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passoscosta.jpg 

Portugal vive um dos períodos políticos mais efervescentes das últimas décadas. Quase todas as pessoas sentem o que se está a passar de forma apaixonada, o que leva a que quase sempre as posições que tomam, as coisas que dizem, a forma como expõem a sua opinião seja muitas vezes mais um ataque a quem pensa diferente do que uma efetiva defesa de uma posição individual, uma ideologia ou uma ideia política.

 



Isto leva-me a uma discussão que já tenho há muito tempo com várias pessoas, e que tem a ver com uma coisa muito simples: o facto de uma pessoa ser de esquerda ou de direita não tem nada a ver com o facto de uma pessoa ser a favor dos patrões ou dos trabalhadores, dos ricos ou dos pobres, de quem trabalha e de quem é trafulha, de quem oprime e de quem é oprimido. Nem as pessoas de direita são os “direitolas” betos, filhos de papás ricos que andam em brutos carros e vestem Façonnable, nem os de esquerda são “esquerdalhas” que não tomam banho, fumam charros e querem é passar o dia a fazer greves.



 

À esquerda ou à direita, há (ou deve haver) uma preocupação política superior: a de encontrar o melhor rumo para o País, a de procurar a solução mais eficaz para que as pessoas vivam, todas elas, cada vez melhor, com melhores salários, melhores empregos e melhores condições sociais. Uns acreditam que isso se consegue seguindo uma ideologia de esquerda, outros acreditam que isso se consegue seguindo uma ideologia de direita.



 

Eu já tive as duas visões. Durante muitos e muitos anos, até aos meus 28, 29 anos, achei que o modelo ideal para conduzir a sociedade a um caminho mais justo seria o de esquerda. Achava que a nacionalização de algumas áreas-chave da economia poderia permitir uma redistribuição da riqueza de forma mais justa, achava que reforçando diretamente o poder económico das pessoas poderia encontrar-se um caminho mais rápido e seguro para a estabilidade das famílias e dos empregos.

 

Fui sempre, desde a adolescência, e até quase aos 30 anos, um homem de esquerda. Votei várias vezes na CDU, no Bloco de Esquerda, em candidatos presidenciais apoiados pelo PCP. A partir dos 25/26 anos, e por ter começado a viver a vida como ela é (ou como foi para mim, pelo menos), por ter tido diferentes experiências pessoais e profissionais, por ter lido muitas coisas, senti que estava errado, que as coisas em que vinha a acreditar não batiam certo com a minha vida, a minha experiência, os meus exemplos, as coisas que via a acontecerem. Comecei a identificar-me mais com uma visão moderada do mundo e da sociedade, passei a ver o caminho comum europeu como o caminho certo, deixei de ver necessidade nas nacionalizações e, sobretudo, deixei de achar que o Estado deve ser o suporte de toda a sociedade, que o Estado deve ser dono de empresas de vários sectores, um paizinho de toda a gente, um distribuidor de subsídios por dá-cá-aquela-palha.

 

Hoje, acredito que uma economia de mercado livre, com um Estado regulador, gera mais empregos, mais competitividade e concorrência que favorece o consumidor, acho que é isso que permite pagar melhores salários (basta ver quanto ganha um quadro médico da função pública e um quadro médio de uma empresa privada), acho que é isso que permite que as empresas sejam mais competitivas e tenham mais dinheiro para investir e, com esse investimento, criarem mais postos de trabalho e aumentarem os salários de forma sustentada, sem porem em causa a viabilidade das empresas.

 

As economias de mercado têm, obviamente, problemas, geram desigualdades, há muitas empresas que pagam salários baixos, mas, sinceramente, acho muito mais chocante um professor em início de carreira ganhar o que ganha do que uma pessoa sem formação superior com um emprego que não requer qualquer tipo de qualificação levar para casa um salário mínimo (seja ele qual for). E quem paga ao professor é o Estado. Logo, não é por haver uma economia de mercado que há salários baixos, pelo contrário, um mercado concorrencial na mão de privados favorece o aumento dos salários, sobretudo das pessoas com mais mérito, mais qualificadas, mais competentes, as que representam mais-valias para as empresas e, por isso, são requisitadas pelo mercado, pelas empresas concorrentes. Tudo isto, acredito eu, deve motivar-nos a querermos ser melhores no que fazemos, mais empenhados, mais competentes. Claro que isso pode não acontecer, podemos nunca vir a ter aumentos substantivos, mas isso não significa que o princípio da coisa está errado, significa apenas que não se pode aplicar a 100 por cento dos casos, como nada se pode aplicar a 100 por cento dos casos.

 

Ou seja, hoje acredito muito mais nos princípios gerais que regem as políticas de direita do que de esquerda, unicamente porque acho que esse é o melhor caminho para a sociedade, para as pessoas e para o País. Não há ninguém que me possa dizer que estou certo ou que estou errado, não há ninguém com certezas sobre este assunto, porque não há certezas sobre ideologias, porque todas elas já tiveram sucesso e já fracassaram, e talvez a única que nunca tenha tido sucesso efetivo seja a comunista, que nunca funcionou em qualquer modelo de sociedade – a História mostra isso. Há economistas geniais que defendem princípios políticos e económicos de esquerda e há economistas geniais que defendem princípios económicos de direita. Uns não são melhores do que os outros, apenas têm convicções diferentes, porque é disso que se trata quando se discute política: convicções pessoais.

 

Ao longo destes últimos anos, foi-me sempre muito difícil falar publicamente sobre isto, sobre o facto de acreditar mais numa política de direita. Ser apoiante do PDS, ou da coligação que geriu o País, era quase um crime. Ainda assim, nunca tive qualquer problema em defender publicamente muitas das políticas da coligação de governo. Para muita gente isto continua a ser um crime, precisamente porque não entendem o que disse no início: são convicções, se eu defendo estas políticas é porque acredito que elas são as melhores para o País e para os portugueses. Mas só por dizer o que penso, e por serem políticas de direita, já sei que vou levar com os comentários do costume, de que só penso isto porque estou bem na vida, ou porque ganho muito dinheiro, como se não houvesse pessoas que ganham mal, que estão desempregadas, que vivem com muito pouco e são de direita (da mesma forma que há gente com muito dinheiro e muito bem na vida e é de esquerda — não tem a ver com dinheiro ou posição social, tem a ver com aquilo que acreditamos ser melhor).

 

O governo de coligação PSD-CDS cometeu erros, teve falhas, criou imensos problemas, apostou em medidas completamente ao lado, mas acredito que houve um esforço sério e nada populista para endireitar o País. Ninguém acredita que haja um só primeiro-ministro no mundo que goste de aumentar impostos e cortar salários. Não há. Se isso aconteceu, foi porque teve de acontecer, porque havia metas urgentes a cumprir para evitar que Portugal entrasse numa espiral de crise sem fim, tal como aconteceu com a Grécia. Felizmente, e após grandes sacrifícios de todos nós, Portugal conseguiu atravessar o deserto, equilibrar as contas, relançar a economia, estabilizar os mercados, e a prova de que as pessoas valorizaram tudo isso surgiu nas eleições: a coligação ganhou. Dizer que a coligação não ganhou, que quem ganhou foi “a esquerda”, é atirar areia para os olhos das pessoas. A coligação foi o partido mais votado, e é isso que significa ganhar. Não se sabe, nem nunca se saberá, quando valia esta esquerda unida em eleições. Eu acredito que não valeria o suficiente para derrotar a PAF, e também acredito que veremos isso ainda este ano, ou no início do próximo, quando houver eleições antecipadas.

 

Mas mesmo tendo nós um novo governo, em que eu não acredito, e que não creio que possa durar muito tempo (por culpa própria — o que separa os partidos que suportam o governo é muito mais do que aquilo que os une), espero sinceramente que faça um bom trabalho, a bem de todos nós. Há dias fiz uma analogia na minha página pessoal de Facebook que repito agora aqui: "Nunca desejei que o Benfica perdesse para que um treinador fosse despedido da mesma forma que jamais desejarei que um governo enterre o País para que se prove que tenho razão. Espero bem que António Costa faça um grande trabalho e prove que tem competência para liderar Portugal. Da mesma forma que espero que Rui Vitória dê a volta e ganhe o campeonato. Agora se acredito em algum dos cenários? Não".

 

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publicado às 23:15


18 comentários

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De CarmoL a 04.12.2015 às 00:38

Muito, muito bom!
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De Leitor Atento a 04.12.2015 às 05:43


Acordo Ortográfico


Acordo Ortográfico de 1945

Documento n.º 2 : Bases Analíticas do Acordo Ortográfico de 1945 - 11

Consideram-se normais na escrita corrente as formas quer e requer, dos verbos querer e requerer, em vez de quere e requere: ele quer, ele o quer, ela requer, ela o requer, quer dizer, e não ele quere, ele o quere, ela requere, ela o requere, quere dizer. São legítimas, entretanto, as formas com e final, quando se combinam com o pronome enclítico o ou qualquer das suas flexões: quere-o, quere-os, requere-a, requere-as.
A forma quer transmite a sua grafia à conjunção a que deu origem e mantém-na, além disso, em todas as palavras compostas e locuções em que figura: quer ... quer; bem-me-quer, malmequer; onde quer que, quem quer que.


E Façonable é grafado com duplo "n".


Bom texto.
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De Psicogata a 04.12.2015 às 09:55

Concordo, é uma questão de ideologia e não há como provar a que está certa ou errada.
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De Jhonny M. a 04.12.2015 às 10:44

Em Portugal a principal ideologia política é o Partidarismo. A Democracia deixou de estar nas mãos dos cidadãos e passou para as mãos dos políticos que os Partidos nos apresentam para serem nossos representantes.
Por esse motivo, defendo a Democracia Direta e a eleição dos representantes (deputados) em círculos eleitorais em que o cidadão elege quem conhece e quem realmente quer ver sentado no hemiciclo. Assim como a ideia de que o Governo é determinado pela vontade desses representantes diretamente eleitos, por forma a que todos os deputados se comprometam com o Governo que escolheram, trabalhando em conjunto pelo Bem de Todos, acabando-se a ideia de que o Parlamento é um lugar de luta entre Governo e Oposição.
Quanto aos conceitos Direita e Esquerda, sendo-me imposto escolher entre um e outro, escolho a Direita, mas a minha verdadeira ideologia aproxima-se mais do Libertarismo Moderado (Estado Mínimo, Mercado Livre e apologia das Liberdades Individuais).
Mas para que novas ideologias e novos representantes emerjam no panorama político nacional, os cidadãos têm de se insurgir contra os Partidos e a sua teia de influências!
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De homem sem blogue a 04.12.2015 às 10:50

Quanto à política, acredito que as pessoas já estão tão descrentes nos políticos que os votos não são decididos por ideologias políticas mas apenas por promessas de um futuro melhor. E este desespero do povo é muito bem explorado por políticos, independentemente da cor.

Quanto ao Rui Vitória, isto dava pano para mangas. Se foi contratado para apostar em jovens, está a fazer um bom trabalho.

Em ambos os casos será o futuro a ditar se os políticos que temos agora são uma boa opção e se o Rui Vitória é o homem certo para o Benfica.

Bom regresso. Abraço

homem sem blogue
homemsemblogue.blogspot.pt
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De Ricardo Santos a 04.12.2015 às 10:56

1. Bom post, este.
Porque será que falamos, gritamos e escrevemos no facebook sobre futebol, cumprimentos de aniversário, indignações gerais e que “não aguentamos mais o frio” (que por sinal começou há meia hora e nem sequer é frio), mas ficamos calados no que diz respeito a cenas mais importantes, como a política?

2. Porque será que o jornal "Público" aqui há uns anos fez uma reportagem sobre um jovem casal de direita (dizia respeito ao Eduardo Nogueira Pinto, advogado e a mulher, que não recordo agora o nome), como se isso fosse motivo de reportagem?

3. Muito mais do que em que partido vota a pessoa de que és amigo, colega, namorado/a, interessa-me a mim saber se é séria, honesta, partilha os mesmos objectivos de vida, se gosta das mesmas canções que eu, como é quando está com mau feitio, etc. etc.

4. Já é tempo de acabar com a cena do "nós" e "eles" (do nosso partido e o dos outros).

5. Parte séria agora do meu comentário:
Ó Arrumadinho, saiste-me cá um "doublestandards":
a) Criticas agora o António Costa pelo modo como chegou ao poder. Curioso que nunca te ouvi falar das promessas que Passos Coelho e Paulo Portas fizeram na campanha eleitoral das eleições de 2011 e que depois não cumpriram. Também nunca te ouvi falar da demissão do Paulo Portas e, dois dias depois, regressou ao poder novamente quando Passos Coelho lhe deu mais algumas competências.
Quanto a Miguel Relvas, de que chegaste a falar, a alegada reforma administrativa morreu no encerramento de juntas de freguesia; a RTP continua fresca e viçosa; o Estado permanece uma monstruosidade burocrática; a Autoridade Tributária transformou-se numa máquina de espremer contribuintes, sejam eles cumpridores ou não; e poderíamos continuar por aí fora.
b) Concordo contigo quanto ao papel do Estado (6º parágrafo do teu post), só te pergunto, dos deputados e ministros do Governo do Passos e Portas e agora da Oposição, quantos é que têm uma carreira profissional séria, sem a "mão" do Estado, baseada no mérito, que possamos todos avaliar, sem "manigâncias" do Curriculum Vitae, quantos deles foram bons alunos na Faculdade, etc. etc.
c) por fim, acho que já ninguém usa a marca Façonnable.
Abraço, gajo do Porto.
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De Maria a 04.12.2015 às 11:04

Não há partidos, políticos e governos perfeitos. Todos vão errar em alguma coisa, tomar medidas populistas, outras que "destroem" a vida das pessoas. Mas penso que mudar é bom: do PS, CDS e PSD já podemos ter opinião formada no governo (pois já lá estiveram alguns mais do que uma vez). Mas como posso dizer que os restantes partidos, ou mesmo esta nova "coligação" à esquerda não vai resultar? Nunca experimentámos. Daqui a um tempo poderem ter uma opinião formada.. agora tenho apenas esperanças que as coisas melhorem!

Só mais uma questão: para mim não é admissível que ninguém receba um salário mínimo igual ao que existe em Portugal... seja ele licenciado ou a pessoa com menos habilitações. É um valor tão baixo que apenas dá para sobreviver, e às vezes com dificuldade.
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De Anselmo a 04.12.2015 às 11:50

Embora não me reveja em certas afirmações, acho muito bom o artigo. Está com uma perspectiva diferente, parabéns.
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De Anónimo a 04.12.2015 às 12:01

Vira o disco e toca o mesmo!!!! Arrumadinho, se a coligação "ganhou" as eleições porque não está a governar? Santa paciência para continuar a ouvir este tipo de conversas.....mais uma vez e de uma vez por todas a PAF foi o partido mais votado mas as eleições elegem deputados e não primeiros-ministros. A maioria dos deputados votou contra o programa do PAF, logo o governo com o primeiro-ministro Passos Coelho indigitado cai e é chamada a governar a 2º força politica mais votada que tem apoio da maioria parlamentar.
O PS, o CDU e o BE nunca iam votar favoravelmente a um programa de governo contra o qual lutaram contra durante 4 anos, por isso mesmo que não houvesse negociações de apoi entre estes 3 partidos o PAF nunca formava governo porque NÃO TEM MAIORIA PARLAMENTAR.
Sinceramente não esperava este tipo de comentário do Arrumadinho pois sempre o achei uma pessoa mais culta e ponderada do que mostra com este comentário do "PAF ganhou as eleições".
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De Ana a 09.12.2015 às 17:03

Pena que em 2004 quando Durão Barroso saiu e Santana Lopes ficou como Primeiro-ministro, a esquerda não se tenha lembrado que as pessoas elegem uma assembleia e não um primeiro-ministro. As vozes eram tantas a dizer que as pessoas não tinham votado em Santana Lopes, que a assembleia (Que por acaso até tinha maioria) foi dissolvida, convocadas eleições e imagine-se quem ganhou??? PS.
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De Anónimo a 04.12.2015 às 13:44

Nada contra o post, apesar de ser de esquerda acho que esta coligação pós eleições é uma palhaçada, especialmente por serem partidos com ideologias tão diferentes (apesar da ideologia do BE ser o que está na moda, por isso integra-se com quem quiser, vá).
O que eu não concordo é com isto: "Comecei a identificar-me mais com uma visão moderada do mundo e da sociedade, passei a ver o caminho comum europeu como o caminho certo, deixei de ver necessidade nas nacionalizações e, sobretudo, deixei de achar que o Estado deve ser o suporte de toda a sociedade, que o Estado deve ser dono de empresas de vários sectores, um paizinho de toda a gente, um distribuidor de subsídios por dá-cá-aquela-palha."
Para mim, claro, acho impossível haver uma sociedade justa sem o Estado social que seja o centro da sociedade. Tem de haver saúde gratuita (veja-se o caso dos EUA onde ainda não há), tem de haver educação gratuita, tem de haver subsídio de desemprego, tem de haver RSI. Sem estas coisas o nosso país, que já é pobre, ia ficar... nem sei como. O sofrimento e a fome não acabavam. Eu acho que bem que haja mais competição, que os salários sejam melhores, mas não acho de todo que a solução seja privatizar tudo.
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De Anónimo a 06.12.2015 às 12:21

Ninguém reparou que era de esquerda Ahahahahaha
E se a PAF não ganhou, o PS muito menos. E não dou um ano para a sua esquerda se desentender e começarem as divergências. Acho ridículo agora serem BFF quando passaram 40 anos a criticarem - se mutuamente.
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De Anónimo a 07.12.2015 às 21:22

... Eu disse o contrário? Disse que não concordava com a coligação de esquerda, embora seja de esquerda.

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