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Miguel Sousa Tavares é um comentador como deve ser: pertinente, polémico, corrosivo, atento, perspicaz. Mas, tal como Marcelo Rebelo de Sousa, comete algumas vezes o erro de falar de tudo, mesmo de coisas sobre as quais não tem qualquer conhecimento. Pior: ele assume que não sabe nada sobre aquilo, mas, ainda assim, defende a sua opinião baseada em nada.

 

Hoje, a propósito do 10.º aniversário do Facebook, o escritor deu uma entrevista ao DN para falar sobre a rede social. Ou melhor, sobre as redes sociais em geral, e o Facebook em particular. O mais curioso é que Miguel Sousa Tavares:

 

1. Não tem conta no Facebook.

2. Nunca acedeu ao Facebook.

3. Nunca quererá ter um perfil no Facebook.

4. Não faz ideia do que é, hoje, o Facebook.

5. Não entende, nem quer entender, o fenómeno das redes sociais.

 

Ainda assim, é contra, acha mal e apresenta uma série de argumentos que chegam a ser patéticos (há um, no entanto, que ele aponta com razão: o Facebook rouba-nos tempo, mas, se ele percebesse como funciona a rede social também saberia que, nalgumas coisas, poupa-nos tempo).

 

Mas vamos às palavras de Miguel.

Começa por dizer, logo, que a única rede social que frequenta é "para jogar bridge". Muito bom. Só para nos pôr no lugar. 

Depois, diz que não vê "qualquer vantagem" da utilização da rede social na venda dos seus livros. Estupidez. Só uma pessoa que, uma vez mais, não percebe o funcionamento do Facebook pode dizer uma barbaridade destas. O efeito viral é, hoje, fundamental na comunicação, seja de que produto for. Mas ele não sabe o que é viralidade, por isso, não vale a pena explicar-lhe isso.

A melhor tirada vem logo depois, quando afirma, com o profundo conhecimento de quem nunca teve um perfil de Facebook, que "aquilo é uma agência de namoros". Mas se o Miguel nunca entrou no Facebook como é que sabe? Fez algum estudo? Investigou? É isso que os seus amigos lhe dizem? Não percebo onde é que ele vai buscar esta coisa da "agência de namoros". O Facebook é uma agência de namoros da mesma forma que o Bairro Alto o é, ou uma festa de amigos o é. É um sítio onde se conhecem pessoas. Sim, é. Isso faz da rede social um bordel ou uma agência para engates? Não, não faz.

Também adoro quando o jornalista lhe pergunta porque é que acha que o Facebook é uma coisa elitista. "Não acredito que fale a um tipo que trabalhe no campo em Trás-os-Montes e que ele lhe diga que à noite vai para o Facebook". Ou seja, para Sousa Tavares, as pessoas elitistas são aquelas que não vivem no campo em Trás-os-Montes ou na Beira Interior. Temos um país com 8 milhões de elitistas. Porreiro.

 

Por fim, e talvez aqui seja a citação mais grave, o escritor (e jornalista) demonstra uma total inaptidão para perceber o papel dos jornais e revistas nas redes sociais. Para ele, "têm uma atitude suicidária" porque dão notícias que se passam nas redes sociais, em vez de promoverem debates nas redes sociais sobre as notícias publicadas nos jornais". 

Uma vez mais pergunto: mas como é que o Miguel Sousa Tavares sabe o que os jornais fazem ou não fazem nas redes sociais se nunca as frequentou? Como é que ele sabe que não há discussões sobre as notícias dos jornais? Claro que há. É o que mais há. 

Mas pronto, eu acredito que ele acha mesmo que está certo, e todos os grandes editores dos maiores jornais do mundo - que estão nas redes sociais e as exploram ao máximo - estão enganados.

 

 

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publicado às 18:41


69 comentários

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De Anónimo a 04.02.2014 às 19:34

Os meus pais trabalham no campo na Beira interior e têm facebook. E curiosamente conheço muitas pessoas que trabalham no campo e fazem questão ter facebook!
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De johnny bravo a 04.02.2014 às 19:35

Ó arrumadinho, se fizesses um post com todas as ignorâncias que são ditas todos os dias por pessoas que "should know better" não fazias mais nada.
O que ele disse é grave. Bastante.
Tal como a Judite Sousa.
No essencial estou de acordo contigo.
Os livros do MST são interessantes, até admito que jantar com ele poderia ser interessante, mas mais do que isso não, que ele deve ser um pedante do caraças.
Mas deixa lá o homem.
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De C.Ferreira a 04.02.2014 às 20:15

Gostei bastante do post.
Ainda hoje comentava com alguém que esta "revolução das tecnologias de informação" irrita muita gente. E acho que o motivo de tal irritação será uma maior interacção o que a meu ver na entrevista MST confunde com perda de privacidade. Certamente ele estará acostumado a expressar a sua opinião através da televisão e jornais onde o feedback assume uma forma numérica: níveis de audiência e vendas. No fim se muitos assistiram e compraram é porque foi bom. Mas agora não só existe a possibilidade de opinar sem filtros como também de receber feedback com conteúdo para lá de numérico. Na verdade com a chegada da televisão pensava-se que não haveria maneira de chegar mais perto do público. Mas a internet trocou as voltas a toda a gente. Interagir nunca foi mais fácil e rápido. De uma forma geral discordo dos os argumentos que ele apresenta, não fazem qualquer sentido e não têm qualquer fundamento. Penso que não é por se tornar mais fácil interagir com pessoas conhecidas ou não que se perde a privacidade. Lembro perfeitamente que quando era mais nova o problema era demasiada televisão. Hoje é demasiado facebook. Cada um administra o seu tempo como quer e bem entende. Na minha opinião ele não sabe do que está a falar. E sinceramente a verdadeira perda de tempo foi essa entrevista...ganhava mais se estivesse a jogar candy crush! Eu como tenho uma conta no facebook mandava-lhe uma vida com todo gosto.
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De Anónimo a 07.02.2014 às 12:53

Perde-se a privacidade quando nos expomos perante milhões de pessoas que não conhecemos. Não me diga que conta tudo sobre a sua vida a toda a gente.

Cada um é livre de fazer o que quer com a sua vida. Mas depois não se venham queixar de roubos de identidade, de publicações de fotos em sites pornos e afins
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De Os Betolas a 04.02.2014 às 22:01

Sinceramente, estes comentários não surpreendem! Miguel Sousa Tavares sempre se achou dono da razão e o mais engraçado é a forma como defende as suas ideias sem sequer alguma vez ter experienciado isto ou aquilo. A incoerencia dos seus discursos é cada vez mais uma realidade!

Os Betolas
www.osbetolas.blogs.sapo.pt
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De sónia ribeiro a 04.02.2014 às 22:27

Sempre gostei muito do Miguel Sousa Tavares, principalmente dos seus livros. O Equador devorei-o em 3 dias! No entanto, a minha admiração por esse"senhor" tem vindo a ser cada vez menor. É seu apanágio falar do que não sabe, como se fosse o maior entendido de todos na matéria...

Não é só sobre o Facebook, é sobre quase tudo e mais alguma coisa. E sobre os professores???!! Uiii.....classe infernal para esse "senhor", e claro está, classe a que a que eu pertenço, e "como quem não se sente, não é filho de boa gente..."

Enfim, já o tive, de facto, em melhor consideração.
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De Anónimo a 07.02.2014 às 12:58

Sou professora e odiei o MST quando opinou sobre nós sem conhecimento de causa e generalizando, que é o pior que alguém pode fazer

No entanto, concordo com algumas das suas opiniões sobre o FB. Claro que nos expomos perante toda a gente, claro que perdemos privacidade. A quem é que interessa a foto que eu tirei quando estava a lavar os dentes? A quem é que interessa o que é que eu vesti ontem?
Porque é que as pessoas têm tanta necessidade de se expor?

Não tenho FB, mas acedi pelo meu filho para ver como era. E vi coisas bastante ridículas. Não preciso disso para ter amigos e para ter uma vida. Quero lá eu saber o que é que a fulana X serviu no jantar de Natal, por exemplo.
Além dos perigos inerentes. Toda a gente sabe que existem perfis falsos, e que esses mesmos perfis podem esconder perigos imensos.
Mas é só a minha opinião
IM
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De Paula a 05.02.2014 às 00:07

É que acontece quando se fala sem conhecer, investigar e aprofundar.
Diz-se uma série de disparates.
Não é o que os comentares em geral fazem? Falam do que não conhecem?
vidademulheraos40.blogspot.com (http://vidademulheraos40.blogspot.com/).
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De TheEmpress a 05.02.2014 às 01:44

Já tive facebook.
Concordo com aquilo que o Miguel Sousa Tavares disse...
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De limao a 06.02.2014 às 20:44

porra estava a ver que era do contra.
Qualquer dia vão andar a caçar quem não tem facebook, irra!!!
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De Cherry Pie a 05.02.2014 às 03:16

Não tenho paciência para os seus comentários num tom absolutista, detentor da verdade dos factos e cada vez mais close-minded. Está a ficar um velho do Restelo é o eu é. A rede social do bridge deve ser a loucura. Uma rambóia pegada, o Medina Carreira também deve ser membro...
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De Juanna a 05.02.2014 às 08:12

Há muito gente isolada que passa dias agarrado a isto? Há, claro. Mas se diz que o FB contribui para o isolamento das pessoas é porque nunca saiu à noite numa sexta em Madrid. Somos 6 milhões de pessoas nesta cidade e creio que só no Sol estão 2 milhões ;)
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De Marco a 05.02.2014 às 09:18

O MST sofre de opinionite, e nisso não é diferente de nós outros, portugueses em geral.

Neste caso, até é fácil pensar numa refutação quase científica: basta tentar perceber quantos utilizadores do Facebook arranjaram namoro com pessoas conhecidas apenas do Facebook.

Na minha experiência pessoal, dos vários amigos que tenho no Facebook, só uma pessoa (que me lembre) arranjou namoro assim.

Pela lógica de MST, os outros são frustrados (e elitistas!).

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