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27
Jan14

Os argumentos a favor da praxe

por O Arrumadinho

Só para acabar com este tema das praxes, queria acrescentar algumas coisas, em resposta a comentários aqui deixados. Como sempre, o que digo é apenas a minha opinião, que não penso ser mais válida do que qualquer outra - é apenas a minha maneira de ver as coisas. Respeito quem pensa de forma diferente, mesmo que discorde totalmente do que essas pessoas defendem.

 

Então, vamos aos argumentos principais usados por quem defende a praxe:

 

1. "Só é praxado quem quer".

 

Mentira. Isto não é verdade. É desleal pôr todas as pessoas no mesmo saco. E todas as universidades.

As duas experiências que tive de praxe, na UBI e na UTAD, mostraram-me isso mesmo. Eu considero-me uma pessoa forte, firme, e, mesmo assim, tive muita dificuldade em negar muitas praxes. Em primeiro lugar, porque era um miúdo de 18 anos, e estive, em diversas ocasiões, a ser praxado por pessoas de 24, 25, 26 anos, com uma vivência totalmente diferente da minha, muito mais adultos, que assumiram uma postura de verdadeira intimidação. Claro que podia ter dito que não, como disse uma ou outra vez, mas a resposta que obtive do outro lado não foi um "ok, tudo bem, és livre de não querer ser praxado". Pelo contrário. O que ouvi, aos berros, foi um: "O caloiro não quer o quê? Não faz o quê? O caloiro não tem direitos, é um merdas, faz o que nós mandamos e mais nada". Podia ter mantido a minha postura e continuado a dizer que não, como fiz algumas vezes, sobretudo quando me obrigavam a beber álcool. Mas, uma vez mais, a coisa só se resolveu quase à pancada. E era eu, um caloiro de 18 anos, contra um bando de veteranos, muitas vezes em grupos de 10, 15 ou 20, todos mais velhos e com uma postura agressiva e intimidadora. 

Ou seja, claro que é possível dizer que não, mas a possibilidade de dizer que não, não torna a praxe voluntária.

Muitas e muitas vezes, não quis estar onde estava, não quis fazer as coisas que me diziam para fazer, não quis levar com mistelas nojentas na cabeça, mas para fugir dali, teria de recorrer à confrontação, quase física, com dezenas de pessoas mais velhas do que eu. 

Como comecei por dizer, considero-me uma pessoa destemida, e mesmo assim fui muitas vezes vencido. Agora, como será com outras pessoas, mais tímidas, mais reservadas, com menos predisposição para enfrentar os outros? Simples, baixam as orelhas e alinham. Não alinham porque querem, não são praxados voluntariamente, apenas não têm capacidade/coragem/feitio para dizer que não.

 

2. "A praxe é a forma de os caloiros se integrarem".

 

E agora vamos a outra questão, a da tão falada "integração".

Nas duas experiências que tive, um aluno que dissesse que não a uma praxe era humilhado, insultado e marginalizado. Não podia voltar a participar das cerimónias de recepção ao caloiro, era desprezado por todos os veteranos, e ficava proibido, de futuro, de praxar. Onde é que está aqui a integração, que quem defende a praxe tanto apregoa? Se és praxado, és integrado, se recusas a praxe és marginalizado.

Isto conta muito quando se está longe de casa. Uma coisa é ser de Lisboa e frequentar uma universidade de Lisboa, em que podemos ir à escola e voltar para casa. Para quem não está deslocado, a vida académica não é muito diferente do ensino secundário. Os alunos continuam a ter a casa dos pais, continuam com as rotinas que mantinham, e embora possam ter mais festas, mais actividades, mais solicitações, a vida não muda assim tanto. 

Quando se está deslocado é tudo diferente. Para a esmagadora maioria dos estudantes, é a primeira vez que vão viver sozinhos, passam 24 horas por dia longe da sua zona de conforto, rodeados de pessoas que nunca viram na vida. Nestes casos, como é óbvio, acho importante a integração e a ajuda dos que já passaram por isso. E a praxe civilizada pode ter aqui um papel importante. Mas não é assim tão decisivo como se quer fazer crer. Quando fui para a Covilhã, senti-me muitas vezes sozinho. E deixei-me ficar muitas vezes em situações de praxe unicamente porque achava que se me fosse embora, para o meu quarto, sozinho, sem ninguém com quem falar (recordo que naquela altura não havia telemóveis, nem internet), seria ainda pior. Ou seja, deixava-me ficar no sítio onde estavam os meus colegas, apesar de tudo, as únicas pessoas que conhecia ali. Mas, para que isso acontecesse, tinha de ser praxado e tinha de me sujeitar à presença dos veteranos. 

 

Algumas vezes, optei por não ir à faculdade, unicamente porque não me apetecia estar a ser humilhado, pressionado, a ouvir berros. Ficava no meu quarto, perdia as aulas a que deveria ir, mas era a única forma de ter paz.

 

Ou seja, eu não estava a ser integrado, eu estava a ser desintegrado através da praxe.

 

Ainda sobre a integração, acho alguma graça quando dizem que os caloiros têm de ser integrados, e que isso se faz através da praxe. Mas têm porquê? Quando passei da escola primária para a preparatório não fui praxado e ao fim de dois ou três dias já estava integrado e já tinha amigos. Quando fui para o secundário a mesma coisa. Quando mudei de escola e fui para uma nova, que tinha 12º ano, também não fui praxado e integrei-me em menos de nada. 

 

Mais tarde, quando comecei a trabalhar, também ninguém me praxou no jornal para onde fui trabalhar, e não precisei da praxe para me integrar. Ou seja, as pessoas integram-se naturalmente, através da convivência social, não precisam que uns veteranos os atem com cordas a outros caloiros, não precisam de mergulhar em charcos de lama, ou de ficar de joelho num lago, ou a rastejar pelas ruas da cidade, para se sentirem integradas. Claro que há os mais tímidos e os mais sociais, mas a praxe não torna uma pessoa tímida num valente folião em apenas um mês. Quem é tímido, e tem mais dificuldades em integrar-se, continuará a ser tímido depois das praxes. Pode ter conhecido quatro ou cinco pessoas, à força da praxe, mas se não houvesse praxe conheceria na mesma, nas aulas, nos jantares de turma, nas conversas de intervalo.

 

3. "Isso não é praxe, isso são abusos"

 

Há quem tente dissociar a praxe dos abusos das praxes, o que eu considero uma falácia. Como disse no texto anterior, não acho que as situações de humilhação, berros e ofensas sejam uma minoria, ou uma parte marginal da verdadeira praxe. Acho, até, que isto acontece na maior parte das praxes. Ninguém tem capacidade de discernir o que é a humilhação. As pessoas sentem-se humilhadas por razões muito suas, e ninguém tem o direito de julgar essa sensação. Para um veterano, mandar um caloiro tirar uma T-shirt pode ser uma coisa perfeitamente razoável, mas para o caloiro isso pode ser simplesmente humilhante, pelo simples facto de não se sentir confortável com o seu corpo, ou por ser demasiado gordo, ou demasiado magro, ou flácido, ou o que quer que seja. Para algumas pessoas, andar na rua amarrado a outra pessoa com uma corda pode ser extremamente humilhante. Ou andar de gatas pelo recinto da universidade. Ou levar com uma mistela na cabeça. Ou ser chamado de "burro", "barrasco", "jumento" e esse tipo de nomes carinhosos.

O que para mim pode não ser nada humilhante, para a pessoa ao meu lado pode ser extremamente embaraçoso e vergonhoso. Por isso, a fronteira entre o que é ou não aceitável na praxe é muito ténue.

 

4. "A praxe é tradição"

 

Sim, é verdade, da mesma forma que matar o touro em praças públicas também era, e isso foi ilegalizado. As tradições existem enquanto fazem sentido e se enquadram no espírito das sociedades. A praxe já foi ilegalizada noutras situações, noutras épocas, e também era, então, uma tradição. Há tradições que fazem sentido, outras que não fazem sentido. O simples facto de uma coisa existir, não a legitima. Quer dizer, legitima, até ao dia em que deixa de ser legal, que foi exactamente o que se passou, por exemplo, com a morte do touro em Barrancos.

 

Continuo a dizer, e a defender, que os rituais de integração dos caloiros, dos alunos mais novos, podem perfeitamente acontecer sem o recurso à praxe. Podem ser feitos de forma informal, abordando os alunos recém-chegados, apresentando-os aos colegas, a alunos mais velhos, levando-os a sair, indo jantar com eles, mostrando-lhes as cidades, convidando-os para festas, porque isso, sim, parece-me ser integração. Fazer tudo isto na base dos berros e da intimidação já me parece só grotesco e absurdo, nos dias que correm.

 

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publicado às 11:28


170 comentários

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De R. a 27.01.2014 às 12:26

Um post de um amigo meu no facebook que reflete a minha opinião:
"Farto de ouvir barbaridades sobre a praxe... principalmente por pessoas que nunca sentiram a praxe um dia que seja. Lembram-me aqueles indivíduos que dizem que um determinado bolo é bom... e perguntam-lhe... - já comeste? Resposta... - Não, mas vi comer. Não podemos ser "sinéducos"... (vide sinéduque) e tomar a parte pelo todo. Porque assim, sempre que ouvirmos uma notícia sobre violência doméstica criticaremos todos os maridos ou mulheres. Uma notícia sobre abandono de filhos criticaremos todos os pais. Uma notícia sobre más condições de higiene num restaurante e deixamos de comer fora... por favor pensem um pouco!"
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De Sofia a 27.01.2014 às 12:50

Este comentário não tem sentido nenhum depois deste post. O Arrumadinho fala por experiência própria, fala de situações que aconteceram com ele, logo ele "comeu o bolo".
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De Luís a 27.01.2014 às 14:02

Comeu o bolo, mas nem toda a gente come o mesmo bolo! Não se pode generalizar. Assim como os bolos, as praxes não são todas iguais!
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De Ana Carmo a 27.01.2014 às 22:19

Já agora, poderá explicar-me porque é que um aluno que se declara anti-praxe não pode trajar? Mas por acaso são vossas excelências que sacam do vosso dinheirinho para nos pagar o traje? E depois dizem que temos liberdade de escolha... claro que temos! Não ser praxados implica não poder "viver" o espírito académico na sua total plenitude!

Obrigadinha!!
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De lara a 28.01.2014 às 15:35

Ana Carmo, é preciso que se informe antes de falar. Qualquer pessoa que queira pode trajar, independentemente de praxar ou não. Eu fui "praxada", trajei e também "praxei". Tenho amigos meus, que preferiram não entrar na praxe, mas que trajaram. E quanto à opinião do Arrumadinho, compreendo-a, mas não concordo, porque a experiência que ele relata não teve nada a ver com a minha. Devo referir que a praxe acontece em quase todos, se não todos, os paises. O drama em torno da tragédia no Meco, é realmente impressionante! E tudo graças à comunicação social... Para mim, aquilo não é praxe, são cultos/rituais às quais os jovens acreditavam. Se querem arranjar culpados, culpem os jovens (que já tinha idade o suficiente para perceber que não deveriam estar ali) ou então culpem as ondas.
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De joao silva a 28.01.2014 às 16:30

Errado. a praxe apenas existe em portugal e é tradição apenas de coimbra. nas outras universidades tem cerca de 20/30 anos.
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De Portuguese Girl with American Dreams a 28.01.2014 às 16:56

Vivo nos EUA e tambem existe praxe, com outros contornos, mas tambem existe.
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De Pedro a 30.01.2014 às 07:00

O ser humano tem 5 sentidos: a visão, o olfacto, o paladar, o tacto e a audição.
Quem como tu se resume ao paladar ai de ma a pior!!!!!!
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De Anónimo a 27.01.2014 às 14:38

Ou na ESCS. Também lá essa exceção se aplica. Praxei e fui praxada e a única coisa que lá vês são caloiros satisfeitos.
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De Anónimo a 27.01.2014 às 19:02

Bem, do que me tenho apercebido, não será bem assim... Mas como não é sítio para o discutir, adiante...
Só a ideia de não poder andar de elevador às quintas-feiras (num edifício com 5 andares) porque suas excelências assim o desejam, basta para não alinhar nessa coisa da praxe. É de facto um excelente exercício de integração!! E tendo apenas isso em consideração, pode não ser humilhação, mas é uma falta de respeito para os novos alunos.
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De Caloira Escsiana a 27.01.2014 às 23:00

Sou caloira da ESCS e posso dizer que sim, maioritariamente só encontras caloiros satisfeitos... Inclusivamente muitos que se declaram anti-praxe no início do ano, acabam por querer participar na mesma quando percebem que a nossa praxe não tem mal absolutamente nenhum.
E o facto de "ser proibido utilizar o elevador às quintas-feiras", não me parece que tenha esse mal todo que falas... Ninguém ficou traumatizado, penso eu, por ter de utilizar as escadas ao invés do elevador. Isso são meramente brincadeiras, em que os próprios caloiros acabam por alinhar, simplesmente porque é engraçado e acabamos por nos divertir!
Agora, queres comparar isso a outros rituais de praxe, que por aí andam?
Sou a favor da "minha" praxe, porque (e juro-vos do coração) nunca fui humilhada. Pelo contrário... Na minha faculdade o que vos espera na semana de praxe é um grupo de pessoas atenciosas que vos recebem de braços abertos (e vós ajudam, também).

P.S. - E não, eu não estou com uma depressão por ter de utilizar as escadas à quinta fera, gostei de fazer a "lata-amarela", tenho saudades da minha semana de praxe, e, pasmem-se, escrevi isto voluntariamente... Inacreditável, pá!
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De Rita G. a 27.01.2014 às 15:53

O pior é que a liberdade de escolha em "comer ou não esse bolo" não existe. Há que haver respeito por quem rejeita a praxe, mas a verdade é que quem o faz sofre as consequências e por vezes de forma bem violenta. De certeza que toda a gente sabe que levar com excrementos em cima não é agradável, ou é preciso experimentar para saber??
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De Anonima* a 27.01.2014 às 16:15

Acho que cada um tem a sua opinião e eu também tenho a minha! Só queria alertar que sim há abusos na praxe mas a culpa não da tradição é de quem não a sabe valorizar e não a sobe apreender.

Entristece-me quando percebo que enquanto veterana não transmiti o valor da praxe aos meus caloiros e que muitas vezes enquanto veteranos abusam, mas são uma minoria e essa minoria acaba por se desinteressar da praxe.

Fui praxada e sim foi na praxe que conheci amigos de uma vida, e sim se não fosse praxada provavelmente também os conheceria mas o orgulho de vestir um traje não se explica! Os senhores podem achar ridículo como eu acho estranho não perceberem o que é a praxe mas acreditem há males bem maiores no mundo e todos os dias passam por eles e desprezam-nos como se não existissem...
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De Ana a 28.01.2014 às 23:06

Entretanto no mundo civilizado...http://deanofstudents.umich.edu/nohazing e já agora psicologia sobre assunto no seu modo mais extremo http://www.prisonexp.org/

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De Anónimo a 01.02.2014 às 11:58

No meu caso recusei ser praxado e nem 20 mais velhos que eu me intimidaram, mas de facto estava na minha cidade no meu ambiente.
Acho todas estas praticas simplesmente más, próprias de animaizinhos armados em ditadores.
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De Caio Enobarbo a 12.02.2014 às 18:01

O mais engraçado disto é que daqui a um mês já ninguém falará mais das praxes. É o típico comportamento de manada.
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De Andreia a 27.01.2014 às 12:28

Gostava que voltasses a fazer trabalho de campo. Numa qualquer faculdade da NOVA e se calhar verias a excepção à regra. Quem me dera voltar ao primeiro ano de faculdade e voltar a ser praxada.
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De Anónimo a 27.01.2014 às 12:48

Bem verdade. Fui caloira este ano na NOVA e nunca me senti humilhada, abusada ou maltratada.
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De Isidora a 27.01.2014 às 14:43

Pois é caro anónimo, deves ser de tão fraco(a) de personalidade que qualquer lavagem cerebral que te façam é suficiente para acreditares e baixares a cabecinha a tudo o que te mandam ou dizem.
Se te dissessem para ires para o Meco, à noite claro que também te chegarias à frente para ir, não é?! Pois, então lembra-te daqueles que morreram por isso. Por isso e provavelmente por muito mais...
Vocês são uns inconscientes! Não sabem nada da vida! Não é a brincarem aos estudantes que vão aprender alguma coisa da vida, quem sabe o que é a vida e também o quanto custa são os vossos pais, que fazem tremendos sacrifícios para vos darem uma vida integra, esses sim sabem o quanto custa viver! Vocês, não passam de meninos mimados e sem qualquer noção.
Toma lá juizinho, sim?!
Ricardo, totalmente de acordo com você. Um bem-haja!
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De Inês a 27.01.2014 às 15:25

Leia bem o seu comentário e repense a sua postura perante a opinião das outras pessoas. Por haver quem goste de praxe não significa que é fraco de personalidade. Na minha praxe há um ano, conhecemos a cidade, alertaram-nos para os sitios mais inseguros, houve um dia em que apanhamos lixo que estava nos passeios (para fazer alguns alunos perceberem a importância de proteger a nossa nova cidade), e uma série de joguinhos tradicionais, etc.
Ninguém é fraco de espírito por ter tido uma boa experiência. E dizer que pessoas assim não sabem nada sobre a vida... Enfim são moralismos que não sei se me fazem rir ou chorar... Parabéns a si por ser tão mais do que os outros e por ter uma personalidade tão forte que nem aceita a dos outros. Ridículo o seu comentário. O Arrumadinho devia realmente seleccionar os comentários. O seu comentário foi insultuoso e desagradável. Em comparação com a praxe a que me submeti, você é mais desagradável :)
Beijinhos de uma simples criança que nada sabe sobre a vida porque não tem a inteligência de se afastar dessa atrocidade que mata pessoas inocentes: a terrível Praxe.

PS. Querem aumentar as propinas: Discutam antes isso que isso realmente preocupa as pessoas no geral.. De uma forma unanime na verdade.
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De sempreomesmo a 27.01.2014 às 20:36

Olha lá inês:
Tens toda a razão quando dizes que és simplesmente uma "criança" e que nada sabes da vida.
O mais certo é nem saberes sequer os sacrificios que os teus pais fizeram para te "darem um canudo".
Agora coloca os teus pais no lugar daqueles. que pensando dar um futuro á vida das filhas, as enviaram para uma morte horrivel às maos de sevandijas que se sentem mais fortes quando humilham os mais fracos.
Há!!! Não devia ter acontecido, dirás tu, do alto do teu "praxamento". Pois, mas aconteceu como já aconteceram outras coisas horriveis em outras praxes.
Eu nunca fui "praxado" porque não quis que os meus pais andassem a "chupar num caroço de uma azeitona" para me darem esse tão cobiçado e ás vezes tão inútil canudo. Por essa opção formei-me na U.D.V. e aqui estou a lamentar a sorte daqueles pais e a pedir que erradiquem de vez, essas demonstrações de «Doutoramento» sobre jovens indefesos.
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De Pedro Ferreira a 28.01.2014 às 11:29

Sou contra as praxes. Concordo com a sua opinião, mas se tem essa vertente de integração então teríamos de repensar numa integração oficial da vida estudantil universitária nas diversas cidades supervisionada pelas reitorias ao invés de "Dux´s" e "veteranos" e outros tretas que andam para acabar os seus cursos à 10 anos, que belo exemplo. Porque não incorporar uma cadeira de cidadania e integração no primeiro ano. O desejo das pessoas quererem pertencer a uma elite sem olhar a meios torna-as desprezíveis. Praxe é buling.
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De Ana a 28.01.2014 às 02:03

Fracos de personalidade? Fazer tudo o que nos mandam? Não é bem assim minha senhora. Eu tive uma experiência fenomenal em praxe, e se está a referir que perderam as vidas por causa da praxe, devo dizer que apesar de sentir muito pelas famílias, o que se passou as pessoas podem dizer que foi praxe, para mim não considero que aquilo seja de todo praxe.
Não podemos por todos no mesmo saco, sabe por que existem regras? Porque existem excepções, e por estas ultimas não se pode referir como sendo a regra. Se se quer referir o que se passou naquela praia como praxe, essa é a sua opinião e já agora participou em alguma actividade de praxe? O que devemos transmitir as caloiros enquanto doutores são as pequenas coisas que fazem a vida académica única, não pôr as suas vidas em risco, os doutores não podem ser inconsequentes. Têm sim de orientar os caloiros no inicio de uma nova etapa das suas vidas, e sobretudo fazer com que se divirtam (e sim, não é preciso álcool para nos divertirmos). Cantam-se coisas que por vezes são mesmo ordinárias, outras jogos sem noção nenhuma, mas no final do ano todos os jogos, as brincadeiras, os bitaites que se vão levando ao longo do ano, são experiências que nos fazem crescer, e para terminar vou dizer-lhe a primeira coisa que os meus doutores me disseram no meu primeiro dia: "O respeito vem de cima, se eu vos respeito também quero ser respeitado!" Sabe esta é a base da sociedade respeito, e por isso nunca me senti humilhada pelos meus doutores, nem nunca o faria com os meus caloiros, porque isso é descer de nível, à qual não é chamada praxe, mas sim abuso de poder.
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De Dri a 27.01.2014 às 13:06

Concordo.
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De Anna a 27.01.2014 às 13:28

Ou numa qualquer faculdade da Universidade de Coimbra. Faculdade, não Escola Superior. Na UC essas coisas das mistelas na cabeça e de nadar em lama nunca mas nunca acontecem, simplesmente porque são proibidas pelo código da praxe da UC.
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De M.M a 29.01.2014 às 02:21

Citando o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa: "Há as praxes de Coimbra que já fazem parte da tradição e são decentes e depois há as tentativas de imitação por todo o país".
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De Inês Castro a 03.10.2014 às 11:51

Essas coisas de levar com mistelas na cabeça não existem ? De rebolar na lama também não ? Gostava que tivesse uma mínima ideia do que os veteranos fazem e é proibido, não deve ter a mínima noção sequer.
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De Maria a 27.01.2014 às 13:55

Bem, no Porto, pelo menos na Faculdade de Medicina, que é a que eu frequento e por isso conheço, esse tipo de mistelas também não acontecem, ainda que eu pense que essa é a parte menos humilhante da praxe, e sem dúvida o menor problema que esta representa
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De Inês a 27.01.2014 às 20:26

Eu fui da NOVA e fui humilhada. Quis desistir da praxe e gozaram comigo o resto do tempo que frequentei a faculdade. Várias pessoas têm várias opiniões e experiências, não percebo qual é a dificuldade de partilhar sem atacar. Que eu saiba o arrumadinho não está a tentar fazer lavagem cerebral a ninguém.
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De Anónimo a 31.01.2014 às 11:25

E porque não apresentou queixa dessas humilhações às autoridades competentes?! Já pensaram bem que, se todos os que se dizem humilhados nas praxes apresentassem queixa junto das direções escolares e autoridades, os senhores abusadores pensariam 2x antes de voltarem a fazer certas brincadeiras?

O problema não está na praxe. A praxe, se feita no seu verdadeiro sentido de existência, é divertida e integradora. Paxar é uma coisa praticar bullying é outra. Se um aluno no 7º ano sabe que se chamar gordo ao colega pode levar com um processo de bullying na escola, porque raio os mais crescidos têm tanta relutância em apresentar uma queixa destas?!

Agora no que diz respeito a este caso no Meco, tendo em conta as noticias que nos dão a conhecer o que alegadamente poderá ter acontecido, e friso ALEGADAMENTE, nada foi provado ainda. Tratou-se de um ritual agendado, estudado e consentido POR TODOS. Acredito que não havia a intenção de morte. Assim sendo, este jovem está a ter a mais pesada de todas as penas: viu os colegas morrerem e vai carregar essa culpa toda a vida. Está a ser linxado em praça publica e tem a vida dele toda estragada. Irá responder por homicidio por neglicência. E aqui lembro a malta jovem que, quando saiem à noite e bebem uns copitos a mais, mesmo sentindo-se capazes de conduzir e não tendo a intenção de matar alguém, os colegas que aceitarem a vossa boleia DE LIVRE E EXPONTANEA VONTADE, se morrerem num acidente dentro do carro que ESTAIS A CONDUZIR, sereis também culpados por homicidio por negligência. Posto isto, pensai bem antes de cometerem "pequenas loucuras" que aos vossos olhos poderão ser inofensivas mas que vos poderão trazer grandes amargos de boca.

Respeito muito a dor dos pais dos miudos que morreram, mas como mais que sou, também não quero imaginar nem nunca ter que passar pelo sofrimento dos pais do jovem sobrevivente desta trágica história.
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De Joana a 27.01.2014 às 12:30

Sobre a praxe: estudei Direito, em Coimbra e já vivia nessa cidade antes de entrar para o curso, por isso já estava familiarizada com as tradições académicas. Nunca me apelaram minimamente, nem nunca "sonhei em andar trajada" (como ouvi muita gente a dizer), por isso já tinha como mais ou menos certo que não iria participar na praxe ou sequer usar o traje quando entrasse para a Faculdade. Entrei e, nos primeiros tempos, ainda participei em algumas "praxes", do género, na primeira semana, no final das aulas, ir com os meus colegas e os "doutores" e ir a alguns jantares de curso. Acho que essa minha "integração" durou para aí o primeiro mês, porque rapidamente me apercebi que aquilo era de uma frustradice tal, à qual eu não queria pertencer. Basicamente, as pessoas dividem-se em duas categorias: a dos "doutores" (a maioria do 2o ano, mas ainda com cadeiras do 1o para fazer, por isso até tínhamos aulas com eles), pessoal altamente frustrado, a grande maioria de terreolas pequenas que parece ter aproveitado a oportunidade de estar nessa urbe gigante que é Coimbra (lol) para se afirmarem. Na sua grande maioria raparigas, feias e gordas, de voz estridente, que parecem conseguir naqueles momentos a única oportunidade da vida de mandarem em alguém e serem "boas" nalguma coisa. Do outro lado, os caloiros, esses frustrados em potência, que também vêm das terreolas, não conhecem ninguém, pouco contacto parecem ter tido com o sexo oposto ou com a bebida e ficam loucos de finalmente poderem estar "livres" e à solta neste ambiente e alinham em toda a porcaria que lhes propõem. As "amizades" que são construídas é mandá-los fazer coisas, gozar com eles e beber. Nunca vi aquelas pessoas falarem de alguns assuntos, terem algo em comum para além da frustradice.

E agora, adivinhem lá? Eu tenho imensos amigos que fiz na Faculdade, que já tinha antes, ou que fiz depois. Fiz o curso nos 4 anos em que era suposto e com uma boa média + Mestrado a seguir e saí da cidade e fui trabalhar noutras coisas (em Portugal e no estrangeiro). Eles, ainda estão em Coimbra, demoraram uns 6 ou 7 anos a fazer o curso com uma média miserável, estão a trabalhar num boteco qualquer de advogados na Baixa a receber 0€, dependem dos pais, nunca saíram de Portugal e ir a Lisboa já é uma cena transcendental, todos os anos ainda vibram com a Queima e com as noites do Parque (apesar de aquilo ser sempre igual e já lá terem ido uns 10 anos seguidos), são na mesma gordos e feios e uns frustrados que nunca evoluíram ou passaram daquele mundinho "académico" em que quem é mais velho e grita mais é quem manda. São uns tristes!
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De Katarina Da Silva a 27.01.2014 às 13:25

Uau, que comentário mais estereotipado!
Fique sabendo, cara Joana, que fui praxada e actualmente praxo. Estou no último ano de licenciatura num curso da UTAD, vim de uma terreola para uma cidade e nunca senti necessidade de me afirmar numa zona urbana (enfim, os citadinos haverão sempre de ter esta mania da superioridade...). Não são gorda e sinceramente não me considero feia e mesmo assim não deixei de praticar a praxe, porque esta não se trata de humilhar ou me superiorizar em relação aos caloiros. Praxo os meus caloiros com toda a dignidade e eles sabem que aquilo que fazemos com eles não passa de brincadeiras, tradições e nunca pusemos de parte ninguém que se recusasse a ser praxado. Obviamente que os anti-praxe, como nós os chamamos, não convivem tanto connosco, mas não é por isso que são marginalizados ou postos de parte. Curiosamente, tivemos alunos do primeiro ano que, no início disseram que não queria ser praxados e agora pedem-nos para ser integrados na praxe (and guess what? We said yes!!).
Ah... e antes que me esqueça, também eu vou terminar o curso no tempo devido (tal como os meus colegas) e com uma média bastante boa. Portanto, para a próxima vez que quiser falar da praxe, pelo menos não fale do que não sabe e não meta toda a gente no mesmo saco. Porque até me dói a alma pensar que são estes os advogados que o nosso país anda a formar e que você andou 4 anos (mais mestrado!!) a estudar Direito e não consegue analisar cada caso como um caso, acabando por categorizar todos os praxantes como feios, gordos, burros e com vozes estridentes. Enfim, para a próxima vez que queira falar pelo menos exponha argumentos sérios. Compreendo que haja gente que não goste da praxe, ou que acha que são abusivos. No entanto, não compreendo a sua pobre explicação, que apenas advoga que quem praxa não passa de um bully que nunca foi nada na vida.
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De Pedro C. a 28.01.2014 às 12:29

Oh Katarina, parabéns. (pelo término do curso no tempo devido, por não ser gorda nem feia e por não ter marginalizado ninguém).

No entanto, temos que convir, que as personagens acima descritas pela Joana, existem. E, podiam muito bem não existir que o mundo era um bocadinho melhor.

Quando se fala neste, ou em qualquer outro assunto, em que haja uma parte a ser insultada (ou bem descrita) toda uma brigada vem defender que também fez e aconteceu e que são a excepção à regra e que não fizeram nada do que estão a dizer.

Compreendo e aceito e dou os parabéns por serem a excepção à regra.

É preciso, no entanto, lembrar que só essas excepções comentam e se manifestam. Porque os que lêem este tipo de comentários, ou ouvem descrições deste género e se revêem, não vão nunca dizer "Epah acabaste de me descrever".

São esses que mantém o silêncio, e continuam na perfeita ignorância de que estão a contribuir para a integração e a dar as boas vindas aos caloiros. Não estão.

Acredito nas excepções, mas tem que concordar que são exactamente isso, excepções.

Cumprimentos,
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De Katarina Da Silva a 28.01.2014 às 13:21

Caro Pedro, agradeço a sua congratulação mas eu não afirmei que não existiam estas "personagens" de quem a Joana falou. De facto, eu própria posso nomear algumas dentro do meu curso, é verdade. Mas também é verdade que dentro de um curso de 60 (e falo do meu, que é aquele que eu melhor conheço) haverá talvez 5 ou 6 pessoas assim. Apenas critiquei o facto de estarem constantemente a estigmatizar a praxe, colocando no mesmo saco todos os tipos de praxantes ou práticas de praxe. Felizmente não sou a excepção da minha universidade e continuo a defender que o (in)sucesso escolar em nada tem a ver com o facto de participar, ou não, na praxe. Se querem criticar a praxe, façam-no. Eu compreendo que há gente que não goste e até entendo a maioria dos argumentos que expõem. Mas estes comentários generalizadores... já cansam!
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De Joao silva a 28.01.2014 às 16:42

O facto de haver quem tenha tido boas experiencias, mesmo que essas boas experiencias sejam a grande percentagem do que acontece, não legitima uma actividade onde há más experiências. Se determinada actividade permite que aconteça, nem que seja apenas um caso, de acções negativas, há algo de errado nessa atividade. Se querem integrar, integrem. não precisam de berrar, nem de trajar, nem de mandar fazer isto e aquilo para integrar. se o fundamental é integrar, shores drs. dispam os trajes, e dêm as boas vindas aos caloiros, levem-nos a conhecer a universidade, sentem-se todos numa roda num parque ao mesmo tempo que bebem umas cervejas, e falem do curso, discutam temas, dêem-se a conhecer uns aos outros. Tudo de bom que tanto dizem que acontece na praxe, acontece se fizerem a praxe desta maneira, e tudo o que pode haver de mal, já não tem lugar. Agora, porquê que não o fazem? porque os shores. drs. perdem o poder que tanto sonhavam ter enquanto praxados.
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De Katarina Da Silva a 28.01.2014 às 23:05

Lá está, agora estou perante argumentos válidos e bem construídos. Compreendo perfeitamente a sua posição mas sei que nem vale a pena explicar a minha pois não me parece que vai perceber a minha visão acerca da praxe. A minha crítica, repido pela milésima vez, recai sobre a opinião estereotipada acima exposta, nada mais. Se você nao concorda com as praxes e não consegue reconhecer o seu valor, tudo bem. Se quer que lhe diga, com todos os contornos que a praxe tem assumido (as constantes queixas por partes dos pais, as ameaças dos reitores, a mais recente situação do Meco, etc.) admito que a ilegalização destas práticas é o caminho mais óbvio. Mas não deixo de dizer que a praxe (e falo do meu ano de caloira, não o de praxante) foi das experiências mais marcantes e mais divertidas da minha vida académica.
E já agora, deixo este vídeo de uma praxe da UTAD, onde os caloiros de teatro e artes performativas actuaram na rua emblemática da cidade numa recolha de fundos para uma instituição da cidade, no âmbito das praxes solidárias realizadas por toda a academia.
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De Katarina Da Silva a 28.01.2014 às 23:07

http://m.youtube.com/results?q=praxe%20solid%C3%A1ria%20utad&sm=
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De Joana a 27.01.2014 às 13:26

O seu comentário é completamente despropositado, mas não pude deixar de me rir bastante com ele. Também conheci umas tantas personagens como as que descreve.
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De João a 27.01.2014 às 13:38

Há um certo tipo de pessoas dentro dos estudantes universitários que parece crer piamente que aqueles são "os melhores anos das suas vidas" e levar demasiado a sério o que é tirar um curso, praxar, viver a vida académica. É só mais uma fase, amigos. Passa como qualquer outra e não é assim "such a big deal". Depois tornam-se nesses deprimentes que a Joana refere, que têm 30 anos e ainda vibram com a Queima das Fitas e nunca saíram da terrinha de onde estudaram, onde ganham 500€ num estágio do IEFP e vivem (ainda) à mama dos pais. Que tristes.
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De Katarina Da Silva a 27.01.2014 às 14:10

A minha maior crítica não se prendeu com o facto de você concordar, ou não, com a praxe. Há quem goste e tenha os seus motivos para gostar, e há quem não goste e certamente também terá a sua explicação. O que incomoda é, efectivamente, o modo como vocês tendem a meter todo o tipo de praxe e todo o tipo de praxantes no mesmo saco, quando isso não se verifica na realidade. A praxe em nada tem a ver com o sucesso escolar, por isso não tente criar o estereótipo de que quem praxa não passa de um burro, porque isso é completamente descabido. Eu vivo a praxe, vivo a vida académica mas não é por isso que deixo de ter uma vida à parte da universidade.
Responder ao meu comentário com um "ah que tal, até me fez rir" sem sequer tentar sedimentar os seus argumentos... enfim!
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De sandra a 27.01.2014 às 14:32

Triste é ter a mania que por viver em Coimbra é superior! Estudei em Coimbra era magricela, não era feia, não era a miúda mais gira do curso, a Joana era? não era frustrada nem sou, fui praxada e vivi anos muito bons na cidade dos sonhos! as miúdas mais giras do meu curso praxaram e foram praxadas, fomos estudantes " normais" felizes e sem abusos! O que menos gostei em Coimbra era a vaidade dos Conimbricenses e de alguns cursos tidos como melhores que os outros, nomeadamente direito...Vê-se que está tudo igual!
ah já agora tenho um emprego que adoro e vou a lisboa e ao estrangeiro com regularidade! faz de mim uma pessoa melhor que as outras?
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De Joana a 27.01.2014 às 15:03

"a grande maioria de terreolas pequenas que parece ter aproveitado a oportunidade de estar nessa urbe gigante que é Coimbra (lol)"

Não sei se perceberam a ironia desta parte do meu comentário, mas eu, sendo de Coimbra, estou longe de achar que é uma cidade superior ou de "ter a mania" por ter vivido lá (já não vivo, actualmente). Precisamente por ser de lá e por conhecer outras cidades e ter uma visão maior do mundo do que apenas o sítio onde nasci, é que acho ridículo tanta gente que vem de fora, das tais terreolas, achar que Coimbra e a sua "maravilhosa" vida universitária são o epicentro do mundo. Na grande maioria das vezes, quem vem de fora é que enche Coimbra de grandezas que a cidade não tem. E fica maravilhado com a praxe e a vida académica que, quem já lá vive aos anos, já conhece de gingeira e à qual não dá tanta importância. A título de exemplo, contam-se pelos dedos de uma mão as pessoas de Coimbra que conheço (que foram meus colegas na escola, ou na universidade) que ainda lá estão hoje em dia... quase todos nós tivemos interesse em sair de lá mal terminámos o curso (ou ainda antes), viver e trabalhar noutras cidades em Portugal e no estrangeiro.

Os tais outros das terreolas, estão lá todos, a trabalhar nos tais botecos da Baixa e a fazer a mesma vida que faziam quando eu os conheci há 8 anos, quando éramos todos caloiros da Universidade :) São essas as pessoas que já deviam ter evoluído para outra fase das suas vidas, mas ainda se fartam de repetir aqueles chavões tipo "momentos que passam, saudades que ficam" e de dar importância a uma série de niquices que só importam para quem nunca saiu daquele mundinho. Por isso, quem atribui essa alegada superioridade a Coimbra estão longe de ser os próprios conimbricenses (eu jamais me vejo a morar lá de novo, por exemplo), mas sim quem parece que só descobriu uma vida quando lá chegou para começar a Universidade.
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De Rita a 27.01.2014 às 22:17

Foi caloira há 8 anos, ou seja tem... Quê? 26 anitos? E pensa que já sabe tudo...
Tem a cabecinha carregada de preconceitos, estereótipos! Espero que a vida seja branda consigo, porque a pensar assim e a verbaliza-lo desta forma, vai ter alguns amargos de boca. Pode ser que cresça entretanto.
Nunca a palavra COIMBRINHA fez tanto sentido, menina!
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De ARMANDO CORREIA a 27.01.2014 às 19:10

Uiiiiii
Não Podia deixar de comentar esta resposta da Sandra e como tem razão, como já referi sou de Coimbra e a minha profissão obriga-me a trabalhar com os Coimbrinhas, esses de que fala.... e que pensam que os " outros " têm que lhe tirar o chapéu e até fazem distinção nos cursos, verdadeira corja que realmente existe e cujo poder passa de pais para filhos, não interessa nada se tiraste o curso em Coimbra, interessa é se pertences á familia dos senhores xpto da cidade, apesar de ter uma profissão numa área muito sensivel de uma responsabilidade grande (Farmácia Hospitalar ) não pertenço a essas familias de Coimbrinhas e até já me foi dito que subi um nivel porque casei com uma farmaceutica.... ou seja deve ser por acumulação, vou tentar que o meu filho seja médico para subir mais um. ( brincadeirinha).
Minha cara Sandra como a entendo....
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De Rita a 27.01.2014 às 22:10

O mal da Joana não é o de ser conimbricence! É o de ser COIMBRINHA!
Que cabeça tão limitada!
(Também fui estudante de Coimbra, na FDUC, mas felizmente para mim a faculdade não foi uma extensão do liceu!)
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De M. a 27.01.2014 às 16:09

Cara Joana,
concordo com o que diz sobre muitas coisas da vida académica de Coimbra. Se, inicialmente, aquilo parece bem porreiro e divertido, depois percebemos que há mais mundo para além da academia coimbrã.
Não posso é concordar com as ideias preconceituosas que exprime acerca da rapaziada das "terriolas pequenas", porque mais 'pequeno' do que alguns conimbricences é difícil... Como dizia o Eça "não há maior provincianismo, do que o provincianismo marialva da capital" (eu aproveito para adaptar para "provincianismo pacóvio de alguma Coimbra" que me parece estar tão bem representado no seu comentário).

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De Sandra a 27.01.2014 às 17:01

Joana, têm toda a razão em muito o que escreve, mas o que a/ o M. acabou de referir diz tudo, o preconceito, o nariz empinado e a forma como refere as terras pequenas faz de sim uma pessoa que representa muito bem as peneiras da cidade que é Coimbra! sei bem do que falo porque estudei lá e trabalho com empresas de lá..
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De ARMANDO CORREIA a 27.01.2014 às 19:02

Sou de Coimbra, nascido, criado e estudado no meio da Academia e quando digo no meio é no sentido literal da palavra dado que cresci numa casa com 74 quartos alugados a estudantes.
Estou de acordo com o que diz, embora talvez não o comentasse neste tom, aproveitava até para dizer que como habitante de Coimbra acho o cortejo da latada e da queima uma autentica viagem ao mundo da cerveja e outras bebidas e das pessoas que lá vão apenas respeito aquelas que sabem viver esses dias com a capacidade de apreciarem espiritualmente a vida académica ou seja sóbrios.
deixaria aqui apenas uma frase que escrevi num outro blogue e que demonstra bem o que penso em relação ao que se passa na minha cidade.
" Pelo menos por Coimbra e pelo que vejo, beber até cair pode ser apenas um modo de integração na urgência e cantar na rua aos berros somos umas P.... tiroliroliro, algum tipo de integração no folclore.
E penso que diz tudo.
Saudações
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De Pedro. C. a 28.01.2014 às 12:20

Tumbas, mai nada.

Parabéns!
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De Janeka a 01.02.2014 às 12:21

O seu comentário foi o melhor que li sobre este assunto. Eu estudei no norte da Europa e nunca lá vi este tipo de parvoíces, absolutamente desnecessárias...
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De Cátia Peixoto a 27.01.2014 às 12:35

Exactamente, concordo com o que disse!

Eu não quis ser praxada, mas não houve grandes cerimónia quanto a isso por parte dos veteranos! Apesar disso, fiz amigos e bons, fui a jantares, não me senti deslocada, talvez no início , mas posteriormente com trabalhos de grupo etc integrei-me bem! Agora, que devem haver cursos onde é completamente o inverso acredito que sim! :( e tenho pena!
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De Anónimo a 27.01.2014 às 12:37

O que eu não percebo é... se a praxe é assim tão horrorosa porque é que a maior parte das pessoas adoraram ser caloiros? eu adorei ser praxada.

devo ter alguma coisa recalcada, eu e 85% das pessoas do meu ano...lol
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De Sofia Vale a 27.01.2014 às 12:39

Fui praxada e para o ano espero praxar. Não concordo com nada do que disse. A verdade é que a praxe me fez crescer, deu me a conhecer amigos para a vida, tanto caloiros como Doutores.
Ligo a televisão e falam sobre praxe. A toda a hora. E não se restringem a falar do que aconteceu no Meco... insistem em nomear todas as praxes em que algo de mal aconteceu. TODAS.
No meu ano de caloira, recolhemos latas e entregamos uma cadeira de rodas a um miúdo. Tivemos uma praxe natalícia onde recolhemos alimentos e dinheiro para a cruz vermelha. E é só um exemplo de um curso de uma universidade. Estou certa que há muitas mais deste género pelas universidades deste país. Mas isso não sai nos jornais, não aparece na televisão.
Bonito mesmo, é falar na generalidade e criticar toda a praxe, por algumas pessoas não terem consciência.

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De Ana Carmo a 27.01.2014 às 22:31

Claro que se fala em todas. Em todas as que correram mal! Ou acha que morrerem pessoas em situações completamente estúpidas não é caso para o País parar e se reflectir sobre isso?
São futuros doutores, engenheiros... professores que o fazem. Isto dá que pensar nos profissionais que estamos a formar no nosso ensino. Só em Portugal é que há disto! Em mais lugar nenhum do mundo, vêem este tipo de "brincadeiras" acontecer!
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De Márcia a 27.01.2014 às 12:40

Concordo 100% com o seu ponto de vista.

Atirar crianças, vestidas com peles de cordeiros, a leões esfomeados também já foi uma tradição. E hoje, continuamos a fazer isso em nome da tradição? Não me parece...
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De Anonimo a 27.01.2014 às 23:57

O mal disto é achar que pessoas de 18 anos são crianças LOL
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De ANÓNIMO a 28.01.2014 às 12:36

E não são por acaso!?

Só porque, legalmente, são maiores de idade, não significa que deixam de ser crianças. Conheço pessoas com 30 anos que são perfeitas crianças.
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De Maria a 27.01.2014 às 12:49

Olá Ricardo.

Começo por dizer que sou a favor da praxe, nem vou explicar porquê, porque ninguém parece perceber.
Queria só dizer uma coisa. Na academia onde estudei, e quando pertenci á Comissão de Praxe do meu ano, aconteceu um fenómeno muito interessante e para o qual não ano estávamos preparados: um pequeno grupo de caloiros decidiu que queria ser anti-praxe. Até aqui tudo bem. Nada contra e ate fomos bastante compreensivos com eles e ninguém lhes berrou porque queriam ser anti-praxe. Estavam no direito deles. O que nós não estávamos á espera era que depois de se tornarem anti-praxe, esses mesmos caloiros marginalizarem, os colegas que aderiram á praxe. Ninguem lhes fez nada, todos continuavam a falar com eles na mesma, mas esses anti-praxe sim, eram mal educados e pensavam que tinham o rei na barriga. Achavam-se no direito de insultar os colegas aderentes é praxe, apenas porque se assumiam melhores do que quem ia á praxe e ás actividades que durante semanas preparamos para eles.

Engana-se quem pensa que os caloiros que nao aderem á praxe, são uns coitadinhos oprimidos. Isto há de tudo.
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De Ana Rita Novo a 27.01.2014 às 12:57

Em Setembro vim estudar para Inglaterra. Aqui não existem praxes e não é por isso que não há integração dos alunos.
Como sou estudante internacional fiz parte de uma série de actividades e sessões de esclarecimento acerca do funcionamento da universidade e de questões culturais. Durante duas semana houve alunos, devidamente identificados, a quem me poderia dirigir para pedir ajuda. Esses alunos são do mais simpático que existe. Há um esforço enorme por parte deles para que os freshers " não se sintam sozinhos. Mas não há cá actividades de andar pintados, sujos, mascarados, amarrados uns aos outros. Nunca vi nenhuma actividade que levasse algum aluno a sentir-se humilhado.
A associação de estudantes e o comité de suporte ao aluno estrangeiro, organizam vários eventos - diurnos e nocturnos - para que os novos alunos se conheçam e conheçam os mais velhos.
Já fui a jantares, almoços, viagens, festas...ui, mas quantas festas! Tenho amigos Chineses, Alemães, Espanhóis, Franceses e claro, Ingleses.
Há um esforço muito grande por parte de toda a comunidade escolar em integrar os novos alunos. E a integração não é deixada apenas para os alunos que já estão cá há mais tempo. Professores e pessoal não-docente colaboram também.
E acho que é isso que está a fazer falta em Portugal: que seja toda a comunidade escolar a fazer parte da integração e não apenas os alunos que pertencem à associação de estudantes ou ao comité de praxe. Os professores e todos os funcionários devem fazer parte da organização e aplicação de actividades. É necessário que existam sessões de esclarecimento aos novos alunos acerca do funcionamento das universidades e não há ninguém melhor para o fazer que não as pessoas que trabalham nesses serviços. E depois os alunos mais antigos podem fazer actividades, que integrem e nas quais as pessoas participem por vontade própria e não por medo (que é o que acontece na maior parte dos casos nas praxes em Portugal).
Em vez de exigirem a participação na praxe, convidem! Será mais saudável e todos ficarão mais felizes.
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De Mariana a 27.01.2014 às 13:35

Subscrevo! Fiz Erasmus e acho que me diverti mais nesse ano (e fiz mais amigos e vivi mais a vida académica) que nos outros 4 que passei em Coimbra :) havia muito mais gente diferente (de várias nacionalidades, mas também com opiniões diferentes e maneiras diferentes de viver a vida), muito mais coisas a acontecer (eventos ligados à Faculdade, coisas em que os alunos participavam)... conheci ali logo nos primeiros dias pessoas espectaculares com quem partilhei experiências o ano inteiro. Acho que o "sentir-me desintegrada" só durou um dia, o primeiro do curso de apresentação, em que toda a gente ainda estava um pouco tímida para falar uns com os outros. A partir daí foi cada dia melhor que o outro! Senti-me muito mais integrada lá, que em Coimbra, onde o conceito de diversão e vida académica parece passar por praxar, ir aos mesmos eventos que são iguais todos os anos e que vês uma vez e está visto para sempre (serenata, cortejo, noites do parque), beber até caír, fazer jantares em que pagas 7€ por uma grelhada mista recessa e um vinho carrascão e onde todos os participantes, ao fim de meia hora, estão a vomitar-se nas monumentais. A maioria das pessoas com quem me cruzei lá eram tão este estereótipo e tão, mas tão desinteressantes (não conseguiam ter uma conversa minimamente elaborada sobre qualquer coisa além disto). A sorte é que a cidade tem imensos estudantes e no meio desta corja ainda se encontram alguns fixes, por isso também não foi difícil fazer amigos... mas tive de procurar MUITO MAIS que no meu ano de Erasmus :)
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De Marta a 27.01.2014 às 21:08

Concordo totalmente. Fui estudante Erasmus em Paris e nunca conheci estudantes com maior espírito Académico. Sempre rontos a ajudar e a colaborar e se um aluno tiver um problema a faculdade toda se une para o resolver. Não é preciso praxe para isso, aliás, em França a praxe é proibida por lei.
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De Anónimo a 27.01.2014 às 13:03

O argumento "só vai à praxe quem quer" tira-me do sério!
Quem praxa e foi praxado sabe perfeitamente que não é assim tão simples dizer "não", seja caloiro ou doutor. Portanto dizer que só é praxado quem quer é uma forma muito simplista e fácil de fugir à realidade.
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De Anonimo a 27.01.2014 às 16:21

A praxe por muito proibida que seja será sempre feita! Ainda bem, já se perdeu muita coisa em Portugal, que não se perca a tradição académica também!
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De Anónimo a 02.02.2014 às 19:58

Como não conseguiram até hoje acabar com a praxe académica tenta-se a politização da mesma invocando deploráveis casos que apenas refletem a falta de bom senso de algumas brincadeiras de mau gosto que redundaram em humilhações e acidentes graves. A praxe é livre. Não fui praxado nos meus tempos de universitário porque recusei brincadeiras que não se enquadravam no meu sentido de humor. Trajei porém quando quis , e ninguém me incomodou. A tentativa reaccionária de tentar acabar com a praxe apenas revela o espírito de alguns : "somos muito democratas desde que concordem connosco."

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