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Como já deu para reparar por mais uma ausência de alguns dias, a minha vida anda complicada no que diz respeito a tempo. E às vezes não é só a falta de tempo de vir aqui escrever, porque há sempre cinco minutos para abrir o blogue e colocar aqui qualquer coisa, mas não é isso que gosto de fazer, gosto de pensar um bocadinho em conteúdos melhores, gosto de ler sobre as coisas antes de escrever, gosto de trazer temas que possam dar alguma dicussão (no bom sentido), gosto de contar algumas coisas engraçadas que me vão acontecendo, ou gosto simplesmente de abordar assuntos sobre os quais tenho prazer em escrever, e prefiro não publicar nada a escrever qualquer coisa só porque tem de ser, sem qualquer interesse (é a vantagem de não ser blogger profissional).

 

Acontece que nos últimos tempos, tal como já escrevi num outro post, tem sido muito complicado conjugar tudo na minha vida. Há sempre qualquer coisa que tem de ficar para trás. Como a família e o trabalho são sempre a prioridade, quem acaba por sair prejudicado é o blogue (que embora seja parte do meu trabalho, é uma parte menor) e todas as áreas de lazer da minha vida - as corridas, as idas ao ginásio, os filmes, as séries, os livros, as jogatanas de PlayStation, os jantares e almoços com amigos, os passeios.

 

Ainda assim, na semana passada, consegui dar um saltinho a Cabo Verde - foram só cinco dias -, e esperava, finalmente, poder respirar e recuperar toda essa parte de diversão que tenho desleixado. Fiz um plano de treinos rigoroso, com uma corrida e uma hora de ginásio por dia, levei dois livros para ler, vários filmes, séries, e, claro, bastante trabalho, que despacho sempre entre as 7h e a hora a que a minha mulher acorda, e e depois de almoço, quando normalmente ela dorme a sesta - assim, ninguém se chateia).

 

As coisas até começaram a correr relativamente bem. Logo no primeiro dia, ao fim da tarde, calcei os ténis e aventurei-me pelas ruas do Sal. Apesar do vento fortíssimo, de algum frio, e de um piso extremamente irregular, consegui fazer 10 km. Era mais uma etapa na preparação da Maratona de Paris, que é já a 6 de Abril. No dia seguinte, mais ou menos à mesma hora, lá voltei a equipar-me e fui para a rua, desta vez procurando um caminho diferente. Corri ao longo de toda a avenida que liga o centro de Santa Maria e os hotéis Riu, contornei o Riu Funaná, e quando estava a regressar, pimbas!, um entorse no tornozelo. Mais um. Para aí o 29.º nos últimos cinco anos. Sempre o mesmo tornozelo, o esquerdo, e sempre pelas mesmas razões - piso qualquer coisa durante a corrida. Desta vez, ia distraído com a paisagem, a olhar para todo o lado, e pus o pé numa cova, mas na parte lateral, o que fez com que o pé torcesse todo. Senti imediatamente o impacto fortíssimo, como se me tivessem espetado qualquer coisa, e comecei aos saltinhos, ao pé coxinho, durante uns cinco metros. Depois tentei pôr o pé no chão, e continuar a corrida, para analisar a extensão da dor, porque já fiz vários entorses menos graves, ligeiros, que me permitiram seguir com o treino. Mas desta vez não. Ainda corri uns 100 metros, mas as dores eram imensas. Estava a quase 4 km do hotel, num descampado deserto, longe de tudo, completamente sozinho, coxo e cheio de dores. Não tive outro remédio senão continuar a arrastar-me por aquele cenário deprimente. O chão era de terra batida, havia imenso lixo, carcaças de edifícios deixados a meio, projectos de hotel que não passaram de meia dúzia de blocos de cimento, um território que mais parecia um cenário de guerra do que um local agradável para correr. Era a primeira vez que passava ali, não fazia ideia do que iria encontrar nas traseiras dos hoteis, mas era aquilo. E as dores fortes, e nem uma pessoa no meu alcance visual.

 

Quando ia mais ou menos a meio, a ouvir António Zambujo no iPod, perdido naquele pedaço de terra sem graça, avistei um cão ao longe. Era grande, escuro, peludo e corria na minha direcção. Eu até gosto de bichos, sobretudo de cães, mas tenho um trauma com cães pretos e grandes, já que quando era miúdo, aos 7 anos, fui mordido três vezes por um, uma na mão, outra na orelha e a última na cabeça, quando jogava ao berlinde. Só dessa vez levei 18 pontos na cabeça. Claro que comecei logo a ver o cenário: o cão vem atacar-me, claro, que outra explicação pode haver. E eu coxo, fragilizado, sem poder correr, e logo por azar sem nenhum pau ali à mão para segurar. Procurei por pedras, mas o bicho estava demasiado próximo. Assumi uma posição de combate, e pensei, "olha, vem, que eu chego para ti". O cão aproximou-se, cada vez mais, sempre na minha direcção, e... passou por mim, continuando a sua marcha. Não me ligou nenhuma. Nem sequer olhou para mim. Lá foi ele à sua vida, já que seguramente deveria ir atrasado para algum compromisso.

 

Mais descansado, continuei a arrastar-me até ao hotel. Cheguei uns 50 minutos depois, triste com a lesão, e já a pensar que poderia ter acabado ali o meu sonho de participar na Maratona de Paris. 

Entrei no quarto, e estava tudo a dormir - a minha mulher e o Mateus. Fui ao frigorífico, saquei de uma garrafa de água gelada, estendi-me no sofá, fiz uma pilha de almofadas e pus o pé elevado, com a garrafa encostada ao lado inchado do tornozelo. Já era demasiado tarde para ir à farmácia.

No dia seguinte, lá fui comprar Reumon Gel, com que passei a besuntar o pé três vezes ao dia. Entretanto, descobri mais uma maravilha das meias de compressão, que uso para correr. Agarrei numa e usei a parte compressiva para me apertar o tornozelo, como se fosse uma ligadura apertada. E a coisa funcionou na perfeição. Fiquei com muito menos dores, comecei a conseguir meter o pé no chão ao fim de dois dias, e o inchaço desapareceu rapidamente.

Claro que só senti que já podia voltar a correr quando cheguei a Portugal. Mas, cá, falta-me o tempo. Ainda assim, tenho conseguido fazer alguns treinos, e volto a acreditar que será possível ir a Paris a 6 de Abril. Agora, é esperar que o tornozelo não quebre. Entretanto, já fui a uma consulta com um especialista em pé e tornozelo, que me irá fazer uma série  de exames para ver se consigo resolver isto de vez, ou, pelo menos, minimizar os riscos de isto acontecer tantas vezes.

 

Deixo-vos algumas fotos dos últimos tempos, muitas delas que tenho colocado na página de Instagram do blogue, que podem seguir aqui.

 

Este domingo já voltei a correr, junto ao rio, a um ritmo baixinho, só para sentir como respondia o tornozelo

 

Em Cabo Verde, quando me preparava para a primeira corrida das férias

 

No segundo dia, com a meia de compressão amarrada à volta do pé e o meu melhor amigo, o Reumon Gel

 

 

Nas férias, li em menos de nada o "A Porta Para a Liberdade", um grande livro do Pedro Prostes, que conta a história do homem que ajudou Cunhal a fugir de Peniche em 1960. Um verdadeiro documento histórico que revela pormenores incríveis de uma fuga que mudou o nosso País 

 

 

 

 Sem poder correr, restou-me isto, ficar à beira da piscina a vegetar. No último dia (só mesmo no último) quebrei ligeiramente a minha dieta e bebi duas caipirinhas (mas no resto dos dias portei-me sempre bem, nem uma transgressão)

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publicado às 10:18


18 comentários

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De Pronta e Vestida a 27.02.2014 às 11:10

Ainda bem que voltaste!

(estar em Cabo Verde de dieta não vale!)

www.prontaevestida.com
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De ARMANDO CORREIA a 27.02.2014 às 11:47

Ora este post serviu para abrir o meu álbum fotográfico do cérebro, quando estive em Cabo Verde fiquei precisamente no Riu Funaná e lembrei-me desses pormenores.
Quanto ao piso irregular só o senti de jipe, sou pouco dados a corridas..
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De AnaCosta a 27.02.2014 às 15:56

Força nisso Ricardo, vai ver que conseguirá estar em forma em Paris!!!

Em relação ao livro que leu, já tinha pensado comprá-lo para oferecer. Acha um bom presente para quem gosta de ler mas não gosta muito de História?

Cumprimentos,
diasdechocolate.blogs.sapo.pt/
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De homem sem blogue a 27.02.2014 às 16:18

Espero que não sejas obrigado a adiar o sonho de ir a Paris. Que tudo corra bem. Força e bons treinos.

Abraço

homem sem blogue
homemsemblogue.blogspot.pt
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De Sandra Guiomar a 27.02.2014 às 16:42

Xiiiiiii Ricardo, entorse nem me fales nisso, estou traumatizada, já fiz 4, todos no pé esquerdo. E todos eles as lesões foram muito complicadas, então este último tive parada sem ir ao ginásio 3 meses. E fiquei com sequelas.Enfim..... ainda bem que os teus são ligeiros, agora toca a treinar para ires à Maratona de Paris, fooooorrrrççççaaaa..........
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De Eva Gonçalves a 27.02.2014 às 17:40

As melhoras, dito isto: ainda bem que não estava ninguém para te ver a tentar enfrentar o cão que não te ligou nenhum! Oh pá, imagino a cena Arrumadinho de punhos em riste, cara de mau e o cão nada!
http://aaventuraculinaria.blogspot.pt/
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De Joana a 27.02.2014 às 17:46

Já me aconteceu semelhante e a solução foi engessar o pé durante um mês.
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De A Pipoca Arrumadinha a 27.02.2014 às 17:55

Ainda bem que voltou meu amigo e vai tudo correr pelo melhor em breve está em plena forma já agora, hoje no blog, tenho outra entrevista das boas!
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De Nuno Seixas a 27.02.2014 às 19:06

Já te imagino a correr na Maratona de Paris... Ao chegar à meta, quem é que está lá à tua espera? O cão preto...
As melhoras e boas corridas. ( e vê lá se escreves mais que a malta sente falta dos teus posts)
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De Ana a 27.02.2014 às 19:07

Sem querer ser altamente desanimadora, a minha irmã sofre de entorses crónicas no pé esquedo, precisamente.
No verão de 2012 (?) fez, no mês de agosto, duas entorses, e em Setembro, mais uma.. todas por parvoíces. Uma delas até a fez em casa, sem praticamente fazer nada..
No hospital a conclusão a que chegaram é que os ligamentos dela são demasiado "sensíveis" e facilmente ela torce o pé.

Que tudo corra bem e bem-vindo de volta!

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