um estado de desequilíbrio, como confirmam quase todos os amigos. Como quase todas as histórias que acabam mal, esta começou bem.

 

Foi na apanha da azeitona que cruzaram os primeiros olhares. “Os pais dela iam para as terras e levavam-na. Foi assim que eles se conheceram”, conta Miquelina Canelas, 73 anos, casada com António Canelas, 80, ainda hoje os melhores amigos de Manuel Baltazar.

Não demorou muito até os olhares passarem a um namoro discreto. Acácio Félix, o pai de Maria Angelina, desconfiava do rapaz, mas não se intrometia. “Ele queria era que o Manuel desse boa estima à filha”, lembra a dona Neoménia, 81 anos, que vivia porta com porta com a família Baltazar e que se lembra de ver Manuel nascer.

 

Quando Manuel “Palito” pediu Maria Angelina em casamento foi só isso que os pais dela lhe pediram, que estimasse a filha. Foi o que ele fez durante os primeiros meses. “Eram um casal muito feliz, sempre aí nos bailes”, recorda Domingos Jesus, amigo do casal.

Até que um acidente mudou a vida de Manuel e Maria. Numa tarde de Inverno de 1979, meses após o casamento, os pais de Manuel foram com um casal amigo até ao Peso da Régua, a 50 quilómetros de Trevões, onde viviam. No regresso, uma pedra enorme rolou por uma ribanceira nas margens do Rio Torto e caiu em cima do carro, matando os quatro. A tragédia abalou Manuel, o mais velho de sete irmãos, alguns deles muito pequenos, e alterou profundamente a dinâmica do casal, que passou a ter de educar as seis crianças. “A partir desse momento, a Maria passou a ser mãe dos irmãos dele. Os rapazes ficaram órfãos e foi ela que lhe deu a mão”, recorda Miquelina Canela.

De um dia para o outro, o casal passou a ter de alimentar muitas bocas, e o dinheiro, que parecia mais do que suficiente para os dois, passou a parecer pouco. Manuel viu-se então obrigado a procurar um trabalho que lhe permitisse ter rendimentos melhores. A morte do pai de Maria, Acácio, fez com que ele passasse a tomar conta das terras da família dela, mas mesmo assim o dinheiro não chegava, sequer, para construírem uma casa maior e com mais condições. “Continuavam a viver na casa dos pais dele, que não era muito grande, mas ia dando”, lembra a vizinha Neoménia.

 

Embora fosse ainda muito novo, o mais velho dos irmãos de Manuel “Palito”, António, teve oportunidade de ir trabalhar para um projecto de construção civil na Líbia. Falou disso ao irmão e Manuel viu ali uma oportunidade de poder ir para fora ganhar um dinheiro extra. Falou com a mulher e Maria aceitou ficar a tomar conta das terras enquanto Manuel tentava a sorte em África. “Eles foram os dois e nós ficámos cá todos”, diz um dos irmãos mais novos, Mário Baltazar, que ainda hoje vive numa casa em frente àquela onde morava com Maria, Manuel e os outros irmãos. A única rapariga do grupo, Maria, acabou por sair de casa e foi viver para o Porto, deixando os rapazes com a cunhada, que continuou a educá-los.

 

Manuel voltou da Líbia com o bolso cheio de notas e, mais importante do que isso, com conhecimentos de construção civil. “Foi lá na Líbia que ele aprendeu a construir casas. Com o dinheiro que trouxe começou logo a pensar em fazer uma nova para a família”, diz o irmão Mário.

Só que o dinheiro não deu para tudo. O terreno era da família, parte do material estava comprado, mas faltava o resto. A única solução foi a de tentar nova aventura lá fora. “Ele foi primeiro para França e depois fez vários contratos na Suíça”. Maria é que começou a não achar muita graça a ter de tratar de tudo sozinha em Portugal. “Ela andava nas terras, cuidava dos irmãos dele e depois ficava chateada porque ele vinha a Portugal e fazia vida boa, sem a ajudar em nada”. Os primeiros grandes conflitos do casal nasceram daí. “Ele nem era muito de beber, mas nas alturas em que vinha cá andava aí nos bailes e gostava de brincadeira, era ‘zirigoto’”, recorda, a rir, o amigo Domingos, que chegou a acompanhá-lo algumas vezes. A mãe de Maria, Maria Lina, também não gostava nada de ver a filha a trabalhar dia e noite, em casa e nas terras, e o marido sem a ajudar. “Foi a partir daí que a sogra começou a meter-se mais na vida deles, e o Palito não gostava nada disso”, conta um amigo de Baltazar, que prefere não se identificar. “Ele e a velha davam-se mal”.

 

A vida do casal deu outra volta quando Manuel decidiu instalar-se de vez em Trevões e terminar o projecto da casa da família. Nessa altura, já os irmãos tinham ido cada um à sua vida. Fernando, Carlos e José Baltazar foram para França, onde casaram e hoje vivem longe da família. “Vêm cá às vezes em Agosto, mas nem é todos os anos”, diz Mário, que ficou por Trevões e hoje pouco contacta com estes três irmãos.

Manuel teve ajuda de Mário e António na construção da casa. Enquanto as obras decorriam, Maria engravidou. Sónia Baltazar nasceu quando a vivenda já estava de pé.

 

Já sem os irmãos em casa, Manuel dedicou-se ao trabalho nas terras e a terminar a construção da casa. A caça era o refúgio preferido de Manuel. “Era talvez o melhor caçador aqui da região”, recorda António Canela, que o acompanhou muitas vezes. “A especialidade dele era o javali”, afirma o amigo Domingos. “Ele foi feito para andar aos recos”, reforça Miquelina Canela. A técnica para os apanhar era sempre a mesma. “Subia a pontos altos e ficava a observar lá de cima. Quando avistava um, conseguia ver para onde ia e apanhava-o. Atirava muito bem”, diz um amigo que comandava um grupo de caçadores da zona do qual Manuel “Palito” fazia parte. “Ele ai sempre à frente. Conhecia a mata como ninguém. Nós chamávamos-lhe o Piloto por causa disso”. Este mesmo amigo garante que é por isso que as autoridades não o conseguem capturar. “Ele sobe a pontos altos e está a ver tudo o que se passa cá em baixo. Se eles vêm por um sítio, ele foge para outro. Eles teriam de andar aí 40 anos na mata para a conhecerem tão bem como ele”.

 

Uns anos depois, e com a vida do casal já estabilizada, com a casa construída e os terrenos a render um bom dinheiro, Maria e Manuel tiveram outro filho, Rui. “O Manuel adorava o rapaz. Assim que ele ficou maiorzinho levou-o logo para a caça”, conta Mário Baltazar, irmão de Manuel “Palito”. Ensinou o filho o atirar e ganhou ali um novo companheiro para as grandes caçadas. “Eles iam para todo o lado. Conheciam tudo, desde aqui até Penedono. Não há mata por onde não tenham andado”, diz o amigo caçador que não se identifica por medo de eventuais represálias. “Ele anda armado, nunca se sabe, não é?”. Maria é que nunca se encantou por caça, mas adorava passear a cavalo. “O Palito comprou-lhe um cavalo muito bonito, branco, daqueles de patas largas. Muitas vezes andavam por aí a passear no cavalo, às vezes ela, às vezes ele. Por isso é que a GNR não ganha nada em andar aí a fazer buscas a cavalo. Ele sabe perfeitamente por onde é que os cavalos conseguem andar e por onde não entram, porque ele também já andou naquelas terras a cavalo”, explica o mesmo amigo.

 

 A vida a dois entrou então numa fase mais rotineira. Educar os filhos, trabalhar nas terras, ir às feiras, comer fora muito de vez em quando e pouco mais. “Nem férias tinham. Nunca saíam de Trevões. Só assim muito de vez em quando é que iam até ao Porto, ou isso, mas era só um dia ou dois”, conta o amigo Domingos. Em 1998, a mãe de Maria Angelina, herdeira dos terrenos do marido, alugou ao genro Manuel “Palito”, por um período de 20 anos, um lote importante de terra, para ele poder explorar. Os rendimentos da família aumentaram e, uns anos depois, Manuel conseguiu comprar um carro novo, um Toyota Azul que o deixava muito vaidoso. “Palito” passeava-se no carro para a frente e para trás e gostava que olhassem para ele com respeito e vaidade do seu sucesso. Não gostava nada era que olhassem para a sua mulher, mas por razões diferentes. “A Maria era uma coisinha muito boa, claro que os homens olhavam todos para ela”, conta Domingos Jesus. “Ele tinha ciúmes, pois claro”.

 

O comportamento de Manuel começou a tornar-se mais obsessivo em relação à mulher. Começaram as desconfianças e os conflitos. “Não me lembro de alguma vez se ter dito que ele lhe batia, só que às vezes falavam assim mais feio, mas isso acontece em todas as casas”, afirma o melhor amigo de Manuel “Palito”, António Canela. As discussões começaram a tomar conta do dia-a-dia do casal, que começou a afastar-se. Ainda assim, Maria nunca deu sinais de querer deixar o marido. “Ela esteve sempre do lado dele. E teve muita coragem. Cuidou dos irmãos dele desde crianças e suportou muita coisa que só ela é que sabe”, conta a vizinha Neoménia. Os filhos do casal é que não aceitavam bem a forma como o pai tratava a mãe e, frequentemente, colocavam-se do lado dela, defendendo-a. Também os irmãos de Manuel não gostavam de saber que Maria era maltratada por Manuel. “Ela era quase como nossa mãe. Foi ela que nos criou”, diz Mário Baltazar.

 

Em 2009, no final do Verão, Manuel “Palito” e Maria Angelina estavam numa fase de quase ruptura. Ainda assim, continuavam a tratar das terras em conjunto. Na altura, um casal amigo, de Trevões, trocava ajudas com eles. “Eles trabalhavam os quatro nas terras uns dos outros. Ajudavam-se e eram muito amigos”. Um dia, o amigo de Manuel adoeceu e deixou de poder ajudar nas terras. Manuel começou a visitá-lo todos os dias. “A Maria começou a achar aquilo estranho. Não era normal ele ir ver o amigo todos os dias. Ela seguiu-o. Ele entrou na casa deles e ela foi atrás. Quando ela abre a porta do quarto está o Manuel a esfregar-se na mulher do outro”, conta Domingos Jesus. António Canela, o melhor amigo de Manuel, ri-se quando lhe falam dessa história. “É verdade. A Maria ficou doente”.

 

Foi a motivação que faltava para que Maria Angelina avançasse com o pedido de divórcio, e foi também o ponto de viragem na vida de Manuel “Palito” Baltazar.

 

Maria saiu de casa e foi viver com a mãe para Valongo dos Azeites, a cinco quilómetros de Trevões. A filha, Sónia, foi com ela. Manuel ficou com o filho Rui. “Vinham comer quase todos os dias ao meu restaurante”, recorda o senhor Osvaldo, proprietário do café “O Nacional”, em Valongo dos Azeites. “Éramos muito amigos”. No dia de Natal, Manuel e Rui preparavam-se para passar a consoada sozinhos em Trevões. “Eu disse-lhe não senhor, que onde comem 10 também comem 12. E levei-os para minha casa. O Palito ainda quis pagar, mas eu não aceitei”.

O comportamento cada vez mais alterado de Manuel começou a afastar o filho, que não gostava de o ouvir falar em vingar-se da mãe. “O rapaz ainda esteve algum tempo com o pai, mas depois também se chateou com ele”, diz Mário,  irmão de Manuel.

 

“Foi a partir daí que ele ficou avariado”. Manuel começou a ter comportamentos violentos e vingativos. Perseguia a mulher, fazia tudo para tentar convencê-la a voltar para ele, mas Maria não o queria ver nem perto. Decidiu queixar-se à GNR. “Ele foi preso e ainda esteve na cadeia uns oito dias”, conta o irmão Mário. Quando foi libertado, Manuel trazia uma pulseira electrónica e um aparelho que apitava sempre que ele se chegava a menos de 400 metros de Maria. A mulher tinha um igual, e as autoridades também, para fazerem o controlo de possíveis violações desse perímetro.

 

Manuel lidou muito mal com esta medida preventiva, e tornou-se ainda mais violento. Um dia, a filha do casal, Sónia, estava a pôr flores na campa dos avós quando o pai foi ter com ela para saber da mãe. A filha não quis dar informações e Manuel começou a bater-lhe. “Ela gritou a pedir ajuda e eu fui lá socorrê-la”, lembra Filomena Baltazar, mulher de Mário. “Sobrou para mim. Também me agrediu. Depois voltei aqui para Trevões e ele ainda me apanhou outra vez. Apertou-me o pescoço e estava a sufocar. Se não fosse uma vizinha a acudir-me acho que ele me matava”. Filomena quis apresentar queixa do cunhado, mas o marido não deixou. “Pedi-lhe para não o fazer porque senão prendiam-no de vez”, explica Mário, hoje arrependido do que fez.

 

Por diversas vezes, Manuel repetia que se queria vingar da mulher, mas também da sogra e da tia de Maria, Elisa, que lhe dava abrigo. “Ele dizia que eram elas que o agulhavam contra ele. Lembro-me de ele dizer da Elisa: ‘Se aquela passarinha anda a meter-se no meu ninho eu vou dar cabo do ninho dela’”, conta Domingos Jesus.

 

O processo de divórcio, litigioso, durou vários anos a ficar concluído, e saiu apenas em 2012. Ainda assim, Manuel nunca mais desistiu de Maria. A pulseira electrónica impedia-o de se aproximar dela, mas foram dezenas os alertas dados pelo aparelho que controlava o perímetro. Muitos desses alertas eram, dizia Manuel, falsos. “A casa onde a Maria estava ficava a menos de 400 metros da estrada principal. De cada vez que ele passava ali de carro aquilo apitava”. As autoridades recebiam, por isso, diversos alertas, bem como Maria. “Ela às tantas deixou de ligar àquilo, porque era só ele a passar na estrada”, conta António Canela, amigo de Manuel, que vive a 30 metros da casa onde ocorreu o crime.

Foi por isso sem medo que, a 17 de Abril, pouco depois das 16h30, Maria ouviu o seu aparelho apitar pela última vez.

 

Manuel acordou cedo nesse dia. Combinou encontrar-se com o novo advogado, Manuel Rodrigues, na estrada de Valongo dos Azeites. Queria provar-lhe que quando ali passa o seu identificador apita, e que isso não significa que se esteja a aproximar da mulher, mas apenas a passar na estrada que fica a menos de 400 metros da casa onde ela vivia. O advogado deu-lhe boleia, verificaram o aparelho, que nesse dia não apitou, e seguiram para São João da Pesqueira, a 12 quilómetros, onde Manuel iria ser ouvido pela juíza. “Ele queria que ela lhe retirasse a pulseira e acabasse com os apitos lá do aparelho dele”, contou Norberto Santos, dono do restaurante “O Sobreiro” e grande amigo de Manuel “Palito”. Chegaram a São João da Pesqueira, seguiram para tribunal, mas a juíza faltou. O advogado levou-o de volta a Valongo, onde Manuel pegou no carro e seguiu para casa. Terá sido nessa altura que pegou na caçadeira e a guardou na mala do carro. Como não tinha o que comer, foi almoçar ao restaurante “Sobreiro”, do amigo Norberto Santos. “Chegou já tarde, deviam ser umas duas, duas e pouco”, conta o proprietário. “Eu e a minha mulher sentámo-nos à mesa e comemos com ele”. Pediu carapauzinhos fritos com feijão frade, bebeu dois copos de vinho e terminou com um carioca de limão. “Durante o almoço ele esteve sempre tranquilo. Queixou-se lá de a juíza ter faltado, mas nada de grade. Estava normal. Falámos do Benfica, que era o assunto preferido dele. É um benfiquista fanático”. Antes de sair, Manuel passou pelo balcão e despediu-se com um “até amanhã”, conta Norberto Santos. Já passava das quatro da tarde.

 

Manuel “Palito” entrou no carro, o Toyota Azul que chegou a dar ao filho, mas que lhe retirou quando o filho se chateou com ele, e seguiu para Valongo dos Azeites. Dirigiu-se à casa da tia da ex-mulher e quando estava quase a chegar o seu aparelho começou a tocar, tal como o de Maria, que o terá ignorado já que era coisa que acontecia com frequência. A pouco menos de 200 metros do local onde a ex-mulher estava, avistou o amigo Domingos Jesus. “Chamou-me e pagou-me 15 euros que me devia por eu ter andado a pôr herbicida nas terras dele. Depois seguiu”, conta o homem.

 

Um pouco mais à frente, voltou a parar o carro, pegou na caçadeira, e dirigiu-se a um anexo em frente à casa da tia de Maria Angelina, onde existe um forno. “Estavam lá a Maria, a filha Sónia, a mãe Maria Lina e tia Elisa. Tinham passado o dia a fazer bolinhos da Páscoa e iam pô-los no forno”, lembra Miquelina Canelas. “Ele nunca dizia que ia matar a mulher. Mas dizia que aquelas mulheres tinham dado cabo da vida dele, e que ele ia dar cabo da vida delas”, acrescenta António Canela.

 

Foi o que fez. A 17 de Abril de 2014, às 16h35, Manuel disparou cinco tiros. Matou duas pessoas, a sogra, Maria Lina, e a tia da ex-mulher, Elisa Barros, feriu outras duas, a ex-mulher e a filha. Nesse dia, deu cabo da vida delas, e da dele.

 

Manuel Baltazar tem 61 anos e foi capturado dia 21 de Maio quando entrava em casa

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publicado às 11:43


46 comentários

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De Maria Ferreira a 22.05.2014 às 12:22

Adoro ler os seus artigos e aquilo que escreve. E uma escrita que nos agarra do principio ao fim.
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De Anónimo a 22.05.2014 às 12:40

"Foi o que fez. A 17 de Abril de 2013, às 16h35, Manuel disparou cinco tiros."

Querias dizer "...de 2014", certo?

Que história triste que essa família tem :/
Mas ele acabou por cavar o seu próprio buraco... E só levou com as consequências! Ferindo e matando pessoas inocentes...
O amor mata!
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De tadechuva a 22.05.2014 às 19:51

Amor? Qual amor?
As pessoas, por vezes, confundem conceitos.
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De anonimo a 24.05.2014 às 21:44

Nao é confundir conceitos, que coisa! Ele amava a sua esposa, certamente, começou é a ganhar ódio e fome de vingança, por ter amado e nao a querer largar.
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De augusto a 23.05.2014 às 18:58

como é que você sabe que eram pessoas Inocentes? você estava na pele dessa gente ao dizer pessoas inocentes? pois na minha terra sempre ouvi dizer, quem esta de fora raxa lenha! é fácil falar quando pimenta nu cu dos outros é refresco para nós ! por vezes as pessoas são sacrificadas e torturadas psicologicamente e cometem que com o desespero cometem coisas que por vezes não querem! você sabe se esse homem foi tutorado e massacrado pela sogra e companheira ou mulher? se não sabe cale a boca!...
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De Janeka a 24.05.2014 às 14:28

Sim.... mestre Augusto. Você tem razão. E todos os outros fechem a matraca, ouviram ... ?
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De anonimo a 24.05.2014 às 21:42

Credoooo! Calma, que eu nao comentei julgando ninguem. Claro que quem esta de fora, nao sabe nem de metade. Mas certamente o senhor tambem nao sabe! E comentei, o que li aqui... nada mais. Ele começou a penssar numa vingança, até o filho se fartou... é dificil, é complicado... só essa família sabe o que viveu.
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De augusto a 26.05.2014 às 00:25

meu caro volto a frisar! é fácil apontar o dedo aos outros! continuo a dizer ninguém tem o direito de tirar a vida a ninguém! Mas por vezes as pessoas veem-se encurraladas e desesperadas o que leva o ser humano a cometer coisas que por vezes não querem! você sabe que as sogras são responsáveis por 55% dos divórcios? você sabe se esse homem foi torturado e massacrado moralmente e psicologicamente por essas pessoas ? mais uma vês digo quem esta de fora não sabe de nada para julgar ninguém! só quem esta metido nelas é que sabe! entende ou não? você nunca ouviu dizer que um touro manso na arena se torna bravo ?sabe porque? porque o torturam ! por isso tenha la calma consigo! estude a força( G) primeiro e fale depois!
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De anonimo a 24.05.2014 às 21:49

E você conhece o senhor em questão? Mania de vir em defesa dos pobres e oprimidos. Dar lições de moral quando tambem falam do que nao sabem! O que se comentou a meu ver foi pelo que se leu.
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De anonimo a 24.05.2014 às 21:53

Ahh, e nao venha com coisas de que ele se calhar ate sofreu nas maos delas (que seja até verdade, nao sei, nao li) que nada, mas nada, é motivo para matar.
Porque senão, eu como ate estou irritado com o seu comentario (não) vou mata-lo, porque o senhor atacou dessa maneira.
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De Mafalda a 22.05.2014 às 12:45

Adorei ler
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De Carla Brito a 22.05.2014 às 13:59

Muito bem escrito.
Espero que ele sofra ainda mais até morrer! :/
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De Maria P. a 22.05.2014 às 14:00

Excelente artigo, Ricardo. Obrigada por partilhares!

Fico feliz por haver um relato com a versão das pessoas que, de facto, viveram a história de perto. Em vez do habitual folclore nos meios de comunicação, em que saltam sempre pedras em direcções óbvias.
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De Patrícia a 22.05.2014 às 14:00

"Matou duas pessoas, a sogra, Maria Angelina, e a tia da ex-mulher, Elisa Barros, feriu outras duas, a ex-mulher e a filha". Matou quantas pessoas? é que, pelas minhas contas, não é isso que consta no texto... só um pormenor...
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De O Arrumadinho a 22.05.2014 às 15:14

Olá Patrícia. Em que parte do texto é que diz que ele matou mais do que duas pessoas? Podes dizer-me, para corrigir, por favor? Obrigado
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De Rita a 22.05.2014 às 15:42

"Foi por isso sem medo que, a 17 de Abril, pouco depois das 16h30, Maria ouviu o seu aparelho apitar pela última vez."

Esta frase dá a entender que a Maria morreu, quando não foi ela. Julgo que seja esta a confusão. Muitos parabéns pela reportagem. Excelente.
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De Patrícia a 22.05.2014 às 16:26

Não diz que matou mais do que duas pessoas. Mas qdo diz: "Matou duas pessoas, a sogra, Maria Angelina, e a tia da ex-mulher, Elisa Barros..." Nessa frase estão 3 pessoas, certo? só isso...
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De O Arrumadinho a 22.05.2014 às 16:48

Olá Patrícia. Não. Repare nas vírgulas, que servem, precisamente, para separar os nomes dos graus de parentesco. Tente substituir as vírgulas por parenteses, por exemplo. Digo que ele "matou duas pessoas", que são a sogra (Maria Angelina) e a tia da ex-mulher (Elisa Barros).
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De Patrícia a 22.05.2014 às 17:21

Oh Arrumadinho, desculpe, mas e a Maria Lina quem é? Pensei que era a mãe da Maria Angelina(?) Mas tb não interessa nada... O fundo da questão é que é mais uma tragédia a atingir mulheres, neste país. E os "Palitos" que existem por aí à espreita... assustador, no mínimo.
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De Su a 22.05.2014 às 17:17

A frase está bem escrita e pontuada. Nem 3 nem 4 pessoas. A sogra, de seu nome Maria Angelina e a tia, de seu nome Elisa.
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De Anónimo a 22.05.2014 às 15:15

Leia melhor que vai perceber.
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De Anónimo a 22.05.2014 às 17:45

Eu ajudo um bocadito porque parece-me que as pessoas não sabem interpretar uma frase com virgulas. Matou 2 pessoas: a sogra(Maria Angelina) e a tia da ex-mulher (Elisa Barros). Já percebeu?
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De Carlos a 22.05.2014 às 20:20

Amigo, a sogra chama-se Maria Lina, a Maria Angelina é a ex mulher.
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De Carlos a 22.05.2014 às 21:21

Amigo, a sogra chama-se Maria Lina, a Maria Angelina é a ex mulher.
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De Anónimo a 22.05.2014 às 20:58

Creio que a confusão está no facto de chamar Maria Angelina à sogra e ser esse o nome da ex-mulher. Não sei efectivamente o nome da sogra, se será o mesmo da filha. "Matou duas pessoas, a sogra, Maria Angelina, e a tia da ex-mulher, Elisa Barros, feriu outras duas, a ex-mulher e a filha. Nesse dia, deu cabo da vida delas, e da dele." Parece que está a dizer que matou a sogra, a Maria Angelina (ex-mulher) e a tia da Maria Angelina. Penso que é essa a confusão da Patrícia.
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De Sofia Costa Lima a 22.05.2014 às 14:37

Embora o tema da reportagem não seja, de todo, o mais bonito, tendo em conta que envolve assassinato, foi uma grande ajuda para um trabalho académico que ando a fazer e para o qual preciso de ler imensas reportagens! Muito bem conseguida!
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De Caco a 22.05.2014 às 14:56

Já tinha lido a reportagem na Sábado e adorei. Parabéns pelo trabalho!
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De rosa branca a 22.05.2014 às 15:17

Texto fantástico :)

http://www.uniflor.pt/
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De tvtourbyme a 22.05.2014 às 16:04

Minuciosa...gostei muito!
a culpa é do benfica:)

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